Gigantes de armazenamento sob suspeita de cartel — importadores brasileiros de eletrônicos podem enfrentar alta de preços
· Clara Lin
Eletrônicos e máquinasVeículos elétricos e bateriasInfraestrutura e construção
Três grandes fabricantes de memória DRAM (SK Hynix, Samsung, Micron) são alvo de ação coletiva por suspeita de manipulação de preços; Coreia do Sul anuncia maior pacote de investimento industrial da história, de 5178,7 trilhões de won; Haluo Xingdong responde a cobrança de 30 yuans por 79 minutos...
Por que isso importa
A suspeita de cartel entre SK Hynix, Samsung e Micron (90% do mercado global de DRAM) ameaça elevar ainda mais os preços de memória, que já subiram 200% entre 2016-2018. Como importador líquido de circuitos integrados (US$ 5 bilhões em 2024, SECEX), o Brasil sofre impacto direto em montadoras de eletrônicos da Zona Franca de Manaus e no custo de equipamentos de TI.
O que fazer
Consulte o portal ComexStat para monitorar volumes e valores de importação de DRAM (NCM 854232); Avalie com a CAMEX a possibilidade de redução tarifária emergencial para componentes eletrônicos; Negocie contratos de fornecimento com cláusulas de revisão atreladas a índices spot de DRAM DDR4/DDR5.
Janela de tempo
Preços spot de DRAM já estão em ciclo de alta desde meados de 2024, e o processo judicial pode acelerar novas majorações nos próximos 60-90 dias, período das primeiras audiências.
Três gigantes globais de armazenamento — SK Hynix, Samsung e Micron — enfrentam uma ação coletiva por suspeita de manipulação concertada de preços de memória DRAM entre 2016 e 2018. O caso, movido nos Estados Unidos, alega que as empresas coordenaram artificialmente a oferta para elevar preços, afetando toda a cadeia de eletrônicos. Para o Brasil, que importa a quase totalidade dos chips de memória usados em smartphones, computadores e servidores, o desfecho pode significar pressão adicional sobre custos num momento em que o dólar já comprime margens.
O processo coletivo, protocolado em tribunal distrital dos EUA, aponta que SK Hynix, Samsung e Micron — que juntas controlam mais de 90% do mercado global de DRAM — teriam reduzido artificialmente a produção entre 2016 e 2018 para manter preços elevados. A DRAM é o tipo de memória usado em servidores, PCs e dispositivos móveis. Durante o período, os preços da DRAM subiram mais de 200%, segundo dados do setor. As empresas negam as acusações. Paralelamente, a Coreia do Sul anunciou o maior plano de investimento industrial de sua história: 5178,7 trilhões de won (aproximadamente USD 3,9 trilhões), com foco em semicondutores, baterias e biotecnologia. O pacote inclui incentivos fiscais e crédito subsidiado para fortalecer a cadeia de chips, especialmente memória e lógica avançada. O governo sul-coreano quer que o país responda por 10% das vendas globais de semicondutores até 2030. Para o Brasil, o impacto é indireto, mas relevante. Como importador líquido de eletrônicos e componentes — o país comprou cerca de USD 5 bilhões em circuitos integrados em 2024, segundo a SECEX —, qualquer variação no preço global de memória afeta diretamente o custo de produção de montadoras de eletrônicos na Zona Franca de Manaus e o preço final de equipamentos de TI para empresas brasileiras. A ação coletiva nos EUA, se bem-sucedida, pode abrir caminho para indenizações e revisão de contratos de fornecimento. Na leitura do CBI, o timing é delicado: o mercado de DRAM já vive um ciclo de alta desde meados de 2024, impulsionado pela demanda por servidores de IA. A suspeita de cartel adiciona um risco regulatório que pode acelerar a busca por fontes alternativas, como a chinesa CXMT (ChangXin Memory Technologies), que ainda tem capacidade limitada. O que acompanhar: (1) a evolução do processo nos EUA, com possíveis audiências em 60-90 dias; (2) os preços spot de DRAM DDR4 e DDR5, que servem como termômetro do mercado; (3) eventuais medidas da CAMEX para reduzir tarifas de importação de componentes eletrônicos, caso os preços subam.
Nota sobre a fonte
A fonte 36氪 (chinesa) é factual e neutra, mas menciona a chinesa CXMT como alternativa limitada, sem viés geopolítico explícito.
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