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Crédito chinês desacelera em junho — impacto indireto no financiamento de commodities para o Brasil

· Clara Lin
Minério de ferroVeículos elétricos e baterias

Novos empréstimos na China ficaram abaixo do esperado em junho (1,61 tri de yuans), sinalizando cautela no crédito que pode reduzir a demanda chinesa por commodities brasileiras nos próximos meses, especialmente minério e soja.

Por que isso importa

A queda de 30% nos novos empréstimos chineses em junho (1,61 tri yuans) sinaliza menor demanda futura por minério de ferro da Vale (60% das exportações), soja do Mato Grosso (70%) e carne bovina (40%), com impacto esperado em 60-90 dias nos embarques do Porto de Santos.

O que fazer

Consulte o ComexStat para monitorar volumes de exportação de minério e soja; Acompanhe na B3 os contratos futuros de minério de ferro (DCI) e soja; Entre em contato com a ABIEC e ABIOVE para ajustar projeções de demanda e estoques.

Janela de tempo

O impacto deve se materializar entre 60 e 90 dias a partir de julho de 2026; a reunião do Politburo em agosto e os dados de produção industrial de julho definirão a intensidade da desaceleração.

O Banco Popular da China divulgou em 15 de julho que os novos empréstimos em renminbi em junho totalizaram 1,61 trilhão de yuans, queda de 30% ante os 2,24 trilhões do mesmo período de 2025 e abaixo da mediana das expectativas do mercado (1,88 tri). No acumulado do primeiro semestre, os novos empréstimos somaram 10,72 trilhões de yuans, com saldo total crescendo 5,2% ano a ano. Para o empresário brasileiro que exporta minério de ferro, soja ou carne para a China, o dado acende um alerta: crédito mais enxuto tende a frear a atividade industrial e o consumo chinês, reduzindo a demanda por insumos brasileiros. O Banco Popular da China (PBOC, na sigla em inglês) informou que os novos empréstimos em junho totalizaram 1,61 trilhão de yuans (cerca de USD 225 bilhões), uma redução de aproximadamente 30% em relação aos 2,24 trilhões de yuans registrados em junho de 2025. O número ficou abaixo da mediana das previsões de 12 instituições consultadas pela Caixin, que esperavam 1,88 trilhão de yuans. No primeiro semestre de 2026, os novos empréstimos em renminbi somaram 10,72 trilhões de yuans, e o saldo total de crédito cresceu 5,2% na comparação anual. A desaceleração do crédito chinês chega ao Brasil principalmente pelo canal das commodities. A China é o maior comprador de minério de ferro brasileiro (cerca de 60% das exportações da Vale), de soja (70% da produção do Mato Grosso) e de carne bovina (40% dos embarques brasileiros). Quando o PBOC aperta ou desacelera a oferta de crédito, a atividade industrial e o consumo interno chinês perdem fôlego, o que reduz a demanda por insumos básicos. O impacto não é imediato, mas tende a se materializar em 60 a 90 dias, período em que os estoques chineses são ajustados. Os dados mostram que o crédito chinês está em trajetória de desaceleração controlada, mas não de colapso. Na leitura do CBI, isso indica que o governo chinês está priorizando a qualidade do crédito em detrimento do volume, o que pode significar menor apetite por financiar estoques de commodities nos próximos meses. Diferentemente de 2020-2021, quando a China expandiu agressivamente o crédito pós-pandemia, o atual ciclo é de consolidação. O PBOC já havia sinalizado que o valor de referência de um único indicador de empréstimos é limitado, recomendando observar taxas de juros e estrutura de financiamento como complementos. O que acompanhar: (1) a próxima reunião do Politburo chinês em agosto, que pode definir novas diretrizes de política monetária; (2) os dados de produção industrial chinesa de julho, que mostrarão se a demanda real está desacelerando; (3) o comportamento dos preços do minério de ferro na bolsa de Dalian, que costuma antecipar movimentos de compra da siderurgia chinesa.

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