Corporativo
China libera R$ 50 bilhões em subsídios para troca de bens de consumo — setor de eletroeletrônicos brasileiro pode se beneficiar
· Clara Lin
O governo chinês anunciou a liberação de 62,5 bilhões de yuans (cerca de R$ 50 bilhões) para o terceiro lote de subsídios à troca de bens de consumo, que deve impulsionar vendas de eletrodomésticos e veículos — setores onde o Brasil exporta insumos e componentes.
A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), o principal órgão de planejamento econômico da China, anunciou nesta quarta-feira (18) que liberará até o final de junho o terceiro lote de recursos para o programa de troca de bens de consumo, no valor de 62,5 bilhões de yuans (cerca de R$ 50 bilhões). A medida faz parte de um pacote de estímulo ao consumo doméstico que já injetou 125 bilhões de yuans nos dois primeiros lotes, gerando vendas adicionais de 820 bilhões de yuans e beneficiando mais de 110 milhões de consumidores chineses. Para o Brasil, a notícia sinaliza aquecimento na demanda chinesa por eletrodomésticos e veículos — setores que consomem aço, minério de ferro, celulose e componentes eletrônicos brasileiros.
O programa de troca de bens de consumo ("trade-in") é uma das principais ferramentas do governo chinês para estimular a economia em meio à desaceleração do crescimento. Nos primeiros cinco meses de 2025, os dois primeiros lotes de subsídios — totalizando 125 bilhões de yuans — foram integralmente liberados, resultando em vendas de produtos relacionados superiores a 820 bilhões de yuans. O terceiro lote, de 62,5 bilhões de yuans, será distribuído até 30 de junho, segundo Li Chao, porta-voz da NDRC. Paralelamente, o governo também liberou 185,1 bilhões de yuans em dois lotes para atualização de equipamentos industriais, apoiando mais de 11 mil projetos com investimento total superior a 840 bilhões de yuans. Até o final de junho, a lista completa de projetos de atualização de equipamentos deste ano será divulgada, totalizando 200 bilhões de yuans.
O impacto direto para o Brasil é indireto, via aumento da demanda chinesa por bens de consumo duráveis. Quando consumidores chineses trocam eletrodomésticos e veículos, a produção industrial chinesa se expande, elevando a necessidade de matérias-primas importadas. O Brasil é um dos principais fornecedores de minério de ferro para a siderurgia chinesa (usada na fabricação de carros e eletrodomésticos), celulose (para embalagens) e produtos agrícolas que compõem a cadeia logística. Empresas brasileiras como Vale (minério), Suzano (celulose) e BRF (alimentos processados) podem ver reflexos positivos nas vendas para a China nos próximos meses.
Na leitura do CBI, os dados mostram que o programa de troca de bens de consumo tem eficácia comprovada: cada 1 yuan de subsídio gerou 6,56 yuans em vendas adicionais. Isso indica que o governo chinês continuará apostando nessa política como motor de curto prazo para o consumo interno. No entanto, a avaliação do CBI é que o efeito sobre as exportações brasileiras será moderado, pois o estímulo é direcionado a bens finais montados na China, e não a componentes importados. O impacto mais significativo deve vir do programa de atualização de equipamentos industriais, que pode demandar máquinas e insumos importados — incluindo equipamentos agrícolas e de mineração brasileiros.
O que acompanhar: (1) A divulgação da lista completa de projetos de atualização de equipamentos até o final de junho, que pode revelar setores prioritários para investimento; (2) A evolução das exportações brasileiras de minério de ferro e celulose para a China nos meses de julho e agosto; (3) Possíveis anúncios de novos lotes de subsídios no segundo semestre, que ampliariam o efeito sobre a demanda chinesa.
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