Regulação Financeira

China torna ESG obrigatório para listadas em 2026 — gestores brasileiros precisam revisar critérios de alocação

· Clara Lin
Veículos elétricos e baterias

A China avança com divulgação obrigatória de ESG para empresas listadas em A-shares a partir de 2026, enquanto EUA recuam e Europa estagna. Para o Brasil, o movimento sinaliza que fundos de pensão e gestores locais que captam recursos chineses ou investem em ativos ligados à cadeia China precisar...

A China confirmou que 2026 será o primeiro ano de divulgação obrigatória de relatórios ESG para empresas listadas no mercado de A-shares, movimento que ocorre em meio ao recuo dos Estados Unidos e à estagnação europeia no tema. Pesquisa do CFA Institute, divulgada recentemente, mostra que 66,8% das instituições financeiras chinesas já estão em fase prática de finanças verdes e 22,3% aplicam o conceito de forma madura. Para o Brasil, o efeito prático chega pelos critérios de investimento: fundos soberanos chineses e bancos como o BNDES, que mantêm linhas com contrapartes asiáticas, tendem a exigir padrões mais rígidos de reporte de sustentabilidade de empresas brasileiras que disputam capital chinês. O CFA Institute (associação global de profissionais de investimento) publicou o "Relatório de Pesquisa sobre Finanças Verdes e Investimento em ESG na China 2026", com entrevistas realizadas em Pequim, Xangai, Guangzhou e Shenzhen, envolvendo bancos, corretoras e outras instituições financeiras. O estudo indica que a China já possui o maior mercado global de empréstimos verdes e títulos verdes, e que o ESG deixou de ser conceito abstrato para se integrar aos negócios reais. A maioria das empresas avançou em finanças verdes, com 66,8% em fase de prática e 22,3% com aplicação madura. O ano de 2026 marca o "primeiro exame" da divulgação obrigatória para listadas em A-shares, o que pressiona toda a cadeia de fornecedores e parceiros a se adaptar a novos padrões de reporte. O relatório aponta três desafios centrais: a imperfeição dos mecanismos de divulgação de informações, a falta de padrões unificados no setor e a lacuna de talentos e habilidades especializadas. Enquanto isso, os Estados Unidos recuam em pautas ESG e a Europa enfrenta estagnação regulatória, o que reposiciona a China como o principal motor global de padronização do tema. Para o Brasil, o impacto é indireto, mas relevante: o país é o maior fornecedor de commodities para a China, e empresas brasileiras dos setores de mineração, agronegócio e energia que exportam para o mercado chinês ou que buscam financiamento junto a bancos chineses — como o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) e o Banco da China — precisarão atender a exigências crescentes de rastreabilidade e governança socioambiental. A leitura do CBI é que o movimento chinês não é retórico: há um cronograma regulatório claro e capital sendo direcionado para quem comprova práticas ESG. Empresas brasileiras que já operam com certificações internacionais, como a ISCC (International Sustainability and Carbon Certification) no setor de biocombustíveis, ou que seguem padrões da GRI (Global Reporting Initiative), estarão em vantagem competitiva. Já aquelas que dependem exclusivamente de relatórios financeiros tradicionais podem perder acesso a linhas de crédito chinesas ou a contratos de longo prazo com estatais chinesas. O que acompanhar: (1) a publicação do guia definitivo de divulgação ESG pela bolsa de Xangai e Shenzhen, prevista para o segundo semestre de 2025; (2) a evolução dos preços dos títulos verdes chineses, que servem de referência para o custo de capital sustentável na Ásia; e (3) eventuais anúncios de bancos chineses no Brasil sobre exigências de reporte ESG para linhas de financiamento à exportação.

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