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Ex-criador de games leva frota de caminhões autônomos à Bolsa de Hong Kong — mineração brasileira pode ser o próximo cliente

· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasMinério de ferro

A EACON, startup chinesa de direção autônoma para minas, abre capital em Hong Kong com valuation de até HK$ 13 bilhões, após crescer receita 5x em dois anos. O modelo de frota autônoma pode interessar mineradoras brasileiras que buscam reduzir custos e riscos operacionais.

Por que isso importa

A EACON, que transportou 308 milhões m³ de minério em 2025 e opera 1.617 caminhões autônomos, busca expandir internacionalmente após abrir capital em Hong Kong. Mineradoras brasileiras como Vale, CSN e Usiminas são potenciais clientes para automação de frotas, o que pode reduzir acidentes e custos operacionais. O setor de minério de ferro representa cerca de 2% do PIB brasileiro — qualquer inovação que comprima custos na China (maior compradora) pressiona as margens das exportadoras locais.

O que fazer

Acompanhe na B3 as ações da Vale e de outras mineradoras para avaliar impactos de automação sobre custos e competitividade; Consulte o BNDES sobre linhas de financiamento (FINAME) para modernização de frotas de caminhões no setor mineral; Verifique no ComexStat os volumes e valores de exportação de minério de ferro para a China nos últimos 12 meses.

Janela de tempo

A EACON começou a ser negociada em Hong Kong, captando recursos para expansão internacional — negociações com mineradoras brasileiras podem ocorrer nos próximos meses, mas ainda não há contratos firmados.

No dia 8 de julho, a EACON será listada na Bolsa de Valores de Hong Kong sob a categoria 18C de tecnologia especial, com valuation de até HK$ 13 bilhões. A empresa opera 2.580 caminhões de mineração autônomos — a maior frota do mundo — e teve receita de 1,435 bilhão de yuans (cerca de US$ 200 milhões) em 2025, crescimento de 130% ao ano desde 2023. O fundador, Lan Shuihui, já havia faturado 1,5 bilhão de yuans ao vender uma empresa de jogos em 2017. Agora, aposta tudo em minas inteligentes — um mercado que pode chegar às operações brasileiras de ferro, cobre e níquel. A EACON nasceu em 2018, quando Lan Shuihui, então com 36 anos, decidiu trocar o mundo dos games pelo das minas. Não era um movimento óbvio: sua primeira empresa, a Guangzhou Yihuan Network, foi vendida por mais de 1,7 bilhão de yuans para a Baotong Technology, e ele embolsou cerca de 1,5 bilhão de yuans. Poderia ter parado. Em vez disso, fundou a EACON e mergulhou na direção autônoma para caminhões de mineração — um ambiente hostil de poeira, rampas, explosões e frio extremo. Oito anos depois, a empresa chega à HKEX com dois modelos de negócio. O primeiro, chamado Zhushan, é o carro-chefe: caminhões autônomos que transportam minério em circuitos fechados. A EACON opera de duas formas: no modelo de frota própria (ativo pesado), compra os caminhões e cobra por volume transportado — margem bruta de apenas 1,5% em 2025. No modelo de frota do cliente (ativo leve), vende o sistema de software e suporte — margem de 16%. A transição para o modelo leve está em curso: em 2023, 41,7% da receita vinha do ativo leve; em 2025, já eram 56,8%. Ainda assim, 42,7% da receita depende do modelo pesado, que queima caixa. O segundo negócio, Muye, oferece soluções de digitalização para minas, mas contribuiu com apenas 698 mil yuans em 2025 — irrelevante. Tudo está em Zhushan. E os números operacionais impressionam: a distância anual transportada saltou de 4,6 milhões de km em 2023 para 61,8 milhões em 2025; o volume de material, de 30,6 milhões de m³ para 308 milhões. A frota ativa mensal média passou de 159 caminhões para 1.617 no mesmo período. O prospecto destaca um diferencial técnico: um motor proprietário treinado em mais de 100 cenários reais de minas, que reduz o tempo de implantação em novas minas de três meses para três dias. Quanto maior a frota, mais dados, mais rápida a adaptação. É um ciclo virtuoso — mas ainda deficitário. Nos últimos três anos, o prejuízo líquido foi de 334 milhões, 390 milhões e um valor não divulgado em 2025. A margem bruta total só ficou positiva em 2024, graças à migração para o modelo leve. Para o Brasil, o movimento da EACON é relevante por duas vias. Primeiro, como fornecedora de tecnologia para mineradoras brasileiras — Vale, CSN, Usiminas e outras operam minas a céu aberto que poderiam se beneficiar de frotas autônomas para reduzir acidentes e custos com mão de obra. Segundo, como potencial cliente de caminhões fabricados no Brasil: a EACON compra os veículos que equipa com seu sistema, e montadoras como a Volkswagen Caminhões e Ônibus (que já produz no país) ou a chinesa Sinotruk (com presença crescente na América Latina) podem ser fornecedoras. O impacto direto ainda é indireto: a EACON não anunciou contratos no Brasil. Mas a abertura de capital em Hong Kong sinaliza que a empresa terá recursos para expandir internacionalmente. O setor de mineração brasileiro, que responde por cerca de 2% do PIB e é intensivo em logística, é um alvo natural. Além disso, a China é o maior comprador de minério de ferro do Brasil — qualquer inovação que reduza custos na ponta chinesa pode, indiretamente, pressionar margens nas mineradoras brasileiras. Na leitura do CBI, o fato central é que a EACON prova que a direção autônoma em minas saiu do piloto e entrou em escala comercial. A avaliação é que o modelo de negócio ainda precisa provar sustentabilidade financeira — margens baixas e prejuízos recorrentes são alertas. Mas a trajetória de crescimento e a vantagem de dados (100 cenários reais) são ativos difíceis de replicar. Para o Brasil, o sinal é de que a automação de minas vai acelerar, e quem não se preparar pode perder competitividade.

Nota sobre a fonte

O artigo da 36氪 adota tom otimista sobre o potencial da EACON, destacando crescimento operacional mas omitindo riscos financeiros como prejuízos recorrentes (334-390 milhões de yuans) e margem bruta ainda baixa no modelo pesado.

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