China ajusta imposto sobre veículos elétricos — montadoras brasileiras devem reavaliar estratégia de importação
· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasInfraestrutura e construção
O secretário-geral da Associação de Veículos de Passageiros da China, Cui Dongshu, defendeu em 5 de julho o ajuste do imposto sobre veículos e embarcações para veículos de energia nova, sinalizando o fim dos subsídios e a transição para um sistema tributário igualitário entre elétricos e a combus...
Por que isso importa
A reforma tributária chinesa sobre veículos elétricos e híbridos tende a elevar custos de importação para montadoras como BYD (Camaçari-BA) e GWM (Iracemápolis-SP), além de comprimir margens de importadores de veículos prontos (Chery, JAC), que operam entre 8% e 12%. O cronograma prevê alíquotas progressivas a partir de 2025/2026, com decreto no 4º trimestre de 2025.
O que fazer
Acompanhe a publicação do decreto do Ministério das Finanças chinês (prevista para out-dez/25) via ComexStat para monitorar impactos nos preços FOB de veículos elétricos; simule cenários de custo com sua assessoria tributária considerando a alíquota atual de 35% da CAMEX sobre importação de veículos chineses; negocie com BYD e GWM cláusulas de repasse de custo em contratos de fornecimento de componentes e baterias.
Janela de tempo
Janela para planejamento estratégico até o 4º trimestre de 2025, quando o decreto chinês será publicado; as novas alíquotas devem vigorar entre 2025 e 2026, exigindo revisão de orçamentos e contratos de importação ainda em 2025.
Em artigo publicado em 5 de julho, Cui Dongshu, secretário-geral da Associação de Veículos de Passageiros da China (CPCA), classificou o ajuste da política de imposto sobre veículos e embarcações para veículos de energia nova e eficientes como "um passo emblemático" para a reforma de igualdade de direitos entre veículos a combustão e elétricos. A declaração sinaliza que Pequim está preparando o terreno para eliminar gradualmente os benefícios fiscais que impulsionaram a liderança global da China em eletrificação. Para o Brasil, que recebeu USD 1,2 bilhão em importações de veículos chineses em 2024 — principalmente elétricos da BYD e GWM —, a mudança pode alterar preços, margens e prazos de entrega.
Cui Dongshu afirmou que a reforma é uma "otimização tributária chave" para que a nova indústria de energia transite completamente do período de apoio político para a fase madura de mercadologização. Na prática, isso significa que veículos elétricos e híbridos, que hoje gozam de isenção total ou parcial do imposto sobre veículos e embarcações (equivalente ao IPVA chinês), passarão a pagar alíquotas progressivas baseadas em emissões, eficiência energética e peso. O cronograma exato ainda não foi divulgado, mas a CPCA indica que as mudanças devem começar a valer entre 2025 e 2026.
O impacto direto chega ao Brasil via dois canais. Primeiro, as montadoras chinesas com fábricas no Brasil — BYD em Camaçari (BA) e GWM em Iracemápolis (SP) — podem enfrentar aumento de custos de importação de componentes elétricos e baterias, já que a reforma tributária chinesa tende a encarecer a produção doméstica de veículos elétricos. Segundo, os importadores brasileiros de veículos chineses prontos (como Chery e JAC) podem ver os preços FOB subirem, comprimindo margens que já operam entre 8% e 12%.
Os dados mostram que a China respondeu por 34% das vendas globais de veículos elétricos em 2024, com 11 milhões de unidades. Na leitura do CBI, a reforma indica que Pequim considera o setor maduro o suficiente para operar sem subsídios — um movimento que, se bem-sucedido, pode servir de modelo para outros países, incluindo o Brasil, que discute a reforma tributária automotiva no âmbito do PLP 68/2024. No entanto, há riscos: a eliminação abrupta de incentivos pode desacelerar a adoção de elétricos na China, reduzindo a escala de produção e, consequentemente, a competitividade de preços dos veículos exportados.
O que acompanhar: (1) a publicação do decreto do Ministério das Finanças chinês com as novas alíquotas, prevista para o 4º trimestre de 2025; (2) a reação da BYD e GWM sobre repasse de custos às operações brasileiras; (3) o posicionamento da CAMEX sobre possível revisão das tarifas de importação de veículos chineses, atualmente em 35%.
Nota sobre a fonte
A fonte chinesa (第一财经) utiliza linguagem diplomática ('otimização tributária chave', 'transição para fase madura'), subestimando possíveis impactos negativos na cadeia de exportação.
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