Regulação Financeira

Bolsa brasileira cai 2,22% e dólar sobe a R$ 5,06 com tarifas dos EUA e tensão no Oriente Médio — exportadores sob pressão

· Clara Lin

O Ibovespa fechou em forte queda de 2,22% e o dólar comercial subiu 1,14%, a R$ 5,067, em meio à aversão global ao risco provocada pelo agravamento do conflito EUA-Irã e pela proposta de novas tarifas comerciais dos EUA contra o Brasil, que afetam diretamente exportadores brasileiros de etanol e ...

O mercado financeiro brasileiro amanheceu sob pressão nesta quarta-feira (3): o Ibovespa caiu 2,22%, aos 170.330 pontos, e o dólar comercial avançou 1,14%, fechando a R$ 5,067 — maior nível desde 8 de abril. O movimento foi puxado por dois fatores externos que se somaram: a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que elevou o petróleo Brent a US$ 97,81, e a proposta de novas tarifas dos EUA sobre exportações brasileiras, incluindo uma taxa de 25% sobre parte dos embarques e uma nova investida relacionada ao combate ao trabalho forçado. Para o empresário brasileiro que opera com China, o recado é claro: o real se desvalorizou, encarecendo importações chinesas, e a aversão ao risco reduziu a liquidez em mercados emergentes, afetando o fluxo de capitais para o Brasil. O Ibovespa devolveu os ganhos da véspera e registrou a maior perda diária desde 7 de maio, tocando a mínima de 170.007 pontos durante o pregão. Na semana, o índice acumula queda de 1,99%, e o avanço em 2026 foi reduzido a 5,71%. O movimento acompanhou o desempenho negativo das bolsas americanas, que interromperam uma sequência de recordes após o agravamento do conflito entre EUA e Irã. O mercado de câmbio refletiu a busca global por segurança: o dólar ganhou força tanto no exterior quanto no Brasil, com o real figurando entre as moedas emergentes de pior desempenho. A divisa americana chegou a R$ 5,09 durante a tarde e fechou no maior patamar desde 8 de abril. A saída de recursos da B3 e o posicionamento defensivo antes do feriado de Corpus Christi ampliaram a pressão sobre o real. Apesar da alta do dia, o dólar ainda acumula queda de 7,69% frente ao real em 2026. No front geopolítico, o petróleo Brent subiu 1,89%, a US$ 97,81, e o WTI avançou 2,4%, a US$ 96,02, com o mercado monitorando o risco de interrupções no fornecimento global de energia, especialmente no Estreito de Ormuz. Para o Brasil, a alta do petróleo pressiona a inflação e impacta diretamente os custos de logística e insumos para indústrias que dependem de derivados. A deterioração do humor dos investidores também foi alimentada por notícias vindas de Washington: após recomendar uma tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) avançou com uma nova proposta tarifária relacionada ao combate ao trabalho forçado. O Brasil contestou as acusações, e entidades do setor de etanol rebateram a política tarifária americana. Na leitura do CBI, o movimento de hoje não é apenas um reflexo de tensões externas, mas um sinal de que o Brasil está sendo diretamente mirado por medidas protecionistas dos EUA, o que pode afetar o fluxo de comércio bilateral com a China de forma indireta, já que a desvalorização do real torna os produtos chineses mais caros para o consumidor brasileiro e reduz a competitividade das exportações brasileiras para o mercado chinês. O que acompanhar: (1) a evolução das negociações entre EUA e Irã, que podem aliviar ou agravar a pressão sobre o petróleo e o câmbio; (2) a tramitação da proposta tarifária do USTR contra o Brasil, que deve ter desdobramentos nas próximas semanas; (3) o comportamento do dólar frente ao real na volta do feriado de Corpus Christi, na próxima segunda-feira.

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