IA entra nos processos de negócios — empresas brasileiras precisam repensar estratégia de adoção tecnológica
· Clara Lin
Veículos elétricos e baterias
Professor Zeng Ming defende que a chave competitiva na era da IA não é a tecnologia em si, mas construir 'juros compostos inteligentes' integrando IA aos fluxos de trabalho. Para empresas brasileiras, o alerta é claro: quem não transformar processos até 2027 pode perder vantagem competitiva frent...
Por que isso importa
A tendência de IA nos negócios impacta diretamente empresas como Vale (minério de ferro) e JBS (carne bovina), que já testam IA em logística e produção. O relatório da CNI em setembro de 2026 trará dados oficiais sobre adoção no Brasil, período crítico para PMEs ajustarem sua estratégia de integração tecnológica.
O que fazer
Consulte o site da CNI (confederação Nacional da Indústria) para acompanhar o relatório de adoção de IA previsto para setembro de 2026; Verifique no BNDES linhas de crédito FINAME para financiamento de equipamentos com IA embarcada; Monitore as práticas de IA da Vale e JBS como referência setorial.
Janela de tempo
A janela de planejamento estratégico se estende até setembro de 2026, quando o relatório da CNI pode influenciar políticas de incentivo e concorrência setorial.
Na Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC) de 2026, em Xangai, o professor Zeng Ming, referência em estratégia digital, afirmou que a IA está redefinindo a lógica de crescimento empresarial. Segundo ele, o foco não deve ser apenas adotar ferramentas de IA, mas integrá-las aos processos centrais de negócio, criando um ciclo de aprendizado contínuo — os chamados 'juros compostos inteligentes'. Para empresários brasileiros que operam na cadeia Brasil-China, o recado é direto: a corrida não é mais por modelos maiores, mas por aplicações reais que gerem valor mensurável.
Em 17 de julho, a WAIC 2026 foi aberta em Xangai com o tema 'Companheiros Inteligentes, Criando o Futuro Juntos'. Pelo terceiro ano consecutivo, o 36Kr esteve presente com seu estúdio ao vivo, entrevistando especialistas sobre a aplicação prática da IA. O professor Zeng Ming, autor dos livros 'Negócios Inteligentes' e 'Inteligência', destacou que a indústria está migrando da competição por capacidade de modelos para a criação de valor em aplicações. 'A IA é uma mudança tecnológica fundamental, comparável à Revolução Industrial', afirmou.
Para o Brasil, essa mudança chega em um momento crítico. Empresas brasileiras dos setores de agronegócio, logística e manufatura — que dependem de insumos e tecnologia chineses — precisam avaliar se suas operações estão preparadas para integrar IA de forma sistêmica. Zeng Ming alerta que muitas companhias ainda não veem retorno claro sobre o investimento em IA, mas isso é natural em estágios iniciais. 'O que importa não é usar IA, mas fazer com que ela penetre nos negócios principais, aprendendo continuamente por meio de tarefas reais', explicou.
Na interpretação do CBI, o conceito de 'juros compostos inteligentes' é o ponto central: a IA precisa gerar feedback contínuo que se auto-reforce, criando um ciclo virtuoso de melhoria. Isso exige que as empresas brasileiras superem o estágio de projetos-piloto e permitam que a IA assuma responsabilidade por resultados. 'De mil pessoas, mil rostos, estamos indo para uma pessoa, mil rostos', disse Zeng, referindo-se à personalização dinâmica que a IA possibilita.
O que acompanhar: (1) a evolução das políticas chinesas de incentivo à IA aplicada, que podem influenciar fornecedores brasileiros; (2) o movimento de empresas brasileiras como Vale e JBS, que já testam IA em processos logísticos e de produção; (3) a publicação de novos dados sobre adoção de IA no Brasil, prevista para o relatório da CNI em setembro de 2026.
Nota sobre a fonte
A fonte chinesa 36Kr adota linguagem otimista sobre avanços da IA, mas o artigo inclui alerta do professor Zeng Ming sobre retorno incerto em estágios iniciais, equilibrando a narrativa.