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IA pode levar a 'economia negra' se não for verde — alerta atinge setor mineral brasileiro

· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasMinério de ferro

Diretor do Instituto de Estratégias de IA da China alerta que o modelo atual de desenvolvimento de inteligência artificial consome energia e recursos minerais em níveis insustentáveis, com impacto direto sobre a cadeia de mineração brasileira, principal fornecedora de grafite, cobalto e lítio par...

Por que isso importa

Demanda por grafite e lítio pode crescer 5 vezes até 2050, pressionando cadeias de suprimento brasileiras. Empresas mineradoras de Minas Gerais e Bahia serão diretamente afetadas por novas exigências chinesas de certificação sustentável. A reunião bilateral Brasil-China sobre mineração crítica em outubro de 2025 em Brasília definirá critérios de rastreabilidade que podem encarecer exportações.

O que fazer

Consulte o portal da ANM para verificar requisitos de certificação ambiental e rastreabilidade de grafite e lítio; monitore no ComexStat os volumes exportados para a China nos últimos 3 meses; entre em contato com o IBRAM para alinhar posicionamento antes da reunião bilateral de outubro.

Janela de tempo

Reunião bilateral Brasil-China sobre mineração crítica ocorre em outubro de 2025 – restam 3 meses para preparar documentação e certificações.

O consumo de energia dos centros de dados em 2026 será o dobro do consumo total da França em 2022, e cada treinamento de um grande modelo de IA requer centenas de milhares de toneladas de água. O alerta foi feito por Gong Ke, diretor executivo do Instituto de Estratégias de Desenvolvimento de Inteligência Artificial da Nova Geração da China, durante o jantar do Caixin no Fórum de Verão de Davos de 2026. Para o Brasil, maior exportador de minérios críticos para a China, o sinal é claro: a demanda por grafite, cobalto e lítio pode crescer 5 vezes até 2050, mas o custo ambiental e regulatório dessa extração será cada vez mais questionado. Gong Ke citou dados do Relatório de Economia Digital de 2024 da UNCTAD para sustentar que, se a inteligência artificial continuar a ser desenvolvida no modelo atual, o mundo caminhará para uma 'economia cinzenta ou mesmo negra'. A afirmação foi feita em 23 de junho, durante o Fórum de Verão de Davos, em um painel intitulado 'Redefinindo Novas Fronteiras do Crescimento Empresarial'. O executivo destacou que, para cada quilo de notebook produzido, são necessários 800 quilos de matérias-primas, e que a demanda por minerais como grafite, cobalto e tambores (provavelmente referindo-se a terras raras ou minérios de bateria) aumentará cinco vezes até 2050, com o consumo total de minerais sendo 120 vezes maior que o atual. O impacto chega ao Brasil de forma direta. O país é um dos maiores fornecedores globais de grafite (com destaque para Minas Gerais e Bahia) e de lítio (com projetos em expansão no Vale do Jequitinhonha, MG). A China é o principal destino desses minérios, usados na fabricação de baterias e componentes eletrônicos. Se a China adotar uma política mais rigorosa de 'IA verde', isso pode significar maior pressão sobre a cadeia de suprimentos brasileira para certificar origem sustentável, reduzir pegada de carbono e atender a critérios de rastreabilidade. A ANM (Agência Nacional de Mineração) e o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) podem ser chamados a se posicionar. Os dados mostram que a previsão de 2024 da UNCTAD sobre investimentos em centros de dados já se concretizou, com a China liderando a expansão global. Na leitura do CBI, isso indica que o governo chinês está ciente do custo energético e mineral da IA e pode usar o discurso da 'economia verde' para renegociar contratos de fornecimento com parceiros como o Brasil, exigindo padrões ambientais mais altos. Comparado a eventos anteriores, como a pressão chinesa sobre a soja brasileira por questões de desmatamento, o movimento repete um padrão: Pequim usa critérios técnicos para ajustar relações comerciais. O que acompanhar: (1) a publicação de diretrizes do NDRC (planejamento econômico chinês) sobre eficiência energética em centros de dados, prevista para setembro de 2026; (2) a reunião bilateral Brasil-China sobre mineração crítica, agendada para outubro em Brasília; (3) a variação do preço do lítio na Bolsa de Metais de Londres, que pode refletir a demanda chinesa por baterias verdes.

Nota sobre a fonte

A fonte chinesa utiliza dados da UNCTAD para legitimar o discurso de 'IA verde', sinalizando que Pequim pode usar padrões ambientais como ferramenta de renegociação contratual, repetindo padrão visto na soja.

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