Tecnologia
Investidor lendário chinês recompra Alibaba após liquidar posição — sinal para fundos brasileiros de tech
· Clara Lin
Veículos elétricos e baterias
Duan Yongping, um dos investidores mais respeitados da China, reabriu pequena posição na Alibaba após zerar em março, enquanto reduz Nvidia e Alphabet. Para gestores brasileiros com exposição em ADRs de tech chinesa, o movimento sinaliza cautela seletiva, não reentrada convicta.
Duan Yongping, investidor chinês conhecido por sua disciplina e por posições concentradas em empresas que entende profundamente, voltou a comprar ações da Alibaba — três meses depois de ter zerado completamente sua posição. A recompra, de 301.400 ações (cerca de US$ 28,9 milhões), representa apenas 0,15% de seu portfólio de US$ 19,1 bilhões. Para o investidor brasileiro que acompanha ADRs de tech chinesa na B3 ou no exterior, o movimento tem leitura dupla: é um gesto de reconhecimento do valor da empresa, mas longe de ser uma aposta relevante.
A Alibaba divulgou resultados do primeiro trimestre do ano fiscal de 2027 com queda na qualidade dos lucros e incerteza sobre retorno de capital. O cenário repete os últimos trimestres: alto investimento, pressão nos lucros e um ponto de inflexão que não chega. Foi nesse contexto que Duan Yongping, gestor da H&H International Investment, reabriu posição na empresa — mas com um tamanho que levanta mais perguntas do que respostas.
Para o mercado brasileiro, o impacto é indireto, via sentimento de investidores institucionais locais que alocam em ADRs de tech chinesa. Fundos brasileiros com exposição a Alibaba, JD.com ou Pinduoduo observam os movimentos de Duan como termômetro de valuation. A leitura que chega ao Brasil: mesmo o investidor mais disciplinado da China reconhece que a Alibaba está barata, mas não está disposto a apostar pesado nela.
Os dados mostram que Duan cortou 54,63% da Nvidia, reduziu Alphabet C em 46,88%, Microsoft em 25,78% e Apple em 6,38%. Liquidou totalmente TSMC e CrowdStrike. Em contrapartida, aumentou Pinduoduo em 26,71%, adicionou Berkshire e Disney, e comprou um pouco de Alibaba. Na leitura do CBI, isso indica que ele está separando duas coisas: a IA é importante como tendência, mas as ações de IA merecerem posições pesadas agora é outra história. Sua posição em Tesla permaneceu estável em 7,44%, e ele criou posição em Nvidia — mas cortou pela metade no trimestre seguinte.
A relação de Duan com a Alibaba é longa e contraditória. Em 2023, ele vendia puts, dizendo que não via com clareza e não conseguia apostar pesado. Em 2024, aumentou para 880 mil ações, tornando-se a quarta maior posição. Em 2025, reduziu trimestre após trimestre. No Q1 de 2026, zerou completamente. Agora, três meses depois, comprou de volta uma fração mínima. O que ele ajusta não é apenas o preço das ações, mas sua compreensão do negócio.
O que acompanhar: (1) se Duan aumentará a posição nos próximos trimestres ou se esta é apenas uma posição simbólica; (2) o comportamento do fluxo de ADRs de tech chinesa em fundos brasileiros; (3) os resultados da Alibaba nos próximos dois trimestres, especialmente margem e geração de caixa, que são os indicadores que Duan monitora.
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