De móveis de jardim a IA: chinesa de 30 anos mostra novo caminho de internacionalização — lições para startups brasileiras
· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasEletrônicos e máquinasInfraestrutura e construção
Li Luwei, empreendedora chinesa que viveu 10 anos na Europa, migrou do comércio eletrônico B2B2C de móveis para exteriores (€35 milhões em 9 anos) para o desenvolvimento de negócios de IA na ByteDance, sinalizando a mudança dos produtos chineses de baixo custo para tecnologia de ponta — um movime...
Por que isso importa
A transição chinesa de exportação de manufatura para tecnologia de IA impacta diretamente o setor de Tecnologia e plataformas no Brasil. Reguladores como a ANPD e a Câmara de Comércio Exterior já analisam modelos como DeepSeek e Baidu ERNIE, que são adotados por fintechs e agronegócio. Sem dados quantitativos imediatos, mas a tendência redefine fornecedores e parcerias.
O que fazer
Monitore no site da ANPD as consultas públicas sobre regulação de IA, especialmente para modelos chineses; Verifique na CAMEX possíveis barreiras ou incentivos à importação de soluções de IA; Consulte associações como ABFIN (fintechs) e ABAG (agronegócio) sobre casos de uso e compliance.
Janela de tempo
A tendência já está em andamento, com exemplos concretos de adoção de IA chinesa no Brasil – planejamento de médio prazo (3-6 meses) é recomendado para ajustar estratégias de parceria e conformidade regulatória.
Em 2015, a chinesa Li Luwei desembarcou na França para estudar e, de quebra, fundou uma plataforma de comércio eletrônico B2B2C focada em móveis para jardim, conectando fábricas de Ningbo a consumidores europeus. Nove anos depois, sem um centavo de investimento externo, a empresa acumulou €35 milhões em receita. Agora, em 2025, ela trocou Paris por Londres e entrou na ByteDance para liderar parcerias globais de modelos de IA. Para o empresário brasileiro que importa da China ou busca tecnologia chinesa, a trajetória de Li é um termômetro: o que a China está vendendo ao mundo está mudando — e rápido.
A história de Li Luwei começa com um insight simples: franceses adoram jardins, e Ningbo, sua cidade natal, é um polo de móveis para exteriores. Em vez de seguir o modelo tradicional de feiras e distribuidores, ela criou em 2017 a Import Market Sales (IMS), uma plataforma que conectava fábricas chinesas, marketplaces europeus e consumidores finais. O modelo B2B2C — inédito na época — exigia que ela negociasse pessoalmente cada etapa da cadeia: logística, armazenamento, marketing, finanças e conformidade legal francesa. O resultado: 80 mil clientes diretos, parcerias com mais de 20 plataformas na França e no Reino Unido, e o reconhecimento do governo francês como "Empresa Inovadora" em 2020.
O que torna essa história relevante para o Brasil é o segundo ato. Em 2025, durante uma viagem ao Marrocos, Li percebeu que até mesmo em países africanos se discutiam modelos de IA chineses como o DeepSeek. Ela entendeu que o jogo da internacionalização havia mudado: não se tratava mais de vender móveis baratos, mas de exportar tecnologia de ponta. Hoje, na ByteDance (dona do TikTok), ela trabalha com o ecossistema global de grandes modelos de linguagem — a mesma tecnologia que está sendo adotada por empresas brasileiras de fintech, agronegócio e varejo.
Os dados mostram que a China repete o roteiro do Japão pós-guerra: nas décadas de 1950-60, "Made in Japan" era sinônimo de produtos baratos; nos anos 70-80, eletrodomésticos e automóveis japoneses dominaram o mundo; depois vieram anime, games e cultura pop. Na leitura do CBI, a China está acelerando essa transição: do comércio eletrônico de baixo custo para a exportação de inteligência artificial, modelos de linguagem e infraestrutura digital. Para o Brasil, isso significa que os fornecedores chineses de amanhã não serão os mesmos de hoje.
O que acompanhar: (1) a expansão de modelos de IA chineses (DeepSeek, Baidu ERNIE, Alibaba Qwen) em aplicações comerciais no Brasil; (2) o movimento de talentos chineses da manufatura para tecnologia, que pode reconfigurar joint ventures; (3) a reação de reguladores brasileiros (ANPD, Câmara de Comércio Exterior) à entrada de soluções de IA chinesas em setores sensíveis como saúde e finanças.
Nota sobre a fonte
36氪 é mídia chinesa focada em inovação; tende a destacar casos de sucesso e otimismo, o que pode superestimar a velocidade de adoção da IA chinesa no Brasil.
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