Regulação Financeira

Inflação chinesa esfria em julho — exportadores brasileiros de commodities sentem alívio nos preços

· Clara Lin
Carne e proteínasVeículos elétricos e bateriasMinério de ferro

Pesquisa da Caixin com 11 instituições indica que o CPI da China deve cair para 0,8% em julho, pressionado por alimentos e energia. Para o Brasil, isso sinaliza demanda estável, mas preços menores para exportações agrícolas e de petróleo, exigindo ajuste de expectativas de faturamento.

A economia chinesa dá sinais de desaceleração inflacionária: o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) deve registrar alta anual de 0,8% em julho, 0,2 ponto percentual abaixo de junho, segundo pesquisa da Caixin com 11 instituições financeiras. O Índice de Preços ao Produtor (PPI), que vinha em forte recuperação no primeiro semestre, também mostra sinais de perda de fôlego. Para o exportador brasileiro, o dado é um termômetro crucial: a China é o principal destino de soja, carne bovina, minério de ferro e petróleo do Brasil, e a acomodação dos preços chineses tende a se refletir diretamente nas cotações pagas ao produtor nacional. A pesquisa da Caixin, divulgada em 29 de julho, reúne projeções de 11 instituições nacionais e internacionais e aponta que a variação anual do CPI chinês em julho deve diminuir, com previsão média de 0,8%, abaixo dos 1,0% registrados em junho. O intervalo de projeções varia entre 0,5% e 1,1%. A CICC, por exemplo, projeta uma alta de cerca de 0,7%. O principal fator de pressão é a queda nos preços de alimentos, especialmente a carne suína, cujo preço médio em 22 províncias caiu 24% na comparação anual. A oferta de vegetais de estação aumentou, mas as perturbações climáticas — altas temperaturas, chuvas fortes e tufões — elevaram os preços no atacado em base mensal, ainda que a queda anual tenha se ampliado. No segmento não-alimentar, a redução dos preços domésticos de produtos refinados de petróleo no início do mês puxou a variação anual para 6,2%. Para o Brasil, o impacto chega por dois canais principais. O primeiro é o preço das commodities agrícolas: a desaceleração do CPI chinês, puxada por alimentos, indica que a demanda doméstica segue contida, o que tende a limitar reajustes nos contratos de exportação de soja, milho e carnes. O segundo canal é o PPI, que sinaliza o custo industrial na China. Com o PPI perdendo força, a margem das indústrias chinesas que importam insumos brasileiros — como minério de ferro e celulose — pode se estabilizar, mas sem espaço para grandes altas de preço. Exportadores brasileiros de petróleo também devem observar: a queda nos preços de refinados na China reflete a volatilidade do mercado internacional de energia, que afeta diretamente a pauta de exportação brasileira. Os dados mostram que a inflação ao consumidor chinês está em trajetória descendente, influenciada por fatores sazonais e pela política monetária contida do Banco Central da China (PBoC). Na leitura do CBI, isso indica que o governo chinês prioriza a estabilidade de preços em detrimento de estímulos agressivos ao consumo, o que deve manter a demanda por importações em ritmo moderado no segundo semestre. A recuperação do PPI no primeiro semestre, que chegou a animar o setor industrial, parece estar perdendo ímpeto, o que pode sinalizar uma acomodação nos preços de insumos industriais nos próximos meses. O que acompanhar: (1) a divulgação oficial do CPI e PPI de julho pela Agência Nacional de Estatísticas da China (NBS), prevista para a primeira semana de agosto; (2) a evolução dos preços da carne suína na China, que afetam diretamente a competitividade da carne bovina e de frango brasileiras no mercado chinês; (3) as decisões do PBoC sobre juros e compulsório, que indicam se haverá estímulo ao consumo no segundo semestre, com impacto direto na demanda por importações brasileiras.

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