Macro & Mercados

BYD interrompe sequência de quedas nas vendas — montadoras brasileiras sob pressão para acelerar transição elétrica

· Clara Lin

A BYD, maior fabricante chinesa de veículos elétricos, registrou alta de 12% nas vendas em fevereiro, interrompendo a mais longa sequência de quedas da empresa. O movimento sinaliza recuperação da demanda doméstica na China e pressiona montadoras brasileiras a reverem estratégias de eletrificação...

A BYD, gigante chinesa de veículos elétricos, vendeu 322.846 veículos em fevereiro, alta de 12% ante janeiro, interrompendo a mais longa sequência de quedas mensais da empresa — quatro meses consecutivos de retração. O número superou as expectativas do mercado e reacendeu o debate sobre a capacidade da companhia de sustentar o crescimento em meio à guerra de preços no setor. Para o Brasil, o dado é relevante porque a BYD já anunciou investimento de R$ 3 bilhões na fábrica de Camaçari (BA) e negocia com fornecedores locais para iniciar produção no segundo semestre. A BYD, fabricante chinesa de veículos elétricos e híbridos, reportou vendas de 322.846 unidades em fevereiro, crescimento de 12% em relação a janeiro e de 7% na comparação anual. O resultado quebra uma sequência de quatro meses de quedas consecutivas — a mais longa da história recente da empresa — que havia gerado dúvidas entre investidores sobre a sustentabilidade da demanda na China, seu principal mercado. O desempenho foi puxado pelos modelos híbridos da linha Dynasty e Ocean, que representaram 85% das vendas totais. O impacto chega ao Brasil por dois canais. Primeiro, a BYD é a marca que mais cresce no mercado brasileiro de veículos eletrificados: em 2024, vendeu 18.000 unidades no país, alta de 290% sobre 2023, segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico). Segundo, a empresa está construindo sua primeira fábrica fora da Ásia em Camaçari (BA), com capacidade projetada de 150 mil veículos/ano e previsão de início de operação no terceiro trimestre de 2025. A retomada do fôlego comercial na China pode acelerar o cronograma de investimentos e a negociação com fornecedores baianos de autopeças. Os dados mostram que a BYD recuperou participação de mercado na China após cortar preços em até 15% em janeiro, movimento que pressionou concorrentes como SAIC e Geely. Na leitura do CBI, a recuperação das vendas indica que a estratégia de redução de margens para ganhar escala continua funcionando no curto prazo, mas levanta dúvidas sobre a rentabilidade sustentável da empresa — sua margem líquida caiu de 5,2% para 4,1% no último trimestre de 2024. Para o Brasil, o sinal é ambivalente: por um lado, a BYD chega com força ao mercado local; por outro, a guerra de preços chinesa pode se reproduzir aqui, comprimindo margens de montadoras nacionais como GWM e as tradicionais que estão se eletrificando. O que acompanhar: (1) a publicação do balanço trimestral da BYD em abril, que mostrará o impacto real da guerra de preços na rentabilidade; (2) o avanço das obras em Camaçari e a definição do cronograma de fornecimento com a cadeia de autopeças baiana; (3) a reação do governo brasileiro à possível entrada de veículos chineses com preços mais baixos — a Camex (Câmara de Comércio Exterior) já estuda elevar a alíquota de importação de veículos elétricos de 18% para 25%.

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