Macro & Mercados

Exportações do Brasil para a China disparam 19,3% em junho — soja e petróleo puxam alta recorde

· Clara Lin
Soja e oleaginosasInfraestrutura e construçãoPetróleo e gás

Em junho de 2026, as exportações brasileiras para a China somaram US$ 12,29 bilhões, alta de 19,3% sobre maio, impulsionadas por soja, petróleo e minério de ferro. Importações chinesas também cresceram 14,8%, para US$ 7,80 bilhões. O superávit bilateral de US$ 4,49 bilhões reforça a dependência b...

O comércio Brasil-China atingiu novo pico em junho de 2026, com embarques brasileiros totalizando US$ 12,29 bilhões — maior valor mensal registrado na série histórica do Comexstat. O salto de 19,3% em relação a maio foi puxado por soja (US$ 4,45 bilhões), petróleo bruto (US$ 3,10 bilhões) e minério de ferro (US$ 2,34 bilhões). Para o empresário brasileiro que depende da demanda chinesa, o dado confirma que Pequim continua absorvendo commodities em ritmo acelerado, mesmo com a economia chinesa crescendo abaixo de 5% ao ano. Os números divulgados pelo Comexstat nesta sexta-feira mostram que a pauta exportadora brasileira para a China segue concentrada em produtos básicos. Soja e oleaginosas lideraram com US$ 4,45 bilhões, seguidas por combustíveis minerais (US$ 3,10 bilhões) e minérios (US$ 2,34 bilhões). Carne bovina contribuiu com US$ 1,24 bilhão e celulose com US$ 420 milhões. Do lado das importações, o Brasil comprou US$ 7,80 bilhões em produtos chineses, alta de 14,8% sobre maio, indicando que máquinas, eletrônicos e insumos industriais chineses continuam ganhando espaço no mercado brasileiro. Para o exportador brasileiro, o dado é positivo mas carrega riscos. O superávit de US$ 4,49 bilhões no mês reforça a assimetria da relação: o Brasil vende commodities e compra manufaturados. Com a Selic em 14,25% e o IPCA acumulado em 5,33% na mediana do mercado, o custo de carregamento de estoques de soja e minério é alto. Qualquer desaceleração chinesa — seja por política de contenção de preços ou por redução de estímulos — pode comprimir as margens dos produtores brasileiros. Na leitura do CBI, o dado de junho confirma que a demanda chinesa por proteína animal e energia continua firme, mas o crescimento das importações brasileiras de produtos chineses merece atenção. Se mantido o ritmo, o déficit na balança de manufaturados pode pressionar setores como o de máquinas e equipamentos nacionais. A taxa de câmbio atual (R$ 5,17/US$) favorece exportações, mas encarece insumos importados. O que acompanhar nos próximos dias: (1) a reunião do Copom em agosto, que pode sinalizar novo aperto monetário; (2) os dados de atividade industrial chinesa de julho, que indicarão se a demanda por minério e petróleo se mantém; (3) o comportamento dos prêmios portuários da soja no porto de Santos, que refletem a pressão logística do escoamento da safra.

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