Li Auto corta intermediários e centraliza P&D — fornecedores brasileiros de autopeças devem reavaliar contratos
· Clara Lin
Veículos elétricos e baterias
A montadora chinesa Li Auto eliminou camadas de gestão entre veículos e direção inteligente, retornando o desenvolvimento para P&D central — movimento que pode pressionar fornecedores brasileiros a se adaptarem a ciclos mais rápidos de inovação e maior exigência técnica.
Por que isso importa
A reestruturação da Li Auto (630.895 veículos vendidos em 2024, alta de 33%) corta intermediários e centraliza P&D, elevando barreiras técnicas para fornecedores brasileiros de autopeças, como Frasle Mobility (RS) e Iochpe-Maxion (SP), que exportam sensores e componentes para o setor de veículos elétricos.
O que fazer
Consulte o ComexStat para analisar o volume de exportação de autopeças brasileiras para a China nos últimos 12 meses; Verifique na Receita Federal a classificação NCM de sensores LiDAR e sistemas de câmeras para avaliar regimes aduaneiros (drawback); Acompanhe o relatório trimestral da Li Auto em abril de 2025, que deve detalhar impactos da reestruturação.
Janela de tempo
Nenhuma ação imediata é necessária, mas o relatório trimestral da Li Auto em abril de 2025 será o primeiro marco para avaliar mudanças nos contratos com fornecedores.
A Li Auto, montadora chinesa de veículos elétricos, anunciou uma nova reestruturação interna que elimina intermediários entre as áreas de veículos e sistemas de direção inteligente, subordinando ambos diretamente à P&D central. A decisão, revelada com exclusividade pelo 36Kr, reflete a pressão por inovação mais rápida e integrada no mercado chinês de veículos elétricos — e tem implicações diretas para fornecedores brasileiros de autopeças e componentes eletrônicos que já negociam com a empresa ou planejam entrar na cadeia.
A Li Auto, uma das principais montadoras chinesas de veículos elétricos (VE), eliminou as camadas de coordenação entre as divisões de veículos e de direção inteligente (smart driving), transferindo o controle direto para o departamento de P&D. A medida, reportada pelo 36Kr, ocorre após a empresa ter registrado vendas de 630.895 unidades em 2024, um crescimento de 33% em relação ao ano anterior. A reestruturação visa acelerar a integração entre hardware e software, especialmente nos modelos L MEGA, i8 e i6, que dependem de sistemas avançados de assistência ao motorista.
Para o Brasil, o impacto é indireto, mas relevante. A Li Auto não tem operação direta no país, mas sua cadeia de suprimentos inclui fornecedores brasileiros de autopeças, sensores e componentes eletrônicos — especialmente aqueles que exportam para a China via trading companies ou joint ventures. Empresas como a Frasle Mobility (RS) e a Iochpe-Maxion (SP) podem ser afetadas se a Li Auto exigir maior integração técnica e prazos mais curtos de desenvolvimento.
Os dados mostram que a Li Auto investiu 40.597 funcionários em P&D em 2024, um aumento de 12% em relação a 2022. Na leitura do CBI, isso indica que a empresa está priorizando inovação interna em vez de depender de fornecedores externos para componentes críticos de direção inteligente. A reestruturação pode reduzir o número de intermediários na cadeia, mas também aumenta a barreira técnica para novos entrantes.
O que acompanhar: (1) a publicação do relatório trimestral da Li Auto em abril de 2025, que deve detalhar o impacto da reestruturação nos custos de P&D; (2) possíveis ajustes nos contratos com fornecedores brasileiros, especialmente aqueles que fornecem sensores LiDAR e sistemas de câmeras; (3) a reação de outras montadoras chinesas, como BYD e NIO, que podem adotar modelo similar.
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