Fabricante chinesa de dissipação térmica projeta alta de até 56% no lucro — fornecedores brasileiros de TI e data centers devem monitorar
· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasInfraestrutura e construção
A Feirongda, fabricante chinesa de soluções de dissipação de calor para servidores de IA e veículos elétricos, anunciou previsão de lucro líquido entre 240 e 260 milhões de yuans no 1º semestre de 2026, alta de 44,5% a 56,5% ante 2025, impulsionada pela demanda por refrigeração líquida em data ce...
Por que isso importa
A projeção de alta de até 56% no lucro da Feirongda, impulsionada por demanda de servidores de IA, sinaliza aumento de preços e possível escassez de componentes de dissipação térmica para data centers brasileiros, que dependem de importações chinesas. O setor de eletrônicos e máquinas no Brasil deve se preparar para impactos nos custos de aquisição de sistemas de refrigeração.
O que fazer
Consulte o ComexStat para monitorar as importações brasileiras de dissipadores e sistemas de refrigeração (NCM 8473.30 e 8419.90) nos últimos 12 meses; Entre em contato com a ABRADAT (Associação Brasileira de Data Centers) para discutir estratégias de diversificação de fornecedores e prazos de entrega; Avalie junto ao seu despachante aduaneiro possíveis ajustes de classificação fiscal para novos produtos de refrigeração líquida.
Janela de tempo
Os efeitos nos preços de componentes de dissipação térmica devem começar a ser percebidos nos próximos 30 a 60 dias, à medida que novos pedidos de hyperscalers são confirmados.
A Feirongda, empresa chinesa listada em Shenzhen especializada em soluções térmicas, divulgou nesta semana projeção de lucro líquido entre 240 milhões e 260 milhões de yuans (cerca de USD 33 a 36 milhões) para o primeiro semestre de 2026, crescimento de 44,5% a 56,5% em relação ao mesmo período de 2025. O salto é atribuído ao avanço da demanda por dissipação de calor em servidores de inteligência artificial, ao crescimento estável nos segmentos de eletrônicos de consumo e veículos de novas energias, e aos primeiros resultados no negócio de refrigeração líquida para armazenamento de energia. Para o empresário brasileiro que opera com importação de componentes eletrônicos, montagem de servidores ou data centers, o anúncio sinaliza aceleração na oferta de tecnologia de resfriamento de alto valor agregado vinda da China — e possível pressão sobre prazos e preços.
A Feirongda (sz: 300602) informou que o lucro líquido atribuível aos acionistas da companhia no primeiro semestre de 2026 deve ficar entre 240 milhões e 260 milhões de yuans, ante 166 milhões de yuans no mesmo período de 2025. O crescimento é puxado por três frentes: eletrônicos de consumo, comunicações e veículos de novas energias — setores onde a empresa já tem presença consolidada. Mas o motor principal, segundo o comunicado, é a demanda por dissipação de calor em servidores de IA, que cresce rapidamente e já gera aumento tanto na comparação anual quanto trimestral da receita operacional desse segmento.
O impacto chega ao Brasil por dois canais principais. Primeiro, como importador de componentes eletrônicos e sistemas de refrigeração para data centers — o país abriga um dos maiores mercados de TI da América Latina, com expansão de capacidade de processamento impulsionada por IA e nuvem. Empresas brasileiras que montam servidores ou operam centros de dados dependem de fornecedores chineses de dissipadores, ventoinhas e sistemas de refrigeração líquida. Segundo, como potencial destino de investimento: a Feirongda afirma que seus produtos incluem materiais TIM (interface térmica), dissipadores 3D VC, placas frias monofásicas e bifásicas, controladores de fluxo, CDUs, conectores rápidos e gabinetes completos de refrigeração líquida — itens que já estão em entrega em lote, com novos projetos de alto valor agregado em fase de prototipagem.
Os dados mostram que a empresa está capitalizando a corrida global por infraestrutura de IA, que exige sistemas de resfriamento mais eficientes que os tradicionais. Na leitura do CBI, isso indica que a cadeia de suprimentos de data centers está se verticalizando rapidamente na China, com fornecedores como a Feirongda ganhando escala e poder de barganha. Para o Brasil, que importa a maior parte desses componentes, o risco é duplo: aumento de preços em médio prazo e dependência tecnológica crescente. Por outro lado, a abertura de novas linhas de produtos pode ampliar a oferta de soluções mais baratas e eficientes para o mercado local.
O que acompanhar: (1) a evolução dos pedidos da Feirongda com clientes importantes — se houver anúncio de contratos com hyperscalers (Google, Microsoft, Amazon) ou fabricantes chineses de servidores, o efeito sobre preços globais será imediato; (2) a data de publicação do relatório completo do primeiro semestre de 2026, prevista para agosto, que trará detalhes sobre margens e exposição a clientes; (3) movimentos de concorrentes brasileiros ou multinacionais com operação no Brasil que possam anunciar parcerias ou substituição de fornecedores.
Nota sobre a fonte
A Yicai (primeira fonte financeira da China) frequentemente destaca resultados positivos de empresas chinesas, mas o comunicado oficial da Feirongda fundamenta a projeção.