Macro & Mercados

Jet ski voador chinês chega ao mercado global — setor náutico brasileiro deve monitorar nova concorrência

· Clara Lin

A chinesa NAVEE lançou o WaveFly 5X, primeiro jet ski pessoal de consumo do mundo, que voa a até 80 cm da água. O produto já tem distribuição nos EUA e Austrália, sinalizando potencial entrada no mercado brasileiro de embarcações de lazer.

A NAVEE, fabricante chinesa de patinetes e bicicletas elétricas, apresentou em Suzhou o WaveFly 5X, o primeiro jet ski pessoal do mundo voltado para consumo. O veículo voa a 30-80 cm da superfície da água por efeito solo, atinge 85 km/h e tem autonomia de 80 km. Com distribuição inicial nos EUA e Austrália, o produto aponta para um novo segmento de mobilidade aquática que pode chegar ao Brasil, onde o mercado de jet skis e barcos de recreio movimenta bilhões de reais anualmente. A NAVEE, conhecida por seus patinetes elétricos presentes em mais de 60 países, lançou o WaveFly 5X, um jet ski pessoal que opera voando rente à água. O veículo usa baterias modulares de troca rápida, pesa 140 kg de carga máxima e não exige licença de piloto profissional — apenas um breve treinamento. O preço não foi divulgado, mas a empresa já assinou cartas de intenção com distribuidores nos Estados Unidos e Austrália. Para o Brasil, o impacto direto é indireto, via competição no mercado global de embarcações de lazer. O país é um dos maiores mercados de jet skis do mundo, com marcas como Yamaha, Sea-Doo e BRP dominando o segmento. A chegada de um produto chinês com tecnologia de efeito solo pode pressionar preços e forçar inovação. Além disso, a NAVEE já demonstrou capacidade de escala: são quase 500 patentes acumuladas desde 2021. Os dados mostram que o mercado global de economia de baixa altitude deve ultrapassar US$ 2 trilhões até 2030, segundo Morgan Stanley. Na leitura do CBI, o WaveFly 5X representa a primeira tentativa de levar essa economia para o consumidor comum, saindo do nicho militar ou de luxo. A NAVEE aposta na simplificação dos controles e na segurança do voo rente à água para atrair um público que nunca pilotou aeronaves. O que acompanhar: (1) abertura de distribuição na América Latina, especialmente no Brasil; (2) posicionamento da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) sobre a classificação do veículo — se será tratado como aeronave ou embarcação; (3) reação das fabricantes tradicionais de jet skis no Brasil, que podem acelerar lançamentos de modelos elétricos ou híbridos.

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