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Reciclagem de baterias na China deve superar 50% da demanda — mineradoras brasileiras de lítio sob pressão

· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasMinério de ferroInfraestrutura e construção

Relatório da Aliança de Inovação da Indústria de Baterias da China projeta que materiais reciclados atenderão mais de 50% da demanda doméstica por baterias até 2035, reduzindo drasticamente a dependência de importações de lítio, cobalto e níquel — afetando diretamente exportações brasileiras de m...

Por que isso importa

O aumento da reciclagem de baterias na China, que deve superar 50% da demanda após 2035, impacta diretamente mineradoras brasileiras de lítio como Sigma Lithium e CBL, que exportaram US$ 280 milhões em concentrado de lítio para a China em 2024. O setor de veículos elétricos e baterias é o mais afetado, com redução estrutural na demanda por minério virgem.

O que fazer

Consulte o portal ComexStat para verificar dados atualizados de exportação de lítio do Brasil para a China; Avalie com a Sigma Lithium e CBL a necessidade de revisão de contratos de longo prazo; Acompanhe o posicionamento do BNDES sobre linhas de financiamento para o setor mineral.

Janela de tempo

Janela de oportunidade para consolidação de fornecedores brasileiros pode se fechar na próxima década; recomenda-se monitoramento trimestral de políticas chinesas de reciclagem e preços do lítio.

A China, maior consumidora global de metais para baterias, acaba de divulgar um relatório que projeta um salto na reciclagem de materiais críticos: de 10% da demanda atendida por reciclados em 2025 para mais de 50% até 2035. O estudo, apresentado por Chen Mo, da Aliança de Inovação da Indústria de Baterias de Tração Automotiva da China, indica que o volume de baterias descartadas cresceu 30% em 2025, atingindo 400 mil toneladas. Para o Brasil, que exporta lítio, nióbio e grafita para a China, o movimento sinaliza uma redução estrutural na demanda futura por minérios virgens. Em 2025, os materiais reciclados de metais críticos já conseguem atender a mais de 10% da demanda doméstica chinesa por produção de baterias de tração, e essa proporção deve ultrapassar 15% até 2030. Com o rápido crescimento do número de baterias em desuso — a vida útil média é de 5 a 8 anos —, a projeção é que essa taxa ultrapasse 50% após 2035, reduzindo significativamente o risco na cadeia de suprimentos da China. O relatório foi divulgado no dia 30 de junho por Chen Mo, assistente do presidente do Conselho da Aliança de Inovação da Indústria de Baterias de Tração Automotiva da China, durante o período do 15º Plano Quinquenal, quando as baterias de tração domésticas entrarão em uma fase de descomissionamento em larga escala. Por que isso chega ao Brasil: O país é um dos principais fornecedores de lítio para a China — em 2024, as exportações brasileiras de concentrado de lítio para o mercado chinês somaram cerca de US$ 280 milhões, segundo dados da CAMEX. Além disso, o Brasil é o maior produtor mundial de nióbio, usado em ligas para baterias de estado sólido, e tem reservas significativas de grafita, outro insumo crítico. Se a China reduzir a demanda por minérios virgens em 50% até 2035, o impacto sobre as mineradoras brasileiras será direto: a CBL (Companhia Brasileira de Lítio), em Minas Gerais, e a Sigma Lithium, que opera no Vale do Jequitinhonha, podem enfrentar revisão de contratos de longo prazo. O BNDES e o Ministério de Minas e Energia precisam monitorar esse movimento para ajustar políticas de incentivo à mineração. A interpretação CBI: Os dados mostram que a China está acelerando a construção de sua 'mina urbana' — o conceito de reciclagem em larga escala de metais de baterias descartadas. Na leitura do CBI, isso indica que Pequim está priorizando a segurança de suprimentos via economia circular, em vez de depender de importações de países como Brasil, Chile e Argentina. Diferente de 2020, quando a reciclagem era incipiente, hoje a China já tem capacidade instalada para processar 400 mil toneladas de baterias por ano. O risco para o Brasil não é imediato, mas estrutural: a janela de oportunidade para mineradoras brasileiras se consolidarem como fornecedoras confiáveis pode se fechar na próxima década. O que acompanhar: (1) A evolução do volume de baterias descartadas na China — o relatório indica que em 2025 já são 400 mil toneladas, com crescimento anual de 30%; (2) A publicação de novas políticas chinesas de incentivo à reciclagem, que podem incluir subsídios ou cotas mínimas de uso de material reciclado; (3) O comportamento dos preços do lítio na Bolsa de Metais de Londres (LME) e na plataforma Fastmarkets, que já refletem a expectativa de menor demanda futura por minério virgem.

Nota sobre a fonte

Fonte oficial chinesa tende a destacar o sucesso da economia circular, mas os números de capacidade instalada e projeções são concretos e alinhados com tendências globais.

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