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Daqin Energy Storage busca IPO em HK após prejuízo bilionário — lições para brasileiros no ciclo do lítio

· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasEnergia solar e renováveis

A Daqin Digital Energy, fabricante chinesa de baterias para armazenamento de energia, protocolou pedido de IPO na Bolsa de Hong Kong após três anos de prejuízo causado por estocagem no pico do lítio (500 mil yuans/tonelada). A recuperação veio com liquidação de estoques e alta da demanda europeia...

Por que isso importa

O caso Daqin mostra o risco da volatilidade do carbonato de lítio, que caiu de 500 mil para 100 mil yuans/tonelada em 2023-2024, afetando diretamente importadores brasileiros de baterias para armazenamento solar (como projetos no Nordeste) e montadoras como a BYD em Camaçari. A margem bruta negativa de -19,9% da Daqin em 2024 exemplifica o custo de timing errado de compra, alertando produtores de lítio em Minas Gerais e no Nordeste sobre a necessidade de contratos de longo prazo e diversificação de mercados.

O que fazer

Consulte o portal ComexStat para monitorar volumes de importação de baterias chinesas (NCM 8507.60) no 1º semestre de 2025; Acompanhe na ANEEL as audiências públicas sobre regulação de armazenamento de energia, que podem abrir mercado para ESS no Brasil; Avalie com a Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral (SGM/MME) oportunidades de processamento de lítio em Minas Gerais, usando o BNDES como fonte de financiamento.

Janela de tempo

O preço do lítio deve se manter entre 80-100 mil yuans/tonelada em 2026, mas a demanda europeia pode mudar com regulações — decisões de compra de baterias para projetos solares no Brasil devem ser tomadas nos próximos 30 dias para aproveitar preços atuais.

Em 26 de junho, a Daqin Digital Energy, empresa chinesa de armazenamento de energia, submeteu pedido de listagem na Bolsa de Hong Kong. Em 2025, a receita saltou 244,3%, para 2,525 bilhões de yuans (cerca de USD 350 milhões), e o lucro líquido passou de um prejuízo de 378 milhões de yuans em 2024 para um lucro de 125 milhões. O caso interessa diretamente ao Brasil: o país é o maior produtor de lítio da América Latina e importador de baterias chinesas para sistemas de armazenamento solar e veículos elétricos. A trajetória da Daqin mostra como erros de timing no preço do lítio podem quebrar uma empresa — e como a recuperação depende de fatores externos, como a demanda europeia. A Daqin Digital Energy, fabricante chinesa de baterias para armazenamento de energia (ESS), protocolou pedido de IPO na Bolsa de Hong Kong em 26 de junho. A empresa vinha de três anos de prejuízo acumulado, causado por uma aposta errada no preço do carbonato de lítio. Em 2022, quando o preço do lítio atingiu o pico histórico de 500 mil yuans por tonelada (cerca de USD 70 mil), a Daqin comprou grandes volumes de células a esse preço para produzir baterias residenciais. Quando o mercado desabou — o carbonato de lítio caiu para 100 mil yuans/tonelada no final de 2023 e para 91 mil yuans em média em 2024 — a empresa ficou com estoques caros que só podiam ser vendidos com grandes descontos. Em 2024, a margem bruta da Daqin foi de -19,9%, com perdas de 130 milhões de yuans apenas na venda de estoques antigos. A empresa provisionou 128 milhões de yuans em redução ao valor recuperável entre 2023 e 2024. A recuperação veio em 2025, impulsionada por três fatores: liquidação total dos estoques antigos (60 mil unidades vendidas com perda de 31,6 milhões de yuans), estabilização do preço do lítio e retomada da demanda europeia por armazenamento residencial. A margem bruta saltou para 23,2%, e o lucro líquido foi de 125 milhões de yuans. A estrutura de receita também mudou: o ESS comercial e industrial, que representava apenas 0,2% da receita em 2023, saltou para 23,9% em 2025 (603 milhões de yuans), com margem bruta de 33,2%, superior aos 20,1% do ESS residencial. Além disso, a empresa se tornou essencialmente exportadora: 95,1% da receita veio do exterior em 2025, sendo 61% apenas da Europa. O impacto para o Brasil é indireto, mas relevante. O país é o maior produtor de lítio da América Latina, com reservas em Minas Gerais e no Nordeste, e tem atraído investimentos chineses em mineração e processamento. Empresas brasileiras que importam baterias chinesas para sistemas de armazenamento solar (como as usadas em projetos de energia renovável no Nordeste) ou para veículos elétricos (como os da BYD em Camaçari) podem ser afetadas por flutuações no preço do lítio e por mudanças na estratégia de exportação de fabricantes chineses. O caso Daqin mostra que a dependência de um único mercado (Europa) e de um único produto (ESS residencial) pode ser arriscada. Para o Brasil, que busca desenvolver sua cadeia de lítio e baterias, a lição é clara: timing de compra e diversificação de mercados são cruciais. O que acompanhar: (1) o desfecho do IPO da Daqin em Hong Kong, que pode indicar o apetite do mercado por empresas de armazenamento de energia; (2) a evolução do preço do carbonato de lítio, que deve se manter entre 80-100 mil yuans/tonelada em 2026, segundo analistas; (3) a demanda europeia por ESS residencial, que pode ser afetada por mudanças regulatórias e pela desaceleração econômica.

Nota sobre a fonte

A fonte 36氪 pode exagerar a recuperação da Daqin, destacando sua virada em 2025 enquanto minimiza os riscos de dependência do mercado europeu e da volatilidade do lítio.

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