Baterias sólido-líquidas chinesas entram em produção em 2026 — montadoras brasileiras de elétricos precisam reavaliar fornecedores
· Clara Lin
Veículos elétricos e baterias
Fabricantes chinesas como CATL, Gotion High-Tech e SVOLT preparam produção em massa de baterias semi-sólidas para veículos premium até 2026, com densidade energética de 350 Wh/kg, o que pode redefinir a cadeia de fornecimento de baterias para o mercado brasileiro de elétricos de alto padrão.
Por que isso importa
A produção em massa de baterias semi-sólidas (350 Wh/kg, 40% superior às atuais LFP) a partir de 2026 impacta diretamente as montadoras brasileiras de veículos elétricos (BYD, GWM, Chery), que poderão oferecer modelos premium acima de R$ 250 mil com maior autonomia e segurança, pressionando concorrentes como Volkswagen e Toyota no segmento de SUVs e sedãs de luxo.
O que fazer
Consulte o Portal ComexStat para analisar a evolução das importações brasileiras de baterias (NCM 8507.60) e identificar fornecedores chineses; Verifique junto à Receita Federal a classificação fiscal e possíveis regimes especiais para baterias semi-sólidas; Acompanhe, via SECEX/CAMEX, anúncios oficiais de GWM e Chery sobre a instalação dessas baterias em modelos exportados ao Brasil.
Janela de tempo
A janela de oportunidade para reavaliação de fornecedores começa agora, com os primeiros anúncios oficiais de montadoras chinesas (GWM, Chery) esperados para o segundo semestre de 2025, antes da produção em massa em 2026.
Em maio, as montadoras chinesas AITO, NIO e Zeekr lançaram sucessivamente veículos elétricos puros premium na faixa de 400.000 yuans (cerca de R$ 280 mil), todos equipados com baterias de grande capacidade ou sistemas de troca rápida. Paralelamente, a CATL apresentou sua bateria condensada Qilin, uma bateria sólido-líquida com densidade energética de 350 Wh/kg — a maior já produzida em massa. Para o Brasil, onde a eletrificação de frotas premium começa a ganhar tração, a chegada dessas baterias ao mercado chinês sinaliza que os próximos lotes de veículos elétricos importados podem vir com tecnologia de armazenamento mais segura e eficiente, impactando diretamente a competitividade de marcas como BYD, GWM e Chery no país.
O mercado de veículos elétricos puros de alto padrão na China está em ebulição. Em 27 de maio, o AITO M9 e o NIO ES9 foram lançados com baterias de 120 kWh e 102 kWh, respectivamente. O AITO M9, equipado com a bateria Huawei Giant Whale, promete autonomia de até 750 km no ciclo CLTC. Já o NIO ES9 aposta no sistema de troca de bateria, que recarrega em 3 minutos. No dia 19 de maio, o Zeekr 009, um MPV elétrico premium, foi lançado por 439.800 yuans, com plataforma de 900V e carregamento rápido 6C. No segundo semestre, a Li Auto lançará o i9, mantendo o carregamento ultrarrápido como principal diferencial. Todas essas montadoras concentram suas estratégias em aumentar a capacidade da bateria e elevar a taxa de carregamento, mas o custo de explicação sobre segurança da bateria também cresce. Exceto pela NIO, que tem a troca de bateria como marca registrada, as demais ainda buscam um novo diferencial no segmento premium. É nesse contexto que as baterias sólido-líquidas emergem como uma variável importante. O CEO da SVOLT, Yang Hongxin, prevê que 2026 será o primeiro ano de produção em massa dessas baterias, com aplicação inicial em veículos de passeio de alto padrão e na economia de baixa altitude. A 36Kr apurou que a Zeekr avalia instalar a bateria condensada da CATL em seus modelos premium; a Gotion High-Tech iniciará produção em massa para veículos da Chery; e a SVOLT planeja instalar de 30 a 40 mil unidades em veículos da Great Wall Motors ainda este ano. A escolha por baterias ternárias em veículos premium é um consenso do setor, como afirmou Gao Huan, CTO da CATL: "Escolher baterias LFP para veículos acima de 250.000 yuans é, na prática, uma redução disfarçada de especificações." No entanto, as baterias ternárias têm maior risco de segurança devido à instabilidade química dos materiais. A solução encontrada pelos fabricantes é a "mistura sólido-líquido", ou bateria semi-sólida. A bateria condensada Qilin, lançada pela CATL em abril, utiliza cátodo ternário de alto teor de níquel combinado com ânodo de grafite dopado com silício, atingindo 350 Wh/kg. Um sedã equipado com essa bateria pode ter autonomia superior a 1.000 km. Para o Brasil, o impacto é duplo. Primeiro, as montadoras chinesas que atuam no país — BYD, GWM e Chery — poderão oferecer veículos elétricos premium com baterias mais seguras e de maior autonomia, pressionando concorrentes como Volkswagen e Toyota no segmento de SUVs e sedãs de luxo. Segundo, a cadeia de fornecimento de baterias para o Brasil pode se reconfigurar: atualmente, o país importa baterias LFP e NCM da China para montagem local; com a produção em massa de baterias semi-sólidas, os contratos de fornecimento podem migrar para essa nova tecnologia, exigindo adaptação de linhas de montagem e logística. Na leitura do CBI, a produção em massa de baterias sólido-líquidas representa uma mudança estrutural no mercado de veículos elétricos premium. Os dados mostram que a densidade energética de 350 Wh/kg é 40% superior à das melhores baterias LFP atuais, e o risco de combustão é significativamente reduzido. Isso pode acelerar a adoção de elétricos puros no Brasil, onde a ansiedade de autonomia e a segurança são barreiras críticas. No entanto, o custo inicial dessas baterias deve ser elevado, limitando sua aplicação a veículos acima de R$ 250 mil nos primeiros anos. O que acompanhar: (1) a data de início da produção em massa da bateria condensada da CATL, prevista para 2025; (2) os anúncios oficiais da GWM e Chery sobre a instalação de baterias semi-sólidas em modelos exportados para o Brasil; (3) a evolução dos preços das baterias LFP e NCM, que podem sofrer pressão de queda com a entrada das semi-sólidas no mercado premium.
Nota sobre a fonte
A fonte 36Kr, mídia chinesa de tecnologia, geralmente adota tom promocional e otimista sobre inovações domésticas, o que pode superestimar a velocidade de adoção e subestimar barreiras de custo e logística para o Brasil.
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