Macro & Mercados
Canadense Aclara mira Brasil para cortar China da cadeia de terras raras — setor mineral brasileiro ganha alternativa estratégica
· Clara Lin
A mineradora canadense Aclara Resources anuncia foco no Brasil para desenvolver projeto de terras raras, buscando reduzir dependência global da China — movimento que pode reposicionar o Brasil como fornecedor alternativo para indústrias de alta tecnologia.
A mineradora canadense Aclara Resources anunciou que concentrará seus esforços no Brasil para desenvolver um projeto de terras raras, minerais críticos para a produção de ímãs de turbinas eólicas, veículos elétricos e eletrônicos. A decisão ocorre em meio à crescente pressão dos EUA e Europa para diversificar a cadeia de suprimentos global, hoje dominada pela China, que controla cerca de 60% da produção mundial. O projeto brasileiro, localizado em Goiás, pode entrar em operação até 2027.
A Aclara Resources, listada na Bolsa de Toronto, informou que seu projeto de terras raras no Brasil será prioridade estratégica, com investimento estimado em US$ 300 milhões. A empresa já detém licenças ambientais iniciais e negocia com o governo de Goiás para acelerar o licenciamento. O projeto prevê produção anual de 5.000 toneladas de óxido de terras raras, com foco em neodímio e praseodímio, usados em ímãs permanentes.
Para o Brasil, o movimento chega em um momento de reavaliação da política industrial. O país possui a terceira maior reserva de terras raras do mundo, mas responde por menos de 1% da produção global. O projeto da Aclara pode colocar o Brasil no mapa de fornecedores alternativos à China, especialmente para os EUA, que buscam reduzir a dependência de Pequim em minerais críticos. A cadeia de valor inclui desde a mineração até a separação dos elementos, etapa hoje dominada por refinarias chinesas.
Os dados mostram que a China processa 90% das terras raras do mundo. Na leitura do CBI, isso indica que, mesmo com a produção brasileira, a dependência de refinarias chinesas continuará sendo um gargalo nos próximos anos. A Aclara planeja construir sua própria planta de separação no Brasil, mas o custo e a tecnologia são desafios significativos. Comparado a projetos similares na Austrália e EUA, o Brasil oferece vantagens logísticas e custos operacionais mais baixos.
O que acompanhar: (1) a publicação do decreto federal sobre minerais críticos, prometido pelo Ministério de Minas e Energia para o primeiro semestre de 2025; (2) a definição do parceiro tecnológico para a planta de separação; (3) a evolução das negociações comerciais entre Brasil e EUA para acesso preferencial ao mercado americano de terras raras.
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