Tecnologia

EUA taxam carros chineses em 127%, mas Waymo importa 3.200 unidades — montadoras brasileiras observam

· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasInfraestrutura e construção

A Waymo, do Google, importa o Zeekr Mix da China para seus robô-táxis nos EUA, driblando tarifas de 127,5% que barram consumidores comuns. O caso expõe a lógica geopolítica por trás das tarifas e acende alerta para montadoras e importadores brasileiros que disputam o mercado chinês de veículos el...

Enquanto o governo americano impõe tarifas de até 127,5% sobre veículos elétricos chineses, a Waymo, empresa de direção autônoma da Alphabet, importa em massa o Zeekr Mix — rebatizado de Ojai — para operar seus robô-táxis em São Francisco, Los Angeles e Phoenix. Dados de embarque mostram que mais de 3.200 unidades já chegaram ao porto de Los Angeles desde 2024, com um ritmo de 300 carros por mês em 2026. Para o Brasil, o episódio é um estudo de caso: mostra como a política tarifária americana é seletiva e como a China usa a exportação de veículos como ferramenta estratégica — algo que montadoras brasileiras, como a BYD em Camaçari, precisam monitorar de perto. A indignação de consumidores americanos é o ponto central da reportagem da 36Kr. Nos EUA, o preço médio de um carro novo subiu de US$ 38,5 mil em 2019 para US$ 47 mil em 2023, enquanto 60% das famílias americanas já não conseguem pagar por um veículo novo. Nesse cenário, a chegada de milhares de Zeekr Mix — um MPV elétrico com portas deslizantes, assoalho baixo e acabamento premium — para uso exclusivo da Waymo gerou revolta: por que gigantes de tecnologia podem importar carros chineses de alta qualidade, mas cidadãos comuns não? A resposta está na lógica das tarifas: a Seção 301 impõe 100% de tarifa sobre veículos elétricos chineses, somada a 25% de sobretaxa sobre materiais estratégicos e 2,5% de imposto padrão. Mas a Waymo, por ser uma empresa de tecnologia e não uma montadora, consegue importar os veículos como parte de um programa de pesquisa e desenvolvimento em direção autônoma, o que a isenta das tarifas punitivas. O caso expõe uma contradição: os EUA bloqueiam carros chineses para proteger sua indústria automotiva, mas abrem exceções para empresas que usam a tecnologia chinesa em áreas estratégicas. Para o Brasil, o impacto é indireto, mas relevante. O país é um dos maiores mercados de veículos elétricos da América Latina, com a BYD produzindo localmente em Camaçari (BA) e a GWM (Great Wall Motors) montando unidades em Iracemápolis (SP). A política tarifária americana não afeta diretamente o mercado brasileiro, mas influencia a estratégia global das montadoras chinesas: se os EUA fecham as portas, a China tende a redirecionar seus veículos elétricos para mercados emergentes, como o Brasil, aumentando a pressão competitiva sobre as montadoras locais. Na leitura do CBI, o episódio também revela que a China não está apenas exportando carros, mas sim exportando um ecossistema de mobilidade elétrica e autônoma. A Zeekr, subsidiária da Geely, não vende apenas veículos; ela fornece a plataforma tecnológica para a Waymo operar nos EUA. Isso é um movimento estratégico: a China contorna as barreiras tarifárias ao se posicionar como fornecedora de tecnologia, não apenas de produtos acabados. Para o Brasil, isso significa que a competição não será apenas entre montadoras, mas entre cadeias de valor inteiras. O que acompanhar: (1) a resposta do governo americano à pressão popular — se as tarifas forem flexibilizadas, isso pode abrir precedente para outros mercados; (2) a expansão da Zeekr e da BYD em mercados emergentes, incluindo o Brasil, com novos modelos e preços competitivos; (3) a reação das montadoras brasileiras, que precisarão acelerar sua transição para veículos elétricos ou enfrentarão uma concorrência cada vez mais acirrada.

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