EUA impõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros — governo Lula avalia retaliação comercial
· Clara Lin
Minério de ferroVeículos elétricos e baterias
Os Estados Unidos anunciaram tarifa de 25% sobre cerca de 3.000 produtos brasileiros, com vigência a partir de 22 de julho de 2026. O governo brasileiro classificou a medida como politicamente motivada e estuda retaliação com base em lei aprovada pelo Congresso em 2025, enquanto setores como café...
Por que isso importa
A tarifa de 25% dos EUA atinge diretamente exportações brasileiras de máquinas e equipamentos (setor industrial) e soja processada, com impacto estimado em bilhões de dólares. A reunião da CAMEX em 20 de julho definirá retaliação. Para o empresário com exposição à China, a desvalorização do real e possíveis desvios de fluxo comercial para a China são riscos imediatos.
O que fazer
Consulte o portal ComexStat para dados atualizados de exportações dos produtos afetados (NCMs relacionados a máquinas e soja processada); Acompanhe a reunião da CAMEX em 20 de julho e prepare-se para possíveis alterações tarifárias sobre insumos americanos que podem impactar custos; Avalie com seu despachante aduaneiro a reclassificação de NCM via Receita Federal para aproveitar possíveis isenções ou drawback.
Janela de tempo
A tarifa já está em vigor; a reunião da CAMEX em 20 de julho pode definir retaliação imediata. A desvalorização cambial já pode estar ocorrendo.
Em 15 de julho de 2026, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) notificou o Brasil sobre a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre aproximadamente 3.000 produtos brasileiros, com entrada em vigor em 22 de julho. A medida, proposta pelo governo Trump em 1º de junho, atinge diretamente a pauta exportadora brasileira, mas exclui café, carne bovina, laranjas e suco de laranja, além de parte do petróleo, gás natural e componentes aeroespaciais. O governo brasileiro reagiu no dia 16, classificando a tarifa como injusta e de motivação política evidente, e sinalizou que pode adotar medidas recíprocas com base na lei de reciprocidade comercial aprovada pelo Congresso brasileiro em 2025.
O anúncio dos EUA representa o maior movimento protecionista contra o Brasil desde as tarifas do aço e alumínio em 2018. Desta vez, a abrangência é maior: milhares de produtos industriais e agrícolas serão sobretaxados, com impacto estimado em bilhões de dólares nas exportações brasileiras. O governo Trump justificou a medida como necessária para proteger a indústria americana, mas o Brasil enxerga motivação política — possivelmente relacionada à aproximação do Brasil com a China e à crítica brasileira ao protecionismo americano em fóruns multilaterais.
Para o Brasil, o setor mais exposto é o industrial, especialmente máquinas, equipamentos e produtos químicos, que representam parcela significativa dos 3.000 itens listados. A agricultura brasileira, embora parcialmente protegida pelas isenções de café, carne e suco de laranja, ainda sofre com tarifas sobre outros produtos como soja processada, celulose e etanol. O setor de mineração também é afetado, com tarifas sobre minério de ferro beneficiado e alguns metais não ferrosos. A CAMEX (Câmara de Comércio Exterior) já foi acionada para avaliar a lista e preparar uma contra-medida, que pode incluir tarifas sobre produtos americanos como milho, trigo, carne de frango e aeronaves.
Na leitura do CBI, a decisão americana não é surpreendente, mas o timing e a abrangência indicam uma escalada deliberada. Os dados mostram que o Brasil vinha aumentando seu superávit comercial com os EUA, o que pode ter motivado a ação. No entanto, a exclusão de itens sensíveis como café e carne sugere que Washington quer evitar inflação doméstica. A avaliação do CBI é que o Brasil tem pouco espaço para retaliação sem prejudicar sua própria economia, já que muitos insumos americanos são essenciais para a indústria brasileira. A lei de reciprocidade de 2025 permite tarifas equivalentes, mas o governo Lula deve optar por uma resposta seletiva, mirando produtos de estados americanos com peso político nas eleições de meio de mandato.
O que acompanhar: (1) a reunião da CAMEX prevista para 20 de julho, que definirá a lista de retaliação brasileira; (2) a variação do real frente ao dólar, que pode se desvalorizar com o aumento da incerteza comercial; (3) o posicionamento do Congresso brasileiro sobre a ativação da lei de reciprocidade, que exige aprovação de decreto legislativo.
Nota sobre a fonte
A fonte chinesa (财新网) destaca a motivação política da tarifa e a aproximação Brasil-China, o que pode superestimar o viés geopolítico, mas os dados de impacto setorial são objetivos.