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Hong Kong vira vitrine para elétricos chineses de volante à direita — montadoras brasileiras perdem janela de aprendizado

· Clara Lin
Veículos elétricos e baterias

Com 70% dos carros novos em Hong Kong sendo elétricos, montadoras chinesas como BYD e GAC usam o território como teste para expansão global em mercados de volante à direita, sinalizando maior pressão competitiva sobre o setor automotivo brasileiro, que ainda não desenvolveu produção local de elét...

Por que isso importa

A estratégia chinesa de usar Hong Kong como vitrine para veículos elétricos de volante à direita, com 70% de penetração em 2025, impacta diretamente o setor de veículos elétricos e baterias no Brasil. Montadoras como BYD, que já lidera vendas de elétricos no país, podem ganhar escala e reduzir custos, pressionando a competitividade da produção local brasileira e a definição de alíquota de importação (atualmente 35%) pela CAMEX.

O que fazer

Monitore na CAMEX possíveis alterações na alíquota de importação de veículos elétricos (35%), com impacto direto no custo de importação; consulte o BNDES para linhas de financiamento à produção local de EVs e baterias; utilize o ComexStat para acompanhar as exportações chinesas de elétricos para mercados de volante à direita (Reino Unido, Austrália) nos próximos trimestres.

Janela de tempo

A janela para definir a política industrial brasileira de veículos elétricos é estreita: a CAMEX pode revisar a alíquota de 35% ainda em 2025, enquanto as montadoras chinesas consolidam vantagens de escala com a estratégia de Hong Kong.

Hong Kong tornou-se um campo de provas estratégico para as montadoras chinesas que miram os mercados de volante à direita — Reino Unido, Japão, Austrália, Índia e África do Sul. Na abertura do Hong Kong Motor Show em 18 de junho, a Leapmotor, a BYD, a GAC, a Geely, a FAW Hongqi e a Dongfeng lançaram novos modelos adaptados ao volante à direita. O dado central: em 2025, mais de 70% dos veículos de passeio novos vendidos em Hong Kong já são de novas energias. Para o Brasil, que importa veículos chineses e discute uma política industrial para elétricos, o movimento sinaliza que a China está acelerando a padronização de produtos para mercados que o Brasil também poderia abastecer — mas ainda não tem escala nem tecnologia. O mercado automotivo chinês enfrenta queda nas vendas domésticas, e as montadoras estão acelerando a expansão internacional. O segmento de volante à direita — que atende países como Reino Unido, Japão, Austrália, Índia, África do Sul e vários mercados do Sudeste Asiático — tornou-se uma das prioridades. Hong Kong, por adotar as mesmas regras de certificação desses mercados, funciona como um laboratório de validação. Na edição de 2026 do Hong Kong Motor Show, realizada em 18 de junho no AsiaWorld-Expo, a Leapmotor, a BYD, a GAC Group, a Geely Auto, a FAW Hongqi e a Dongfeng Motor lançaram novos modelos de volante à direita. Xu Jun, vice-presidente sênior e diretor de operações da Leapmotor, afirmou que o sucesso em Hong Kong ajuda na expansão global. O impacto para o Brasil é indireto, mas relevante. O Brasil é um dos maiores mercados automotivos do mundo e adota o volante à esquerda, mas a cadeia de suprimentos de veículos elétricos é global. Montadoras chinesas que dominarem a produção de volante à direita ganharão escala e redução de custos que podem ser aplicados também em versões para volante à esquerda. Além disso, o Brasil importa veículos chineses — a BYD já é a marca que mais vende elétricos no país — e qualquer avanço tecnológico chinês em adaptação de plataformas pode acelerar a chegada de novos modelos ao mercado brasileiro. Por outro lado, se o Brasil não desenvolver capacidade própria de produção de elétricos, corre o risco de se tornar apenas um mercado consumidor, sem participar da cadeia de valor. Os dados mostram que Hong Kong atingiu 70% de penetração de veículos de novas energias em 2025, um índice superior ao de qualquer país europeu. Na leitura do CBI, isso indica que a China está usando Hong Kong como vitrine regulatória e comercial para conquistar a confiança de consumidores e governos de mercados de volante à direita. O movimento é estratégico: ao validar produtos em Hong Kong, as montadoras reduzem riscos de entrada em mercados maiores como Reino Unido e Japão. Para o Brasil, o sinal é de que a competição global por elétricos se intensifica, e o país precisa definir sua política industrial para o setor antes que as montadoras chinesas consolidem vantagens de escala que tornarão a produção local brasileira menos competitiva. O que acompanhar: (1) a evolução das exportações chinesas de veículos elétricos para o Reino Unido e Austrália nos próximos trimestres, que indicarão o sucesso da estratégia de Hong Kong; (2) a definição da alíquota de importação de veículos elétricos no Brasil, atualmente em 35%, que pode ser alterada pela Camex; (3) os anúncios de investimento da BYD e da Great Wall Motors no Brasil, que podem incluir planos de exportação para mercados de volante à direita na América do Sul e África.

Nota sobre a fonte

Fonte chinesa (Caixin) enfatiza o avanço estratégico das montadoras chinesas, sem destacar riscos regulatórios ou de dependência para o Brasil.

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