Eólica offshore chinesa acelera expansão — fornecedores brasileiros de cabos e turbinas podem se beneficiar
· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasEnergia solar e renováveis
A China instalou 6,59 GW de eólica offshore no 1º semestre de 2025, totalizando 47,86 GW; empresas como Hengtong e ZTT tiveram lucros acima de 1 bilhão de yuans, sinalizando demanda por cabos submarinos e componentes que podem abrir oportunidades para exportadores brasileiros de cabos e aço.
Por que isso importa
A aceleração da eólica offshore chinesa, com adição de 6,59 GW no 1º semestre de 2025 e capacidade total de 47,86 GW, abre demanda por cabos submarinos e aço para estruturas flutuantes. Empresas como Prysmian (com fábrica no Brasil) e siderúrgicas nacionais podem se beneficiar, mas a concorrência chinesa em insumos é crescente.
O que fazer
Consulte o BNDES sobre linhas de crédito à exportação para cabos submarinos e aço especial; monitore no site da ANEEL os leilões de áreas offshore previstos para o 4º trimestre de 2025; utilize o ComexStat para verificar volumes exportados de cabos de cobre e aço para a China nos últimos 12 meses.
Janela de tempo
Os leilões offshore brasileiros no 4º trimestre de 2025 exigem preparação imediata de certificações e capacidade produtiva, enquanto os resultados do 2º semestre das fabricantes chinesas (agosto) podem sinalizar continuidade da demanda.
A energia eólica offshore da China entrou em uma nova fase de crescimento quantitativo e qualitativo, com 6,59 GW instalados no primeiro semestre de 2025, elevando a capacidade total conectada à rede para 47,86 GW — mais da metade do total global de 92,5 GW. Sete empresas do setor divulgaram prévias de lucro semestral, com destaque para Hengtong Optic-Electric (lucro de 3,29 bilhões de yuans, alta de 104%) e ZTT (2,43 bilhões de yuans, alta de 55%). Para o Brasil, que possui uma das maiores reservas de eólica offshore do mundo e uma cadeia de cabos e aço em desenvolvimento, o avanço chinês sinaliza tanto concorrência quanto oportunidades de fornecimento de componentes.
A China consolidou sua liderança global em energia eólica offshore ao adicionar 6,59 GW de nova capacidade conectada à rede no primeiro semestre de 2025, segundo dados do DataBao. A capacidade total instalada atingiu 47,86 GW, enquanto o mundo se aproxima da marca de 100 GW (92,5 GW no total). O governo chinês sustenta o setor com políticas de suporte, subsídios para águas profundas e incentivos à inovação tecnológica, formando um padrão de desenvolvimento que combina escala, tecnologia e regulação favorável.
O impacto para o Brasil é indireto, mas relevante. A China é o maior fabricante global de turbinas eólicas e cabos submarinos — insumos críticos para projetos offshore. Empresas como Hengtong Optic-Electric e ZTT, que produzem cabos submarinos de alta tensão, tiveram lucros líquidos de 3,29 bilhões e 2,43 bilhões de yuans, respectivamente, no primeiro semestre. Já a Mingyang Smart Energy, fabricante de turbinas, registrou lucro de 125 milhões de yuans. Esses resultados indicam demanda aquecida por componentes que o Brasil poderia fornecer, como aço especial para torres e cabos de cobre, setores onde o país tem competitividade.
Na leitura do CBI, os dados mostram que a China está acelerando a instalação de parques eólicos offshore em águas profundas, o que exige cabos mais longos e turbinas de maior potência. Isso abre uma janela para exportadores brasileiros de cabos submarinos (como a Prysmian, que tem fábrica no Brasil) e de aço para estruturas flutuantes. No entanto, a China também avança na produção local desses insumos, o que pode limitar a participação estrangeira. O governo brasileiro, via BNDES e ANEEL, precisa monitorar as políticas chinesas de subsídios para evitar desvantagem competitiva.
O que acompanhar: (1) a publicação dos resultados completos do 2º semestre das empresas chinesas, em agosto; (2) novos leilões de áreas offshore no Brasil, previstos para o 4º trimestre de 2025; (3) a evolução dos preços do aço e do cobre no mercado internacional, que afetam a competitividade dos fornecedores brasileiros.
Nota sobre a fonte
A fonte chinesa (第一财经) utiliza linguagem otimista sobre políticas de suporte e crescimento, mas os dados de capacidade adicionada são verificáveis; a nota do CBI já pondera a limitação da participação estrangeira.