Investidor chinês de IA revela lições de uma década — empreendedores brasileiros de tech devem observar ciclo de hype
· Clara Lin
Veículos elétricos e baterias
Hu Qi, da Qiming Venture Partners, compartilha em evento da 36Kr sua trajetória de engenheiro de IA a investidor, alertando sobre o ciclo de hype e a alta taxa de fracasso em startups de IA — lição direta para o ecossistema brasileiro de deep tech e venture capital.
Por que isso importa
A experiência do investidor Hu Qi, da Qiming Venture Partners, revela que apenas 10% das startups de IA sobrevivem ao ciclo de hype — lição direta para o ecossistema brasileiro de tecnologia e plataformas, onde fundos como Canary, Monashees e Kaszek enfrentam dilemas semelhantes. A mensagem é clara: separar valor real de euforia e ter paciência são requisitos para quem busca capital inteligente vindo da China.
O que fazer
Consulte o portal da ABStartups para acessar estudos comparativos sobre ciclos de investimento em IA no Brasil e na China; Analise com seu CFO o fluxo de caixa para projetos de deep tech, considerando que a taxa de sucesso real é de 1 em cada 10 — use projeções conservadoras; Avalie a possibilidade de buscar financiamento do BNDES (linha FINAME) para aquisição de equipamentos de IA ou automação.
Janela de tempo
Não há alteração regulatória ou de mercado iminente — a recomendação é incorporar o aprendizado sobre resiliência e execução no planejamento estratégico do próximo trimestre.
Hu Qi, diretor executivo da Qiming Venture Partners e investidor focado em inteligência artificial há uma década, fez um relato franco sobre os altos e baixos do setor durante o evento WAVES 2026, promovido pela plataforma chinesa 36Kr. Com formação em IA pela Universidade de Edimburgo, ele investiu em empresas como Zhipu AI, StepFun e ShengShu Technology. Para o empresário brasileiro que acompanha o ecossistema de inovação, o recado é direto: o hype da IA queima rápido, e empreender na área é cruel — uma chance em dez.
Hu Qi abriu sua apresentação com uma provocação bem-humorada: 'Minha mãe nunca entendeu minha área. Quando a IA explodiu, ela disse: filho, coisas que esquentam rápido queimam fácil.' A frase, que arrancou risadas da plateia, carrega uma verdade que o investidor conhece na pele. Nos últimos anos, ele viu empresas explodirem da noite para o dia e desaparecerem em dois ou três anos. 'Empreender em IA é realmente cruel, uma chance em dez', afirmou.
O investidor revelou que, a partir de abril de 2023, sua rotina de trabalho se tornou insustentável — dormia apenas duas ou três horas por noite. A pressão veio não apenas do ritmo, mas das expectativas dos LPs (limited partners). 'Frequentemente me perguntam: por que vocês investiram na Zhipu, StepFun e ShengShu, mas não nas outras? É como minha mãe: quando eu tirava 90 pontos na escola, ela só perguntava onde estavam os outros 10 pontos', comparou.
Para o leitor brasileiro, a trajetória de Hu Qi oferece um espelho. O ecossistema de venture capital no Brasil, especialmente em deep tech e IA, ainda é incipiente, mas já enfrenta dilemas semelhantes: como separar hype de valor real, como lidar com a pressão por resultados rápidos e como construir empresas que sobrevivam além do ciclo de financiamento. A Qiming Venture Partners, uma das principais gestoras de capital de risco da China, investiu cedo em grandes modelos de linguagem — uma aposta que hoje vale centenas de bilhões de dólares em valor de mercado.
Hu Qi também fez uma analogia entre empreender e malhar: 'No primeiro dia em que você faz o plano, ou no momento em que investe em um projeto, você tem certeza de que vai dar certo. Mas a realidade é que a maioria dos planos não se sustenta.' A fala ecoa o que investidores brasileiros como os da Canary, Monashees e Kaszek já observam: o mercado de IA no Brasil precisa de paciência e tese clara, não de euforia.
O evento WAVES 2026, com o tema 'Este Verão Intenso', reuniu em Guangzhou investidores, líderes industriais e empreendedores para discutir IA, hard tech, expansão global e saúde. Para o empresário brasileiro que busca entender para onde o capital inteligente está migrando na China, a mensagem de Hu Qi é um alerta: o hype não substitui execução, e o ciclo de venture capital exige resiliência — tanto do investidor quanto do empreendedor.
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