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China acelera ônibus espacial para satélites — setor aeroespacial brasileiro deve observar nova concorrência

· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasInfraestrutura e construção

A startup chinesa Infinite Aerospace captou quase R$ 80 milhões para desenvolver veículos de transferência orbital, tecnologia que reduz custos de implantação de satélites. Para o Brasil, o movimento sinaliza avanço da China em infraestrutura espacial comercial, pressionando a competitividade de ...

Por que isso importa

A consolidação da China em serviços orbitais via OTVs (Space Bus) reduzirá, em 2-3 anos, o custo de lançamento de satélites para empresas brasileiras como Alada (São José dos Campos) e Visiona Tecnologia Náutica (joint venture Embraer-Telebras). O investimento de R$ 78 milhões na Infinite Aerospace acelera a concorrência com Impulse Space e D-Orbit, ampliando a oferta de lançamentos compartilhados e serviços em órbita para constelações comerciais — janela relevante para o plano de pequenos satélites do setor aeroespacial paulista.

O que fazer

Mapeie via portal da AEB (Agência Espacial Brasileira) as oportunidades de parceria com fornecedores chineses de OTV e verifique requisitos de exportação na SECEX para contratos de serviço de lançamento. Consulte a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) ou o BNDES sobre linhas de crédito para inovação espacial que possam financiar a compra de slots em missões de OTV chinesas, e monitore o edital do programa Lessonia da Força Aérea Brasileira para potenciais cargas úteis nacionais.

Janela de tempo

A Infinite Aerospace usará os recursos de R$ 78 milhões para o primeiro voo do Space Bus ainda no desenvolvimento, com primeiras missões comerciais previstas até 2027; empresas brasileiras devem se adiantar antes que as vagas de lançamento compartilhado sejam contratadas.

A Beijing Infinite Aerospace Technology Co., Ltd. anunciou a conclusão de uma rodada Série A de quase 100 milhões de yuans (cerca de R$ 78 milhões), liderada pela Dingfeng Kechuang, com participação da Yunding Capital e Taiya Investment. Os recursos serão usados para o primeiro voo da série de veículos de transferência orbital (OTV) 'Space Bus', desenvolvimento de novos modelos e construção de capacidade de fabricação em escala. Para o Brasil, que busca consolidar seu programa espacial com lançamentos de satélites nacionais, a notícia indica que a China está avançando rapidamente em uma tecnologia que pode baratear e agilizar a implantação de constelações de satélites, um segmento em que empresas brasileiras como a Alada e a Visiona Tecnologia Náutica atuam. A Infinite Aerospace, fundada em 2023, é uma provedora de infraestrutura de transporte orbital e serviços em órbita voltada para constelações de satélites comerciais. A equipe central reúne especialistas que participaram de importantes projetos de engenharia aeroespacial nacional, com média de mais de 15 anos de experiência no setor. O fundador Li Jian participou do desenvolvimento do primeiro veículo de limpeza de detritos espaciais ativo do mundo. A rodada Série A de quase 100 milhões de yuans (aproximadamente R$ 78 milhões) foi liderada pela Dingfeng Kechuang, com participação da Yunding Capital e Taiya Investment, e os acionistas existentes Shenzhen Danchuang Venture Capital, Songhe Venture Capital e Shouren Gongchuang continuaram a aumentar seu investimento. Os fundos serão usados principalmente para a verificação do primeiro voo da série OTV 'Space Bus', desenvolvimento de modelos subsequentes, iteração de engenharia e construção de capacidade de fabricação em escala, acelerando a transição da empresa do estágio de verificação técnica para o estágio de operação comercial. O impacto para o Brasil é indireto, mas relevante. O modelo tradicional de lançamento compartilhado envia múltiplos satélites para a mesma órbita inicial, exigindo que cada satélite use seu próprio sistema de propulsão para manobras orbitais até atingir sua órbita alvo. O veículo de transferência orbital (OTV) funciona como um 'elo de transporte espacial': após ser colocado na órbita básica, ele usa seu próprio sistema de propulsão para elevação orbital, ajuste de inclinação e manobras de fase, enviando múltiplos satélites para diferentes órbitas alvo. Isso resolve o problema do 'último quilômetro' na implantação de satélites, reduzindo a complexidade do design da plataforma e o custo do ciclo de vida completo. Para o Brasil, que depende de lançadores estrangeiros e tem poucos satélites próprios, a tecnologia chinesa pode, no médio prazo, oferecer serviços de lançamento mais baratos e flexíveis para empresas brasileiras que desenvolvem satélites, como a Alada (de São José dos Campos, SP) e a Visiona Tecnologia Náutica (joint venture da Embraer e Telebras). No mercado internacional, a comercialização de OTVs está acelerando. A Impulse Space, fundada por Tom Mueller, cofundador e primeiro funcionário da SpaceX, já realizou 3 missões de voo até novembro de 2025, com pedidos totalizando 200 milhões de dólares. A italiana D-Orbit, com seu veículo ION, também realizou múltiplas missões a bordo de foguetes como Falcon 9 e Vega. A série 'Space Bus' da Infinite Aerospace oferece serviços de transporte espacial para altitudes orbitais de 200 km a 36.000 km, permitindo implantação de satélites em órbitas diferentes, lançamentos compartilhados de múltiplos satélites e implantação inteligente de constelações. Além disso, o 'Space Bus' pode executar tarefas de serviço em órbita, como verificação, manutenção e reabastecimento, após concluir as tarefas de implantação. No sistema técnico, a Infinite Aerospace desenvolve motores de mudança orbital e controle de atitude com tecnologia de resfriamento regenerativo, sendo o primeiro motor de 300N no país a adotar essa rota tecnológica. Os indicadores de desempenho atingiram o nível líder nacional e foram premiados como Excelente Resultado em Inovação Tecnológica de Aplicação Comercial Aeroespacial de Pequim em 2024. O sistema GNC de alta precisão desenvolvido internamente possui capacidades de manobra orbital em grande escala, adaptação a grandes variações de massa e capacidade de expansão para encontro e acoplamento futuros. A empresa também está desenvolvendo capacidades de operação espacial para serviços em órbita. Na leitura do CBI, o avanço da Infinite Aerospace é um sinal de que a China está consolidando sua cadeia de valor espacial comercial, não apenas em lançadores, mas também em serviços orbitais. Para o Brasil, que tem ambições de se tornar um player regional no setor espacial, a notícia reforça a necessidade de acompanhar de perto a evolução dos OTVs chineses, especialmente se o país quiser competir ou cooperar em futuras constelações de satélites. O programa espacial brasileiro, com o lançamento do satélite CBERS-6 em parceria com a China, já demonstra a importância da cooperação bilateral, mas a nova tecnologia pode abrir espaço para parcerias comerciais mais amplas.

Nota sobre a fonte

A fonte chinesa 36氪 usa tom institucional otimista, destacando inovações e prêmios; o impacto para o Brasil é indireto e o texto já o interpreta como oportunidade para empresas locais — não há exagero geopolítico, mas o prazo de acesso pode ser subestimado.

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