Macro & Mercados
China lança megainvestimento em "Seis Redes" — construtoras e logísticas brasileiras podem capturar demanda
· Clara Lin
O NDRC (planejamento econômico chinês) convocou cinco empresas privadas para discutir a construção das "Seis Redes" (água, energia, computação, comunicação, subterrânea e logística), sinalizando um pacote de estímulo à infraestrutura que deve gerar demanda por commodities, máquinas e serviços de ...
Na manhã de 16 de junho, o diretor do NDRC (planejamento econômico chinês), Zheng Shanjie, reuniu-se com representantes de cinco empresas privadas — incluindo o Grupo Aode, Harbin Jiuzhou, Shanghai Hanxun Information Technology e Hebei Baoxin Logistics — para discutir a aceleração da construção das "Seis Redes". O plano abrange redes hídrica, elétrica, de capacidade computacional, de comunicação, subterrânea urbana e logística. Para o empresário brasileiro, o sinal é claro: Pequim prepara um novo ciclo de investimento em infraestrutura que, historicamente, impulsiona as exportações brasileiras de minério de ferro, aço, celulose, proteínas e máquinas pesadas.
O encontro, realizado em 16 de junho, teve como objetivo ouvir demandas do setor privado sobre como acelerar a implementação das "Seis Redes" — um conceito que unifica infraestrutura tradicional (água, energia, logística) com nova infraestrutura digital (computação em nuvem, 5G). As empresas presentes relataram que a demanda por esses projetos é "grande, com forte capacidade de arrasto e ampla cobertura", e que veem oportunidades para expandir mercados e aumentar investimentos.
Por que isso chega ao Brasil: o NDRC afirmou que utilizará "de forma abrangente vários tipos de fundos governamentais e novos instrumentos políticos financeiros" para financiar as obras. Na prática, isso significa que a China deve elevar a importação de commodities intensivas em infraestrutura — minério de ferro (Vale, em Minas Gerais e Pará), aço (Gerdau, no Rio Grande do Sul), celulose (Suzano, na Bahia e MS) e máquinas rodoviárias (Random, no Rio Grande do Sul). Além disso, a expansão da rede logística chinesa pode beneficiar operadores brasileiros de transporte e armazenagem que atendem ao corredor Brasil-China.
A interpretação do CBI: os dados mostram que a China já vinha reduzindo o ritmo de novos projetos de infraestrutura desde 2022, com investimento em ativos fixos crescendo apenas 4,2% em 2023. Na leitura do CBI, esta reunião sinaliza uma mudança de postura: o governo está buscando reativar o motor de investimento privado, que responde por cerca de 60% do total, mas que tem hesitado diante da desaceleração econômica. A novidade é o foco explícito em "regular a concorrência entre governos locais" e "abrir áreas competitivas de infraestrutura para capital privado" — um aceno para reduzir barreiras que historicamente favorecem estatais.
O que acompanhar: (1) a publicação do plano detalhado das "Seis Redes", esperada para julho/agosto, que deve trazer valores e prazos; (2) a reação do minério de ferro na bolsa de Dalian, que pode subir com a expectativa de demanda; (3) declarações do BNDES sobre linhas de financiamento para empresas brasileiras que queiram se posicionar na cadeia de suprimentos chinesa.
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