Regulação Financeira

China libera fluxo financeiro em Xangai — empresas brasileiras com filiais na China ganham liquidez imediata

· Clara Lin

O Banco Central da China iniciou um piloto que permite movimentação livre de recursos entre contas FT em Xangai e o exterior, já movimentando 120 bilhões de yuans (US$ 16,5 bilhões) — empresas brasileiras com operações na China podem repatriar lucros e fazer pagamentos internacionais sem aprovaçã...

Na tarde de 12 de junho, o Banco Popular da China em Xangai anunciou a atualização do sistema de Contas de Livre Comércio (FT), permitindo que 11 bancos e 37 empresas participantes façam recebimentos e pagamentos transfronteiriços sem necessidade de aprovação individual. O volume já ultrapassa 120 bilhões de yuans (cerca de US$ 16,5 bilhões). Para empresas brasileiras que mantêm subsidiárias ou escritórios em Xangai — como Vale, JBS, BRF e Embraer — a mudança significa que operações de tesouraria, remessas de dividendos e pagamentos a fornecedores podem ser liquidadas em tempo real, sem os gargalos burocráticos que antes travavam o fluxo. O projeto-piloto de atualização das funções da Conta FT foi oficialmente iniciado, segundo Chen Jiming, vice-diretor do Escritório Geral do Banco Popular da China em Xangai. A reforma é a mais significativa desde a criação do sistema de Contas de Livre Comércio em 2014. A principal inovação está na otimização do método de gestão 'atravessando a segunda linha' — ou seja, a fronteira entre a zona de livre comércio e o resto da China — que agora permite o recebimento e pagamento livre de fundos 'atravessando a primeira linha', a fronteira com o exterior. Na prática, empresas qualificadas podem movimentar capital entre suas contas em Xangai e o exterior sem aprovação prévia do banco central para cada transação. Por que isso chega ao Brasil: O impacto é direto para qualquer empresa brasileira com presença física em Xangai ou que utilize a cidade como hub financeiro para operações na Ásia. A Vale, por exemplo, tem escritório em Xangai e movimenta bilhões de yuans em pagamentos de minério de ferro para siderúrgicas chinesas. JBS e BRF, que exportam carne para a China, também mantêm estruturas locais para gestão de caixa. Com a nova regra, essas empresas podem consolidar sua tesouraria em Xangai e repatriar lucros ou pagar fornecedores internacionais sem depender de autorizações demoradas. Para o exportador brasileiro que vende para a China, o efeito é indireto: compradores chineses com contas FT podem liquidar pagamentos internacionais mais rapidamente, reduzindo o prazo de recebimento. A interpretação CBI: Os dados mostram que 120 bilhões de yuans já foram movimentados no piloto, o que indica adesão rápida do mercado. Na leitura do CBI, isso sinaliza que Pequim está testando, em escala controlada, a liberalização do fluxo de capitais — um movimento que, se expandido, pode reduzir significativamente o custo de financiamento para empresas estrangeiras na China. Comparado com o sistema anterior, em que cada transação transfronteiriça exigia análise individual, a nova regra representa uma mudança de paradigma: de controle caso a caso para confiança baseada em compliance pré-aprovado. O risco, para o Brasil, é que a medida acelere a dolarização das operações em Xangai, tornando o yuan mais atrativo como moeda de liquidação — o que pode pressionar o real em operações de comércio bilateral. O que acompanhar: (1) A lista de bancos participantes será ampliada? Atualmente são 11 — se chegar a 30, o efeito será sistêmico. (2) O Banco Central do Brasil (BCB) deve emitir comunicado sobre como tratar operações de tesouraria com contas FT para fins de reporte cambial. (3) A próxima reunião do Fórum de Lujiazui, em junho de 2027, pode trazer a expansão do piloto para toda a zona de livre comércio de Xangai.

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