Tecnologia

Manus dobra avaliação para US$ 4 bi em 17 dias — startups brasileiras de IA perdem janela de investimento chinês

· Clara Lin
Veículos elétricos e baterias

A Manus, startup chinesa de agentes de IA, busca US$ 500 milhões com avaliação de US$ 4 bilhões, o dobro da recompra feita há 17 dias por Tencent e outros acionistas. O movimento sinaliza que capital chinês está priorizando ativos de IA já validados, reduzindo espaço para startups brasileiras cap...

A Manus, startup chinesa de agentes de inteligência artificial, está negociando uma nova rodada de financiamento de aproximadamente US$ 500 milhões com avaliação-alvo de US$ 4 bilhões, segundo a Bloomberg. O movimento ocorre apenas 17 dias após a empresa retomar operações independentes, quando Tencent, ZhenFund e HSG recompraram seu controle por cerca de US$ 2 bilhões. Para o mercado brasileiro, o sinal é claro: fundos chineses estão concentrando capital em ativos de IA já testados, o que pode fechar a torneira para startups brasileiras do setor que buscavam rodadas com investidores asiáticos. A Manus, startup chinesa de agentes de inteligência artificial, está avançando uma nova rodada de financiamento de cerca de US$ 500 milhões, com avaliação-alvo de aproximadamente US$ 4 bilhões. A informação foi divulgada pela Bloomberg, citando pessoas familiarizadas com o assunto. Esta é a primeira captação após a empresa concluir a separação da Meta e retomar operações independentes em 1º de setembro. As negociações ainda estão em andamento e os termos finais podem mudar. A identidade dos novos investidores não foi revelada, e acionistas existentes como Tencent, HSG e ZhenFund não confirmaram se participarão da rodada. O impacto para o Brasil é indireto, mas relevante para o ecossistema de venture capital. Fundos chineses que tradicionalmente destinavam parte de seus recursos a startups brasileiras de tecnologia — especialmente em fintechs, healthtechs e, mais recentemente, empresas de IA — estão redirecionando capital para ativos domésticos de alto crescimento. A Manus, com receita anual recorrente (ARR) superior a US$ 100 milhões e milhões de usuários, representa um caso raro de empresa chinesa de IA com tração global. Na prática, isso significa que gestoras como Tencent Investment e Sequoia China, que já investiram em empresas brasileiras como Nubank e QuintoAndar, tendem a priorizar rodadas em companhias chinesas com métricas semelhantes, reduzindo a disponibilidade de capital para startups brasileiras que buscam aportes em estágios avançados. Os dados mostram que a avaliação da Manus saltou de US$ 500 milhões em abril de 2025 para US$ 2 bilhões na aquisição pela Meta em dezembro do mesmo ano, e agora mira US$ 4 bilhões. Na leitura do CBI, esse movimento não é apenas um caso isolado de sucesso: ele sinaliza que o capital de risco chinês está disposto a pagar prêmios elevados por ativos de IA com receita comprovada, enquanto rodadas para startups estrangeiras — inclusive brasileiras — enfrentam maior escrutínio e prazos mais longos. A comparação com a Figma, que teve avaliação de IPO superior à oferta de compra da Adobe, reforça que o mercado chinês está disposto a financiar independentemente empresas que já provaram seu modelo, mesmo após transações fracassadas. Para o empresário brasileiro, o recado é prático: se sua startup de IA ou deep tech buscava uma rodada com investidores chineses neste semestre, as condições de negociação podem ficar mais duras. Fundos asiáticos estão mais seletivos e priorizando ativos com receita recorrente acima de US$ 50 milhões e presença global. Alternativas incluem fundos locais como BNDESPar, gestoras brasileiras de venture capital e family offices que têm aumentado exposição a IA. Acompanhar o fechamento da rodada da Manus — previsto para as próximas semanas — dará a medida exata do apetite chinês por risco em tecnologia. Além disso, vale monitorar se Tencent e Sequoia China sinalizam novos aportes no Brasil ou se redirecionam seus veículos de investimento para a Ásia. Por fim, a eventual abertura de capital da Manus em Hong Kong, mencionada em planos anteriores, pode servir de termômetro para o mercado de IPOs de tecnologia na região, afetando indiretamente a captação de empresas brasileiras que buscam listagem internacional.

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