Macro & Mercados

CEO de robótica chinesa diz que produção em escala ainda é miragem — startups brasileiras devem recalibrar expectativas

· Clara Lin

O CEO da Xinghaitu, Gao Jiyang, afirmou que nenhuma empresa de robótica incorporada opera efetivamente em cenários produtivos e que buscar volume de vendas agora é um passivo. A declaração sinaliza que o setor ainda está em estágio inicial, o que impacta diretamente startups e investidores brasil...

O CEO da Xinghaitu, Gao Jiyang, declarou na Conferência Global de Desenvolvedores da empresa que o mercado de robótica incorporada (embodied intelligence) ainda não atingiu maturidade produtiva. Segundo ele, nenhuma empresa do setor opera efetivamente em cenários de produtividade, e a capacidade dos modelos atuais é insuficiente para aplicações industriais reais. Para o ecossistema brasileiro de robótica e automação, que acompanha de perto os avanços chineses, o recado é claro: ainda não há tecnologia pronta para escala — e investir em volume agora pode ser mais um passivo do que um ativo. Gao Jiyang dividiu o modelo de negócios da robótica incorporada em três fases. A primeira, de 2025 a 2026, é a fase de vendas de máquinas completas, na qual o modelo básico do robô ainda não foi aplicado em escala. As vendas de hardware são direcionadas principalmente a desenvolvedores, instituições de educação científica e serviços comerciais, com taxa de crescimento anual de receita entre 30% e 100%. Nesta etapa, a Yushu Technology lidera com folga no segmento de exposições e entretenimento. A segunda fase, prevista para 2027-2028, seria de aplicação em cenários de produtividade, com crescimento de receita entre 100% e 200% ao ano. Já a terceira fase, a partir de 2029, seria de escala industrial, com crescimento de 200% a 500% ao ano. Gao foi enfático: buscar o primeiro ou segundo lugar em vendas de máquinas completas agora não faz sentido. "Buscar vendas absolutas é mais um passivo do que um ativo", disse. Ele alertou que forçar a implantação em cenários de produção quando a capacidade dos modelos ainda é fraca certamente resultará em rejeição pelo mercado. A declaração tem impacto direto sobre o ecossistema brasileiro de robótica e automação. Startups brasileiras que buscam parcerias com empresas chinesas para trazer robôs humanoides ou soluções de inteligência incorporada para o mercado nacional precisam recalibrar expectativas. O discurso de Gao indica que a tecnologia ainda não está madura para aplicações industriais de larga escala no Brasil, como linhas de montagem, logística ou agricultura de precisão. Para investidores brasileiros, o recado é que o setor ainda está em fase pré-comercial, com riscos elevados de retorno. Na leitura do CBI, a declaração de Gao é um sinal de maturidade do setor, não de fraqueza. Reconhecer publicamente as limitações atuais é um passo importante para evitar bolhas de expectativa. Os dados mostram que a receita das empresas do setor ainda depende fortemente de vendas institucionais (desenvolvedores, educação, entretenimento), e não de aplicações produtivas. O que acompanhar: (1) a evolução das vendas da Yushu Technology no segmento de entretenimento, que servirá como termômetro da demanda inicial; (2) anúncios de parcerias entre empresas chinesas de robótica e fabricantes brasileiros de automação industrial; (3) a participação de startups brasileiras em eventos como a Conferência Global de Desenvolvedores da Xinghaitu, que pode indicar interesse real de transferência de tecnologia.

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