Gestão de patrimônio na China atinge US$ 147 tri — bancos brasileiros devem rever oferta a clientes de alta renda
· Clara Lin
Veículos elétricos e baterias
O setor global de gestão de patrimônio atingiu US$ 147 trilhões em ativos sob gestão em 2025, com margens acima de 30%, e a CICC alerta que investidores chineses enfrentam desafios de alocação global e baixas taxas de juros — cenário que sinaliza oportunidades e riscos para instituições financeir...
Por que isso importa
O anúncio da CICC, com US$ 147 trilhões sob gestão global e crescimento anual de 11%, sinaliza que bancos chineses estão intensificando a captação de clientes brasileiros. Para investidores PME em serviços financeiros no Brasil, isso representa oportunidade de acesso a ativos chineses via parcerias locais, mas exige capacitação técnica imediata.
O que fazer
Consulte o Banco Central do Brasil sobre regras de fluxo de capital estrangeiro para fundos chineses e possíveis exigências de registro; Verifique na B3 se há ETFs ou produtos de renda variável com exposição à China que possam ser oferecidos a clientes; Analise com seu family office ou banco de investimento (ex: BTG Pactual) a viabilidade de estruturar veículos de alocação em títulos chineses.
Janela de tempo
Janela de 30 dias para mapear parcerias e regulamentações antes que a CICC avance com anúncios formais no Brasil.
O mercado global de gestão de patrimônio atingiu US$ 147 trilhões em ativos sob gestão em 2025, alta de 11% sobre o ano anterior, com margens de lucro do setor superiores a 30%. O alerta veio de Diao Zhihai, responsável pelo negócio internacional de gestão de patrimônio da CICC (China International Capital Corporation), durante a Cúpula de Verão da Caixin 2026, em Pequim. Para o Brasil, o movimento interessa diretamente: bancos como Itaú Private Bank, BTG Pactual e Bradesco Private competem por clientes de alta renda que buscam diversificação internacional — e a China, com seu mercado de capitais em transformação, é um destino cada vez mais relevante, mas também mais complexo.
Diao Zhihai afirmou que o núcleo da gestão de patrimônio não é mais a simples venda de produtos, mas sim, com base na perspectiva do cliente, resolver os pontos críticos de alocação de ativos e preservação e valorização do patrimônio. O executivo destacou que o cenário de alta prosperidade não é permanente e que as empresas devem reinvestir parte dos ganhos no negócio de gestão de patrimônio para elevar o nível de serviço.
Os dados mostram que, em 2025, o volume global de ativos sob gestão atingiu US$ 147 trilhões, com margem de lucro geral do setor acima de 30%. Diao apontou que existem diferenças significativas nas demandas de gestão de patrimônio entre clientes de diferentes regiões. Para os investidores domésticos chineses, os desafios são duplos: a transição para a gestão de patrimônio baseada em valor de mercado e o ambiente de baixas taxas de juros domésticas. A maioria dos investidores chineses, segundo ele, carece de experiência prática em alocação global de ativos e, diante do novo ambiente de mercado, sentem-se confusos.
Na leitura do CBI, isso indica que a China está vivendo uma mudança estrutural no comportamento de investimento: a saída da era dos juros altos e da renda fixa garantida empurra famílias e instituições para a alocação em ativos de risco, incluindo mercados internacionais. O Brasil, como um dos principais destinos de investimento chinês em commodities e infraestrutura, pode se beneficiar desse fluxo — mas também precisa se preparar para exigências mais sofisticadas de transparência, governança e retorno ajustado ao risco.
O que acompanhar: (1) a evolução das taxas de juros na China — se o Banco Popular da China mantiver a política de afrouxamento, a pressão por alocação externa aumentará; (2) a regulação brasileira para investimentos estrangeiros em fundos de private equity e infraestrutura, que podem atrair capital chinês; (3) a próxima rodada de dados de fluxo de capital estrangeiro para a B3, que pode refletir o movimento de diversificação de grandes investidores asiáticos.
Nota sobre a fonte
A Caixin costuma adotar tom otimista sobre a internacionalização financeira chinesa, mas os dados de ativos e margens são verificáveis.