Macro & MercadosMonitorar

China e EUA negociam cortes tarifários recíprocos de US$ 30 bi — exportadores brasileiros monitoram impacto

· Clara Lin
Carne e proteínasVeículos elétricos e bateriasInfraestrutura e construção

Pequim e Washington discutem redução recíproca de tarifas no valor de US$ 30 bilhões cada lado, sinalizando possível alívio na guerra comercial que afeta cadeias globais e a competitividade de produtos brasileiros na China.

Por que isso importa

A negociação de cortes tarifários recíprocos de US$ 30 bi entre China e EUA ameaça a vantagem competitiva do Brasil na soja (participação de 53% para 74% desde 2018) e pressiona frigoríficos como JBS, BRF e Marfrig, que dependem do mercado chinês para carne bovina e de frango. Produtores de Mato Grosso e Paraná devem monitorar prêmios portuários em Santos.

O que fazer

Consulte o ComexStat para acompanhar volume e preço das exportações brasileiras de soja e carnes para a China; Acompanhe na B3 os contratos futuros de soja e boi gordo para avaliar impacto nos preços; Entre em contato com a CAMEX ou sua associação setorial (ABIOVE, ABPA) para discutir defesa comercial contra eventual dumping americano.

Janela de tempo

A visita do secretário do Tesouro dos EUA a Pequim nas próximas semanas pode trazer declarações que acelerem ou reduzam o risco competitivo – abertura para ajustes em contratos de exportação de curto prazo.

Na quinta-feira, o Ministério do Comércio da China (MOFCOM) confirmou que as equipes econômicas sino-americanas estão discutindo um quadro de redução tarifária recíproca, com cada lado planejando cortes no valor de US$ 30 bilhões. A declaração foi feita pela porta-voz Meng Huating. Embora as negociações estejam em estágio inicial, o movimento sinaliza uma possível trégua na guerra comercial que, desde 2018, redesenhou fluxos de comércio global — e afetou diretamente exportadores brasileiros de soja, carne e minério de ferro, que ganharam market share na China às custas dos produtos americanos taxados. O anúncio do MOFCOM representa a primeira confirmação oficial de que China e EUA estão discutindo cortes tarifários recíprocos em escala bilionária. A cifra de US$ 30 bilhões de cada lado corresponde a aproximadamente 10% do total de tarifas impostas desde o início da guerra comercial, segundo estimativas de think tanks chineses. Ainda não há cronograma definido para a implementação, mas a sinalização ocorre em meio à visita do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, a Pequim, prevista para as próximas semanas. Para o Brasil, o impacto é ambivalente. De um lado, a redução de tarifas entre China e EUA pode reaquecer a economia global e beneficiar exportações brasileiras como um todo. De outro, produtos americanos como soja, carne suína e algodão — que perderam competitividade na China devido às tarifas retaliatórias — podem recuperar espaço, pressionando os preços e volumes exportados pelo Brasil. O setor de proteínas animais, em especial, deve monitorar de perto: a China é o maior comprador de carne bovina e de frango do Brasil, e qualquer mudança no equilíbrio competitivo com os EUA afeta diretamente frigoríficos como JBS, BRF e Marfrig. Os dados mostram que, desde 2018, o Brasil aumentou em 40% sua participação nas importações chinesas de soja, saltando de 53% para 74% do total. Na leitura do CBI, esse ganho foi impulsionado justamente pelas tarifas que Pequim impôs a Washington. Se as negociações avançarem, o Brasil pode perder parte dessa vantagem — mas não de forma imediata, já que a capacidade americana de expandir produção agrícola é limitada no curto prazo. Além disso, a diversificação da demanda chinesa por origens alternativas (como Brasil e Argentina) já se consolidou como estratégia de segurança alimentar de Pequim. O que acompanhar: (1) a agenda da visita de Bessent a Pequim e eventuais declarações conjuntas; (2) a variação dos prêmios portuários da soja brasileira no porto de Santos versus a soja americana no Golfo do México; (3) a posição da CAMEX (Câmara de Comércio Exterior) sobre eventuais medidas de defesa comercial caso haja dumping de produtos americanos no mercado chinês.

Nota sobre a fonte

A CGTN, mídia estatal chinesa, tende a otimismo sobre acordos bilaterais, enquanto a cobertura brasileira foca no risco de competição geopolítica; o impacto real depende de cronograma e volumes ainda incertos.

O que isso significa para sua empresa?

A CBI transforma sinais da China em pesquisa de mercado, avaliação de parceiros e apoio à entrada no mercado.

Conversar com a equipe →

Receba o briefing diário

3-5 destaques por dia, direto no e-mail. Gratuito.