Biren lança supernó com 1024 GPUs — demanda chinesa por chips de IA acelera e pressiona fornecedores brasileiros de semicondutores
· Clara Lin
Eletrônicos e máquinasVeículos elétricos e bateriasInfraestrutura e construção
A chinesa Biren Technology anunciou uma nova arquitetura de supernó óptico com 1024 placas, voltada para modelos de IA de trilhões de parâmetros. O movimento sinaliza aceleração da demanda chinesa por chips avançados, o que pode aquecer o mercado global de semicondutores e beneficiar fornecedores...
Por que isso importa
O lançamento do supernó NPO pela Biren, com 1024 GPUs, acelera a demanda chinesa por chips de IA e pressiona o setor de Eletrônicos e máquinas no Brasil. O país detém mais de 90% das reservas mundiais de nióbio e possui jazidas de silício em Minas Gerais, Goiás e Bahia. Em 2023, a China importou US$ 350 bilhões em circuitos integrados, e a verticalização da produção tende a elevar a procura por esses insumos minerais brasileiros.
O que fazer
Consulte o portal ComexStat para analisar a evolução das exportações brasileiras de nióbio e silício para a China nos últimos 12 meses; Acompanhe na B3 os contratos futuros de minério de ferro como proxy de metais estratégicos; Verifique junto à SECEX eventuais mudanças nas regras de exportação de terras raras diante do aumento da demanda asiática.
Janela de tempo
O anúncio não exige ação imediata, mas a tendência de aceleração da produção chinesa de chips pode impactar preços de nióbio e silício nos próximos 3 a 6 meses; monitore trimestralmente os dados de exportação e as sanções dos EUA.
Em 17 de julho, a Biren Technology (06082.HK), fabricante chinesa de chips de IA, apresentou sua nova arquitetura de supernó NPO (Network Processing Optical), capaz de interconectar 1024 GPUs em alta velocidade. A solução foi desenhada para atender modelos de IA com trilhões de parâmetros e contextos de milhões de tokens, superando os gargalos da interconexão elétrica tradicional. O anúncio ocorre em meio à escalada da guerra tecnológica entre EUA e China, que restringe o acesso chinês a chips avançados — e abre espaço para empresas como a Biren no mercado doméstico.
A Biren Technology, listada em Hong Kong, revelou em coletiva de imprensa no dia 17 de julho sua nova arquitetura de supernó NPO, que utiliza interconexão óptica para conectar até 1024 GPUs em um único nó computacional. A tecnologia foi desenvolvida para suportar modelos de IA de escala massiva, como os que utilizam a arquitetura MoE (Mixture of Experts), que já ultrapassam a casa dos trilhões de parâmetros. Segundo Ding Yunfan, vice-presidente de arquitetura de IA da empresa, o desempenho isolado de uma única GPU já não é suficiente para tarefas complexas como agentes inteligentes e processamento de longos contextos — daí a necessidade de supernós.
O impacto dessa inovação chega ao Brasil por um canal indireto, mas relevante: a demanda chinesa por semicondutores e insumos para a fabricação de chips. A China é o maior importador mundial de circuitos integrados, e qualquer aceleração na sua produção doméstica de chips de IA — impulsionada por soluções como a da Biren — tende a aumentar a procura por matérias-primas como silício de alta pureza, nióbio (usado em ligas especiais para componentes eletrônicos) e terras raras. O Brasil é um dos maiores produtores globais de nióbio (mais de 90% das reservas mundiais) e possui jazidas significativas de silício e terras raras, especialmente em Minas Gerais, Goiás e Bahia.
Os dados mostram que a Biren vem crescendo em receita e capacidade de produção, mas ainda enfrenta desafios de escala frente a gigantes como NVIDIA e Huawei. Na leitura do CBI, o anúncio do supernó NPO sinaliza que a China está avançando em arquiteturas alternativas para contornar as sanções dos EUA, que bloqueiam a importação de chips como o H100 da NVIDIA. Isso pode acelerar a verticalização da cadeia de semicondutores chinesa, com reflexos na demanda global por insumos minerais. Em 2023, a China importou US$ 350 bilhões em chips, e a tendência é de crescimento.
O que acompanhar: (1) a evolução das sanções dos EUA à China no setor de chips, especialmente após a visita da secretária do Tesouro, Janet Yellen, a Pequim em julho; (2) os próximos resultados trimestrais da Biren, que indicarão se a empresa está conseguindo escalar a produção; (3) a cotação do nióbio e do silício no mercado internacional, que podem reagir a anúncios de novas fábricas de chips na China.
Nota sobre a fonte
Fonte chinesa (财新网) tende a destacar inovações nacionais e pode subestimar os desafios de escala da Biren frente à NVIDIA e Huawei, além de usar linguagem otimista sobre a cadeia de suprimentos.