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China expurga 100 recicladoras de baterias — cadeia de lítio brasileira sob pressão

· Clara Lin
Veículos elétricos e baterias

A China revogou a qualificação de 100 empresas de reutilização em cascata de baterias e exigirá identidade digital rastreável até 2030, reestruturando o setor de reciclagem. Para o Brasil, isso afeta a cadeia de lítio e minerais críticos, com impacto em exportadores e investidores.

Por que isso importa

A reestruturação do setor de reciclagem de baterias na China, que removeu 100 empresas da lista de conformidade do MIIT e prevê reciclar 1,1 milhão de toneladas até 2030, pressiona os preços do lítio para os exportadores brasileiros, incluindo a CBL e a Sigma Lithium, que vendem para o gigante asiático. A rastreabilidade total via 'identidade digital' pode exigir que a BYD, em Camaçari, ajuste sua cadeia de suprimentos e eventualmente cobre conformidade de fornecedores brasileiros.

O que fazer

Acesse o ComexStat para verificar o volume e valor das exportações de lítio para a China no acumulado de 2025; Acompanhe na B3 a cotação do carbonato de lítio e os contratos futuros de commodities para dimensionar o impacto na receita; Consulte a ABIQUIM ou um despachante aduaneiro sobre a necessidade de incluir cláusulas de rastreabilidade nos contratos com traders chineses.

Janela de tempo

O regulamento detalhado do 'documento de identidade digital' deve ser publicado nos próximos meses, com efeitos na cadeia de suprimentos da BYD ainda em 2026.

Em 30 de julho, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT) removeu 100 empresas da lista de conformidade para reutilização em cascata de baterias de tração, e em 26 de agosto anunciou a implementação de um sistema de 'identidade digital' para rastrear cada bateria desde a fabricação até a reciclagem, com meta de processar 1 milhão de toneladas até 2030. Para o Brasil, que exporta lítio e níquel para a China e abriga a fábrica da BYD em Camaçari (BA), a reorganização do setor de reciclagem chinês pode alterar a demanda por minerais e criar oportunidades para empresas brasileiras de reciclagem e mineração. A China está apertando o cerco sobre a reciclagem de baterias de veículos elétricos. Em 30 de julho, o MIIT revogou as disposições sobre 'reutilização em cascata' nas condições normativas da indústria, removendo 100 empresas da lista de conformidade. Em 26 de agosto, o vice-ministro Xin Guobin anunciou que, até 2030, a utilização abrangente de baterias usadas deve ultrapassar 1 milhão de toneladas, com a implementação de um 'documento de identidade digital' para garantir rastreabilidade total. Essa combinação de limpeza e rastreabilidade visa reorganizar um setor que deve crescer de 280-300 mil toneladas em 2026 para 1,1 milhão de toneladas em 2030, segundo o Centro de Pesquisa de Estratégia e Política Automotiva da China. O impacto no Brasil é indireto, mas relevante. A China é o maior comprador de lítio brasileiro, usado em baterias. Com a reciclagem mais eficiente, a demanda por lítio virgem pode crescer menos, pressionando os preços internacionais. Além disso, a BYD, que produz veículos elétricos em Camaçari, depende de baterias e componentes chineses; a rastreabilidade pode afetar a logística de peças e a conformidade ambiental. Empresas brasileiras de reciclagem, como a Energy Source, podem encontrar oportunidades de parceria com o gigante asiático, mas também enfrentar concorrência de um setor chinês mais consolidado. Na leitura do CBI, a medida chinesa é um movimento para consolidar o setor e reduzir riscos ambientais, mas também para garantir o controle da cadeia de suprimentos de minerais críticos. Os dados mostram que a capacidade de reciclagem atual é subutilizada, com taxas de utilização de 8 a 12 pontos percentuais maiores no último trimestre. Isso indica que as empresas conformes estão ganhando escala, enquanto as 100 removidas perderão acesso a contratos de montadoras. Para o Brasil, o efeito será sentido na volatilidade dos preços do lítio e na necessidade de adaptação das exportadoras às novas exigências de rastreabilidade. O que acompanhar: a publicação do regulamento detalhado do 'documento de identidade digital' (prevista para os próximos meses), a evolução dos preços do carbonato de lítio na bolsa de Guangzhou, e possíveis anúncios de parcerias entre recicladoras chinesas e mineradoras brasileiras. Também é importante monitorar se a BYD vai exigir conformidade de seus fornecedores brasileiros com os novos padrões.

Nota sobre a fonte

Fonte chinesa tende a enquadrar a medida como modernização regulatória e proteção ambiental, subestimando o efeito geopolítico de controle da cadeia de minerais críticos.

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