Macro & Mercados
Pequim flexibiliza compra de imóveis para não residentes — construtoras brasileiras observam efeito sobre preços de commodities
· Clara Lin
Minério de ferroVeículos elétricos e bateriasInfraestrutura e construção
Pequim reduziu de dois para um ano a exigência de seguro social para não residentes comprarem imóveis dentro do 5º anel, sinalizando novo estímulo ao setor imobiliário chinês, o que pode sustentar a demanda por minério de ferro e impactar exportadores brasileiros.
Na noite de 7 de agosto, a Comissão Municipal de Habitação e Desenvolvimento Urbano-Rural de Pequim, junto com outros órgãos, anunciou a redução de dois para um ano no requisito de contribuição contínua ao seguro social ou imposto de renda para famílias não registradas que comprem imóveis dentro do 5º anel. A medida, que entra em vigor em 8 de agosto, também eleva o teto do fundo de previdência para empréstimos imobiliários a 3,4 milhões de yuans (cerca de USD 475 mil). Para o Brasil, o movimento reforça a expectativa de que a China continue injetando estímulos no setor imobiliário, principal consumidor de minério de ferro, beneficiando mineradoras como Vale e a cadeia de logística portuária.
O governo municipal de Pequim publicou o 'Aviso sobre a Otimização e Ajuste Adicional da Política Imobiliária Municipal', que reduz a exigência de contribuição previdenciária ou imposto de renda para não residentes que comprem imóveis dentro do 5º anel, de dois anos para um ano. A medida vale a partir de 8 de agosto e se soma a um pacote mais amplo de flexibilização que já havia eliminado limites para compra de imóveis fora do 5º anel. Dentro do anel, famílias elegíveis podem comprar um imóvel, com possibilidade de um adicional para famílias com dois ou mais filhos. O fundo de previdência habitacional de Pequim também elevou o teto de empréstimo para 3,4 milhões de yuans, ampliando o poder de compra das famílias.
Para o Brasil, a notícia chega como um sinal de que a China segue apostando no setor imobiliário como motor de crescimento, mesmo diante de riscos de bolha e endividamento. O setor consome cerca de 70% do minério de ferro global, e a Vale, maior produtora mundial, tem na China seu principal mercado. Qualquer estímulo que sustente a atividade de construção civil chinesa tende a manter os preços do minério em patamares elevados, beneficiando a arrecadação de estados como Pará e Minas Gerais, onde a mineração é relevante. Além disso, a medida pode influenciar a demanda por aço e, indiretamente, por carvão siderúrgico, outro item da pauta exportadora brasileira.
Na leitura do CBI, a flexibilização de Pequim é um fato concreto que indica a disposição do governo chinês em usar o setor imobiliário como estabilizador econômico. Os dados mostram que, apesar das medidas anteriores, o mercado imobiliário chinês ainda enfrenta estoques elevados e confiança fraca do consumidor. A avaliação do CBI é que esta nova rodada de estímulos pode ter efeito limitado no curto prazo, mas sinaliza que Pequim evitará um colapso abrupto do setor, o que é positivo para os preços de commodities. Comparado a 2023, quando a política era mais restritiva, o movimento atual é claramente expansionista, mas ainda aquém do pico de estímulos de 2015-2016.
O que acompanhar: (1) a evolução dos preços do minério de ferro na bolsa de Dalian e no índice Platts, que reagem rapidamente a anúncios de política; (2) possíveis novas medidas em outras cidades-chave, como Xangai e Shenzhen, que podem amplificar o efeito; (3) a resposta das siderúrgicas chinesas em termos de produção, que afeta diretamente a demanda por minério brasileiro.
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