Macro & Mercados

Huawei diversifica fornecedores de baterias na China — montadoras brasileiras podem sentir pressão de custos

· Clara Lin

A Harmony Smart Mobility, joint venture da Huawei, está rompendo o monopólio da CATL e contratando Gotion High-Tech e CALB como fornecedores de baterias para a marca AITO, com preços até 10% menores — movimento que pode impactar a competitividade de veículos elétricos chineses exportados ao Brasil.

A Harmony Smart Mobility, plataforma de veículos inteligentes da Huawei, está ampliando sua base de fornecedores de baterias de tração para reduzir custos e ganhar competitividade no mercado chinês de médio porte. Segundo fontes do setor ouvidas pelo 36Kr, a marca AITO — antes abastecida exclusivamente pela CATL — passará a contar com a Gotion High-Tech e a CALB como segundas fontes. O movimento ocorre em meio ao aumento dos preços de memória e carbonato de lítio, que pressionam toda a cadeia automotiva. Para o Brasil, maior destino de veículos chineses na América Latina, a mudança sinaliza possível redução de preços de importados elétricos e maior pressão sobre montadoras locais. Desde o início de 2025, a concorrência no mercado automotivo chinês se intensificou, e os custos da cadeia de suprimentos — especialmente memória e lítio — subiram significativamente. Nesse contexto, a Harmony Smart Mobility, que ocupa posição consolidada no segmento médio-alto, começou a diversificar seus fornecedores de baterias de tração. Segundo apuração do 36Kr com múltiplas fontes do setor, a marca AITO, que até então dependia exclusivamente da CATL, passará a contar com a CALB e a Gotion High-Tech como segundas fontes. O modelo AITO M6 já definiu o pacote de baterias de 81 kWh da Gotion High-Tech, que recebeu carta de intenção da Harmony ainda em 2024. A decisão representa uma ruptura com o acordo de cinco anos firmado em agosto de 2022 entre a Seres (controladora da AITO) e a CATL, que previa fornecimento exclusivo. Na época, a CATL instalou uma linha de produção dentro da fábrica da AITO em Chongqing — a primeira vez que adotou o modelo "fábrica dentro de fábrica". Agora, a Harmony busca reduzir custos para atingir a meta de entregar 1 milhão de veículos em 2026, especialmente no segmento médio-baixo, onde modelos como o AITO M6 e o Shangjie Z7 precisam ganhar participação. Para o Brasil, o impacto é direto: veículos elétricos chineses representaram mais de 40% das importações brasileiras de automóveis em 2024, e a redução de custos na cadeia de baterias pode se traduzir em preços mais agressivos no mercado brasileiro. Montadoras locais como BYD (que já produz em Camaçari), GWM e montadoras tradicionais brasileiras que importam da China sentirão a pressão. Além disso, a Gotion High-Tech — que já fornece para a BYD no Brasil — pode ampliar sua presença no mercado brasileiro de baterias. Na leitura do CBI, a diversificação de fornecedores da Harmony não é apenas uma estratégia de redução de custos, mas também um movimento para reduzir a dependência da CATL, que domina mais de 40% do mercado chinês de baterias. A Huawei, por sua vez, está padronizando suas baterias sob a marca "Bateria Baleia Gigante", com exigências de qualidade superiores às da indústria. Os fornecedores precisam passar por auditorias rigorosas antes de serem aprovados. O que acompanhar: (1) a publicação dos novos modelos no anúncio do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação chinês, que confirmará os fornecedores; (2) a reação da CATL, que pode retaliar com redução de preços ou ofertas exclusivas; (3) o impacto nos preços de veículos elétricos chineses exportados ao Brasil nos próximos 6 meses.

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