Ex-equipe da Siemens e Rolls-Royce funda startup de propulsão elétrica aeronáutica — eVTOL brasileiros podem ganhar fornecedor nacional
· Clara Lin
Veículos elétricos e baterias
A Capstone Power, startup chinesa fundada por ex-engenheiros da Siemens e Rolls-Royce, captou dezenas de milhões de yuans para desenvolver sistemas de propulsão elétrica para eVTOL e aviação regional — tecnologia que pode abastecer futuras montadoras brasileiras de carros voadores e reduzir depen...
Por que isso importa
A Capstone Power, startup chinesa de propulsão elétrica aeronáutica, pode se tornar fornecedora da Eve Air Mobility (Embraer) para produção de eVTOL no Brasil a partir de 2026. O sistema de propulsão representa 30-40% do custo total da aeronave, e a entrada de um fornecedor chinês pode reduzir significativamente os custos de produção, mas dependerá da certificação ANAC conforme os padrões DO-178C e DO-254.
O que fazer
Entre em contato com a ANAC para verificar os requisitos de certificação de sistemas de propulsão estrangeiros e o cronograma para eVTOL; Avalie com a Eve Air Mobility a possibilidade de incluir a Capstone Power em sua cadeia de fornecedores, monitorando os protótipos previstos para 2024 e Q1 2025; Consulte o BNDES sobre linhas de financiamento para a cadeia de mobilidade aérea urbana no Brasil.
Janela de tempo
A Capstone Power lançará seu primeiro protótipo de verificação técnica ainda em 2024 e o protótipo voador no primeiro trimestre de 2025; a Eve Air Mobility definirá fornecedores até 2026, então os próximos meses são críticos para posicionamento.
A Capstone Power Aviation Technology, startup chinesa de sistemas de propulsão elétrica aeronáutica, fechou rodadas Seed e Angel totalizando dezenas de milhões de yuans, lideradas pela Zero One Capital e seguidas pela Xinding Capital. O sistema de propulsão elétrica representa 30-40% do custo total de uma aeronave elétrica e exige certificações rigorosas de aeronavegabilidade (DO-178C e DO-254). Para o Brasil, onde empresas como a Eve Air Mobility (subsidiária da Embraer) e a brasileira de eVTOL estão em fase de desenvolvimento, o surgimento de um fornecedor chinês com pedigree técnico internacional pode acelerar a nacionalização de componentes críticos e reduzir custos de importação.
A Capstone Power foi fundada por Zhang Yinyin, ex-diretor da divisão de asa fixa elétrica da Rolls-Royce, e cofundadores que foram engenheiros-chefes das divisões UAM e RAM da mesma empresa. A equipe também inclui ex-líderes da Siemens divisão de aviação elétrica e da COMAC (fabricante estatal chinesa de aeronaves). Juntos, participaram do desenvolvimento de mais de 20 plataformas de voo elétrico, acumulando mais de 1.500 voos de teste e colaborando com a Airbus. A potência dos protótipos cobre de 30kW a 2MW, abrangendo tanto aeronaves elétricas de asa fixa para Mobilidade Aérea Regional (RAM) quanto eVTOL para Mobilidade Aérea Urbana (UAM). Atualmente, a empresa foca no segmento UAM, com previsão de lançar o primeiro protótipo de verificação técnica (versão 1.0) ainda este ano, seguido de um protótipo com capacidade de voo (1.5 geração) no primeiro trimestre de 2025. O primeiro teste de voo em conjunto com um fabricante está agendado para o terceiro trimestre de 2025. Em termos de comercialização, a Capstone Power já visitou mais de dez fabricantes nacionais de eVTOL na China e firmou acordos de cooperação estratégica com fabricantes estrangeiros na direção de asa fixa elétrica. O custo do sistema de propulsão elétrica, que representa 30-40% do custo total da aeronave, é um dos principais gargalos para a viabilidade comercial dos eVTOL. Atualmente, a taxa de nacionalização de produtos de médio a alto padrão na China ainda é baixa, com lacunas em design leve, confiabilidade e experiência em aeronavegabilidade em relação ao nível internacional. A Capstone Power busca preencher essa lacuna com uma equipe que tem média de mais de 10 anos de experiência na indústria da aviação e participou da criação de recordes mundiais de voo elétrico. Para o Brasil, o impacto é indireto, mas relevante. A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, já anunciou planos de produzir eVTOL no Brasil a partir de 2026, com fornecedores ainda em definição. A entrada de um player chinês com capacidade técnica comprovada pode oferecer uma alternativa a fornecedores tradicionais europeus e norte-americanos, potencialmente reduzindo custos e prazos de entrega. Além disso, a Capstone Power já demonstrou disposição para cooperar com fabricantes estrangeiros, o que abre a porta para parcerias com empresas brasileiras. No entanto, a certificação de aeronavegabilidade no Brasil (ANAC) segue regras próprias, e a compatibilidade com os padrões DO-178C e DO-254 será um fator crítico para qualquer fornecedor estrangeiro. O CBI avalia que, embora a Capstone Power ainda esteja em fase de P&D, seu pedigree técnico e o timing de entrada no mercado — quando a indústria eVTOL global está migrando da fase de conceito para a fase de engenharia — a posicionam como um fornecedor a ser monitorado de perto por montadoras brasileiras e pelo BNDES, que já sinalizou interesse em financiar a cadeia de mobilidade aérea urbana no país.
Nota sobre a fonte
Fonte chinesa 36氪 tende a destacar capacidades técnicas e potencial de nacionalização, podendo superestimar a prontidão comercial da startup.
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