Regulação Financeira
China mantém PIB estável, mas demanda interna esfria — exportadores brasileiros devem reavaliar projeções
· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasMinério de ferroInfraestrutura e construção
A China divulgou crescimento de 4,7% no PIB do primeiro semestre, com avanço forte em alta tecnologia, mas queda em investimento privado, infraestrutura e imóveis. Para o Brasil, isso sinaliza demanda moderada por commodities e necessidade de diversificar exportações para setores inovadores chine...
A economia chinesa cresceu 4,7% no primeiro semestre de 2025, atingindo 695,7 trilhões de yuans (cerca de USD 97 trilhões), com um incremento de 3,6 trilhões de yuans — o maior para o período em cinco anos. No entanto, os dados do Departamento Nacional de Estatísticas, divulgados em 15 de julho, revelam uma divergência estrutural: enquanto a manufatura de alta tecnologia cresce 13,3%, o investimento privado cai 8,5% e o setor imobiliário despenca 18%. Para o empresário brasileiro que exporta soja, minério ou carne, o sinal é claro: a demanda chinesa por produtos básicos pode não repetir o ritmo dos anos anteriores, exigindo atenção redobrada às próximas rodadas de negociação de contratos.
A reunião do Birô Político do Partido Comunista Chinês, em 30 de julho, reforçou a prioridade de "expandir a demanda interna" e "otimizar a oferta", além de aprofundar reformas no mercado de capitais para aumentar a resiliência e a confiança. Essas diretrizes vêm em resposta a um cenário onde o crescimento tem "quantidade", mas a demanda interna tem "diferença de temperatura". Os números do primeiro semestre mostram que as novas forças motrizes — manufatura de alta tecnologia, economia digital e serviços modernos — contribuíram com mais de 40% para o crescimento econômico. A fabricação de aeronaves cresceu 16,3% e a de eletrônicos e equipamentos de comunicação, 17%. Em contraste, setores tradicionais patinam: o investimento em ativos fixos caiu 5,7%, o investimento em infraestrutura recuou 2,4%, e as vendas no varejo cresceram apenas 1,3%. A renda disponível per capita subiu 4,2% em termos reais, mas os gastos de consumo avançaram só 2,7%, indicando que as famílias chinesas estão cautelosas.
Para o Brasil, o impacto é direto e imediato. A China é o principal destino das exportações brasileiras, especialmente de soja, minério de ferro, petróleo e carne. A desaceleração do investimento em infraestrutura e imóveis na China tende a reduzir a demanda por minério de ferro e aço, afetando diretamente a Vale e mineradoras brasileiras. Já a queda no consumo interno chinês pode pressionar as exportações de carne bovina e de frango, uma vez que o consumidor chinês está priorizando poupança em vez de gastos. Por outro lado, o crescimento da manufatura de alta tecnologia abre oportunidades para exportações brasileiras de insumos como nióbio, grafite e terras raras, usados em eletrônicos e baterias.
Na leitura do CBI, os dados mostram que a China está passando por uma transição estrutural, onde o crescimento é puxado por setores de maior valor agregado, enquanto os setores tradicionais perdem fôlego. Isso não é uma crise, mas uma reorientação. Para o exportador brasileiro, o risco está em manter uma pauta concentrada em commodities que podem sofrer com a fraca demanda chinesa. A avaliação do CBI é que o governo chinês deve intensificar estímulos à demanda interna no segundo semestre, o que pode sustentar preços de commodities, mas com volatilidade. A recomendação é acompanhar de perto as políticas de estímulo, especialmente na área de infraestrutura e consumo, que podem ser anunciadas nas próximas semanas.
O que acompanhar: (1) A reunião do Comitê Central de Assuntos Econômicos e Financeiros, prevista para setembro, que pode detalhar medidas de estímulo; (2) A evolução do índice de preços ao consumidor (IPC) chinês, que indica a força do consumo interno; (3) As decisões do Banco Central Chinês sobre taxa de juros e compulsório, que afetam a liquidez e a demanda por importações.
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