Indústria chinesa tem melhor trimestre desde 2020 — exportadores brasileiros de minério e soja observam demanda aquecida
· Clara Lin
Soja e oleaginosasVeículos elétricos e bateriasMinério de ferro
Pesquisa privada mostra que a manufatura da China registrou o melhor desempenho trimestral em quase seis anos, sinalizando demanda robusta por insumos brasileiros como minério de ferro, petróleo e soja, apesar de leve desaceleração em junho.
Por que isso importa
O PMI industrial Caixin de 52,0 no 2º trimestre — maior desde Q4 2020 — sinaliza demanda aquecida por minério de ferro (30% das exportações Brasil-China), beneficiando diretamente a Vale, e também a soja brasileira em meio à concorrência sazonal americana. A produção industrial chinesa cresceu 5,1% em maio, acima do esperado, reforçando a demanda por petróleo da Petrobras.
O que fazer
Consulte o ComexStat para volumes reais de minério e soja exportados nos últimos 30 dias; Acompanhe na B3 os contratos futuros de minério de ferro (código MINI) e soja para precificar novos embarques; Contate a ABIOVE para avaliar a reposição de estoques chineses e ajustar cronogramas de exportação.
Janela de tempo
Os efeitos já estão nos preços spot; os dados de julho serão divulgados pela GACC no início de agosto e a reunião do Politburo pode trazer novos estímulos — decisões de embarque devem ser tomadas nesta semana.
A manufatura chinesa fechou o segundo trimestre de 2025 com o melhor desempenho desde o início da pandemia, segundo pesquisa privada do Caixin/S&P Global. O índice de gerentes de compras (PMI) industrial ficou em 51,8 em junho — ligeiramente abaixo dos 52,0 de maio, mas ainda em território de expansão. Para o Brasil, o dado é relevante porque a China é o principal destino de minério de ferro, petróleo bruto e soja brasileiros. Uma indústria aquecida em Pequim significa maior apetite por importações de commodities nos próximos meses.
O PMI industrial do Caixin, que acompanha principalmente empresas de médio e pequeno porte voltadas à exportação, atingiu média de 52,0 no segundo trimestre — o maior nível desde o quarto trimestre de 2020. O resultado surpreendeu analistas, que esperavam desaceleração mais forte após os dados oficiais do PMI industrial (divulgados pelo governo) terem ficado estáveis em 49,5 em junho, indicando contração. A diferença entre os dois índices reflete a recuperação mais forte do setor privado exportador chinês, enquanto a indústria estatal e de grande porte ainda enfrenta excesso de capacidade e demanda doméstica fraca.
Para o Brasil, o impacto chega via demanda por commodities. O minério de ferro responde por cerca de 30% das exportações brasileiras para a China. Com a manufatura chinesa aquecida, a Vale (maior produtora global) deve manter ritmo elevado de embarques. Já a soja brasileira, que enfrenta concorrência sazonal da safra americana, pode se beneficiar se a indústria de processamento chinesa continuar comprando para recompor estoques. O petróleo brasileiro, exportado principalmente pela Petrobras, também tende a encontrar mercado firme, já que a China é o maior importador global de petróleo.
Os dados mostram que a produção industrial chinesa cresceu 5,1% em maio na comparação anual, acima das expectativas. Na leitura do CBI, isso indica que a estratégia chinesa de estímulo fiscal e monetário — incluindo cortes de juros e injeção de liquidez — está surtindo efeito no setor exportador, mas ainda não reativou o consumo interno. O risco para o Brasil é que, se a demanda doméstica chinesa não se recuperar, o governo pode redirecionar estímulos para setores que competem com importações, como a produção doméstica de grãos e energia.
O que acompanhar: (1) os dados de importação chinesa de julho, que serão divulgados pela alfândega chinesa (GACC) no início de agosto; (2) a reunião do Politburo de julho, que pode anunciar novas medidas de estímulo; (3) a variação do minério de ferro na bolsa de Dalian, que antecipa movimentos de preço para a Vale.
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