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Marrocos se consolida como porta de entrada para cadeia automotiva chinesa na Europa — fornecedores brasileiros sob pressão de custos e regras

· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasInfraestrutura e construção

A indústria automotiva marroquina, ancorada pela Renault e Stellantis, atrai fornecedores chineses de peças que precisam se adaptar a regras europeias de baixo carbono e sustentabilidade — movimento que pode reconfigurar a concorrência global e afetar exportadores brasileiros de autopeças e aço.

Por que isso importa

A consolidação do Marrocos como plataforma automotiva chinesa para a Europa ameaça as exportações brasileiras de autopeças, que somaram US$ 1,5 bilhão em 2024, com tarifas de até 35% na UE, enquanto fornecedores chineses já integram a cadeia da Renault em Tânger, pressionando custos do aço brasileiro via porto de Tanger Med.

O que fazer

Consulte o ComexStat para monitorar a evolução das exportações de autopeças brasileiras para a UE nos próximos trimestres; Acompanhe no site da CAMEX possíveis reduções de tarifas de importação de aço e alumínio para a indústria automotiva; Entre em contato com a ABIPE (Associação Brasileira da Indústria de Autopeças) para avaliar estratégias de baixo carbono e sustentabilidade.

Janela de tempo

Novos anúncios de fábricas chinesas no Marrocos podem ocorrer nos próximos meses, acelerando a perda de market share brasileiro no mercado europeu de autopeças.

O Marrocos se tornou a segunda maior base de produção global da Renault, com quase 400 mil veículos produzidos em 2024, e abriga hoje mais de 250 fornecedores de peças. O país exportou 15 bilhões de euros em veículos e componentes no ano passado, 80% para a União Europeia. Para o Brasil, o movimento interessa porque fornecedores chineses estão sendo atraídos para instalar fábricas no Marrocos — e, com isso, ganham acesso preferencial ao mercado europeu, enquanto o Brasil enfrenta barreiras tarifárias e logísticas para competir no mesmo destino. A fábrica de Tânger da SNOP, fornecedora francesa de estruturas automotivas Tier 1, opera ao lado do aeroporto local. Prensas hidráulicas transformam bobinas de aço em pilares de teto e vigas de porta, com dezenas de robôs realizando soldas, mas ainda com transporte e inspeção manuais. O gerente geral Tajeddine Bennis explica que a SNOP veio para cá porque a Renault está a 40 quilômetros de distância. A fábrica da Renault em Tânger, em operação desde 2012, produziu quase 300 mil veículos no ano passado. Somando-se à SOMACA em Casablanca, a Renault Marrocos produziu quase 400 mil veículos, tornando-se a segunda maior base global da montadora, atrás apenas da França. Em média, um em cada seis Renault sai do Marrocos. A SNOP estabeleceu sua fábrica no Marrocos em 2011 e, em 15 anos, triplicou a área construída e aumentou o quadro de funcionários de 200 para cerca de 1.000. A maior parte da produção abastece Renault e Stellantis. As bobinas de aço vêm da Europa pelo Porto de Tanger Med, a 20 quilômetros de distância. O porto é o maior da África e do Mediterrâneo, com 161 milhões de toneladas movimentadas e 11,106 milhões de TEUs no ano passado. O terminal de veículos, com capacidade anual de 1 milhão de unidades, processou 527 mil veículos, dos quais 328 mil vieram da fábrica marroquina da Renault. A indústria automotiva é hoje o maior setor de exportação do Marrocos, com 220 mil empregos gerados em uma década. As exportações somaram 15 bilhões de euros em 2024, 35% do total nacional. Desse montante, 80% seguiram para a União Europeia. A Renault criou em 2024 o ACDC (Advanced China Development Center) em Xangai, com a missão de integrar a cadeia de suprimentos chinesa ao sistema global de compras do grupo. O diretor de compras da Renault China, Bai Zhaopeng, afirmou que a montadora dá boas-vindas à cadeia chinesa. No mesmo ano, a Renault levou cerca de 20 empresas chinesas de peças para visitar a fábrica de Tânger. Para o Brasil, o movimento sinaliza que fornecedores chineses estão ganhando acesso preferencial ao mercado europeu via Marrocos, enquanto o Brasil enfrenta tarifas de importação de até 35% para veículos e autopeças na UE. A cadeia brasileira de autopeças, que exportou cerca de US$ 1,5 bilhão para a Europa em 2024, pode perder competitividade se não acompanhar as exigências de baixo carbono e sustentabilidade que já são padrão no Marrocos. Além disso, o aço brasileiro, que compete com bobinas europeias abastecendo fábricas marroquinas, pode enfrentar pressão de preços se a demanda por aço de baixo carbono crescer. Na leitura do CBI, o Marrocos está se consolidando como uma plataforma de exportação para a Europa que combina baixo custo de mão de obra (salário médio de 2.700 yuans, cerca de US$ 380 mensais) com regras ambientais europeias. As montadoras controlam a redução anual de custos dos fornecedores em um dígito médio a baixo, o que exige eficiência sem automação em larga escala. O Brasil, que tem custo de mão de obra similar ou superior e enfrenta burocracia portuária, precisa monitorar se fornecedores chineses vão usar o Marrocos como trampolim para conquistar clientes europeus que antes compravam do Brasil. Os dados mostram que a Renault já integrou 20 fornecedores chineses à sua cadeia marroquina. O CBI avalia que, se esse movimento se acelerar, o Brasil pode perder espaço no mercado europeu de autopeças, especialmente em componentes de estrutura e estamparia. O que acompanhar: (1) a evolução das exportações brasileiras de autopeças para a UE nos próximos trimestres; (2) anúncios de novas fábricas chinesas no Marrocos; (3) possíveis medidas da Camex para reduzir tarifas de importação de aço e alumínio para a indústria automotiva brasileira.

Nota sobre a fonte

Fonte chinesa (LatePost) adota tom otimista sobre a integração da cadeia chinesa no Marrocos, sem destacar riscos para concorrentes como o Brasil, o que exige contraponto com dados de exportação brasileiros.

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