Avatr renova pedido de IPO em HK com prejuízo bilionário — montadoras brasileiras de elétricos observam
· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasInfraestrutura e construção
A montadora chinesa de luxo elétrico Avatr, controlada pela Changan, reapresentou pedido de listagem em Hong Kong após prejuízo de 3,5 bilhões de yuans em 2025 e queda de 54% nas vendas em 2026 — sinal de que a consolidação no setor de veículos elétricos chineses pode afetar fornecedores e concor...
Por que isso importa
A Avatr, subsidiária da Changan com apoio da CATL e Huawei, registrou prejuízo de 3,5 bilhões de yuans em 2025 e queda de 54% nas vendas nos primeiros 5 meses de 2026. Isso sinaliza saturação no segmento premium de veículos elétricos na China. A CATL, maior fabricante de baterias, pode redirecionar capacidade para outros clientes, afetando contratos com montadoras brasileiras como BYD (Camaçari) e potenciais parceiros locais. A Changan pode revisar sua exportação para o Brasil, liberando tecnologia para o mercado brasileiro.
O que fazer
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Janela de tempo
A definição do IPO da Avatr em Hong Kong pode ocorrer nas próximas semanas; o balanço da CATL do 2º trimestre de 2026 deve ser divulgado até agosto, indicando possíveis redirecionamentos de capacidade.
A Avatr Technology, montadora chinesa de veículos elétricos de alto padrão controlada pela Changan Automobile, reapresentou em 30 de junho seu pedido de listagem na Bolsa de Hong Kong, após o primeiro IPO expirar em novembro de 2025. A empresa registrou prejuízo líquido de 3,5 bilhões de yuans (cerca de US$ 480 milhões) em 2025 e viu suas vendas despencarem 54% nos primeiros cinco meses de 2026, para apenas 20 mil unidades. Para o empresário brasileiro que acompanha a cadeia de veículos elétricos, o caso Avatr é um termômetro da turbulência que atinge o setor na China — e que pode repercutir em fornecedores de baterias, autopeças e até na estratégia de montadoras que atuam no Brasil.
A Avatr Technology (Chongqing) Co., Ltd. — subsidiária da Changan Automobile (000625.SZ) — tenta novamente abrir capital em Hong Kong após o primeiro pedido, protocolado em novembro de 2025, expirar sem conclusão. A empresa, que opera no segmento premium de veículos de nova energia, reportou prejuízo de 3,5 bilhões de yuans em 2025 e projeta continuar no vermelho em 2026. As vendas nos primeiros cinco meses de 2026 somaram apenas 20 mil unidades, uma queda de 54% na comparação anual. A Avatr nasceu em 2018 como joint venture 50/50 entre Changan e NIO (NYSE: NIO), mas a parceria nunca saiu do papel. Em 2020, a Changan firmou acordo com a Huawei e a CATL (300750.SZ), maior fabricante chinesa de baterias, para relançar a marca. A NIO teve sua participação diluída a partir de 2020 e saiu completamente em 2025.
O impacto chega ao Brasil por dois canais. Primeiro, a CATL — parceira da Avatr — é a maior fornecedora de baterias para veículos elétricos no mundo e tem planos de expandir sua presença na América Latina, inclusive com possível fábrica no Brasil. Se a Avatr continuar perdendo mercado, a CATL pode redirecionar capacidade produtiva para outros clientes, afetando contratos com montadoras brasileiras ou com a BYD, que já produz em Camaçari (BA). Segundo, a Changan Automobile, controladora da Avatr, é uma das maiores estatais chinesas do setor automotivo e pode revisar sua estratégia de exportação para o Brasil — onde já negocia parcerias com montadoras locais. Uma eventual desaceleração da Avatr pode liberar engenheiros, tecnologia e capacidade fabril da Changan para outros projetos, inclusive no mercado brasileiro.
Na leitura do CBI, os dados mostram que a Avatr enfrenta uma crise de posicionamento: mesmo com o apoio da CATL e da Huawei, não conseguiu escala nem rentabilidade. A avaliação do CBI é que o caso ilustra a saturação do segmento premium de elétricos na China, onde marcas como NIO, Xpeng e Li Auto já disputam o mesmo cliente. Para o Brasil, isso significa que fornecedores chineses de baterias e componentes podem se tornar mais agressivos na busca por novos mercados — e o Brasil é um dos alvos naturais. A queda de 54% nas vendas da Avatr não é um acidente isolado: reflete a guerra de preços e a consolidação forçada que o setor vive desde 2024.
O que acompanhar: (1) A data de aprovação do IPO pela Bolsa de Hong Kong — se for rejeitado ou adiado, pode indicar perda de confiança dos investidores no segmento. (2) O próximo balanço da CATL, que deve mostrar se a empresa está reduzindo exposição à Avatr. (3) Qualquer anúncio da Changan sobre novos planos de exportação para a América Latina, especialmente para o Brasil, onde o governo Lula tem incentivado a produção local de veículos elétricos.
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