Macro & MercadosMonitorar

Ex-engenheiros do Beidou criam data center espacial — setor de IA brasileiro pode ter nova rota de computação orbital

· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasEnergia solar e renováveis

A startup chinesa Origin Star, fundada por veteranos do sistema de navegação Beidou-3, levantou dezenas de milhões de yuans para construir satélites de computação com GPU no espaço. A tecnologia pode, no futuro, oferecer capacidade de processamento de IA para empresas brasileiras sem depender de ...

Por que isso importa

A Origin Star, startup chinesa de data center espacial com ex-engenheiros do Beidou, prevê lançar o satélite 'Xuanji 1' em 2026. Para empresas brasileiras de tecnologia e plataformas, a computação orbital pode reduzir a dependência de data centers no Sudeste e cabos submarinos, afetando custos de conectividade e latência. A ANATEL e o MCTI são entidades-chave para monitorar eventuais parcerias ou regulações.

O que fazer

Acompanhe no site da ANATEL consultas públicas ou homologações relacionadas a capacidade computacional orbital; Consulte o MCTI sobre políticas de incentivo à computação espacial para empresas brasileiras; Analise com seu fornecedor de cloud se contratos atuais preveem alternativas de baixa latência que possam ser impactadas por ofertas orbitais chinesas.

Janela de tempo

A oportunidade é de médio prazo (lançamento em 2026), mas o monitoramento deve começar agora para influenciar decisões de investimento em infraestrutura de TI e conectividade ainda neste ano.

Uma equipe de engenheiros que ajudou a construir metade dos satélites do sistema de navegação Beidou-3 acaba de fundar a Origin Star Technology, startup que pretende colocar placas GPU de data center em órbita baixa. A empresa concluiu duas rodadas de financiamento — semente e anjo — somando dezenas de milhões de yuans, com investidores como Ninehe Venture Capital, Plum Ventures e o fundo estatal Cechuang de Xangai. Para o empresário brasileiro que acompanha inovação em IA, o movimento sinaliza que a computação espacial deixou de ser ficção científica e começa a atrair capital institucional chinês de peso. A Origin Star foi fundada em 2025 e tem como núcleo técnico ex-integrantes do programa Beidou-3 da Academia Chinesa de Ciências (CAS) e da Universidade de Tecnologia de Harbin (HIT). O fundador, Sun Xiaolei, acumula 15 anos de experiência em engenharia espacial e liderou o desenvolvimento de mais de 10 satélites de órbita média e alta do Beidou-3, além de mais de 30 satélites de internet de órbita baixa. O produto principal da startup, o satélite 'Xuanji 1', pesa 500 kg, opera em órbita baixa com potência de 7 a 10 kW e pode carregar de 9 a 16 cargas de computação. O design preliminar já foi concluído. O impacto chega ao Brasil por um canal indireto, mas estratégico: a computação espacial pode, em médio prazo, oferecer uma alternativa à dependência brasileira de cabos submarinos e data centers concentrados no Sudeste. Empresas brasileiras de IA, processamento de dados e agronegócio digital — que hoje enfrentam latência e custos de conectividade — poderiam, no futuro, acessar capacidade computacional diretamente do espaço. A Starlink, de Elon Musk, já validou o modelo de negócios com receita de US$ 11,3 bilhões em 2025 e margem de 60%. Musk declarou que, em 36 meses, o local mais barato para rodar IA será o espaço. Na leitura do CBI, o movimento chinês não é apenas técnico, mas geopolítico. Enquanto os EUA avançam com a Starlink e a computação orbital, a China aposta em constelações próprias para não depender de infraestrutura estrangeira. Os dados mostram que a Origin Star já superou desafios em cargas de computação de alto desempenho e painéis solares flexíveis de baixo custo. A avaliação do CBI é que, para o Brasil, o risco não é imediato, mas o país precisa monitorar se a computação espacial chinesa será aberta a clientes estrangeiros ou se ficará restrita ao ecossistema da Grande Muralha Digital. O que acompanhar: (1) a data de lançamento do primeiro satélite 'Xuanji 1', prevista para 2026; (2) eventuais anúncios de parcerias com operadoras de telecom brasileiras ou empresas de cloud computing; (3) a reação da ANATEL e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação a novas ofertas de capacidade computacional orbital.

Nota sobre a fonte

A fonte chinesa 36氪 tende a destacar inovações nacionais com viés otimista, sem aprofundar riscos de dependência tecnológica ou barreiras de acesso para clientes estrangeiros.

Receba o briefing diário

3-5 destaques por dia, direto no e-mail. Gratuito.