Comércio & Logística

Indústria brasileira de máquinas vai aos EUA contra tarifa de 25% — setor vê risco de favorecimento à China

· Clara Lin

A Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) inicia ofensiva diplomática nos EUA para tentar reverter ou reduzir a tarifa de 25% sobre o setor, alegando que a medida beneficia fornecedores chineses em detrimento da indústria nacional brasileira.

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos lançou uma ofensiva nos Estados Unidos para tentar barrar ou ao menos reduzir os efeitos da tarifa de 25% imposta pelo governo americano sobre o setor. A medida, anunciada em fevereiro de 2026, atinge diretamente exportadores brasileiros que competem com fornecedores chineses no mercado norte-americano. A Abimaq argumenta que a tarifa, em vez de proteger a indústria dos EUA, cria uma vantagem competitiva para a China, que já domina segmentos de baixo e médio valor agregado. A Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) confirmou que enviará uma delegação a Washington nas próximas semanas para se reunir com representantes do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) e do Departamento de Comércio. O objetivo é apresentar dados que mostram que a tarifa de 25% sobre máquinas e equipamentos brasileiros não atinge a China com a mesma intensidade — já que Pequim possui acordos comerciais e cadeias de suprimento integradas que diluem o impacto tarifário. Por que isso chega ao Brasil: O setor de máquinas e equipamentos é um dos pilares da pauta exportadora brasileira para os EUA, com embarques anuais superiores a US$ 3 bilhões. Empresas como WEG (Santa Catarina), Romi (São Paulo) e Jacto (São Paulo) estão entre as mais expostas. A tarifa de 25% pode reduzir a competitividade dessas empresas frente a concorrentes chineses como Sany e XCMG, que já têm presença consolidada nos EUA via subsidiárias e parcerias locais. A CAMEX (Câmara de Comércio Exterior) e o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) acompanham o caso, mas ainda não anunciaram contramedidas. A interpretação CBI: Os dados mostram que a participação da China no mercado americano de máquinas cresceu 12% nos últimos dois anos, enquanto a do Brasil recuou 4% no mesmo período. Na leitura do CBI, a tarifa americana pode acelerar essa tendência, já que a China tem capacidade de absorver custos adicionais via escala e subsídios estatais. O movimento da Abimaq é uma tentativa de reposicionar o Brasil como aliado comercial confiável dos EUA, em contraste com a China — mas o timing é delicado, com as eleições americanas no horizonte e o discurso protecionista em alta. O que acompanhar: (1) A agenda da delegação da Abimaq em Washington, prevista para março de 2026; (2) A resposta do USTR ao pleito brasileiro, que pode incluir redução seletiva da tarifa ou isenção para categorias específicas; (3) O movimento de empresas chinesas como Sany e XCMG para expandir capacidade nos EUA, o que pode neutralizar qualquer vantagem obtida pelo Brasil.

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