Macro & Mercados
App chinês de IA levanta US$ 300 mi e atinge US$ 2 bi de valuation — criadores brasileiros viram alvo de expansão
· Clara Lin
A Evoken, controladora do Liblib AI, fechou rodada Série B+ de quase US$ 300 milhões, com valuation superior a US$ 2 bilhões, tornando-se a maior captação do setor de aplicações de IA na China e sinalizando que o ecossistema de criadores chineses pode gerar receita comparável a players globais co...
No dia 18 de junho, a Evoken anunciou a conclusão de uma rodada Série B+ de quase US$ 300 milhões, elevando seu valuation para mais de US$ 2 bilhões — um recorde no segmento de aplicações de inteligência artificial na China. O investimento foi liderado por Granite Asia, Tencent e Shunwei Capital, com participação de HT Investment e Times Capital, além de reinvestimento de acionistas antigos como Gaorong e Ant Group. A empresa controla o Liblib AI, maior plataforma de materiais e comunidade de criadores de IA do país, com mais de 30 milhões de usuários acumulados e um ARR (receita recorrente anual) superior a US$ 300 milhões. Para o mercado brasileiro, o movimento sinaliza que as ferramentas de criação com IA chinesas estão maduras o suficiente para mirar profissionais criativos no exterior — incluindo designers, produtores de vídeo e estúdios brasileiros que buscam alternativas de baixo custo.
A Evoken, até então conhecida apenas como controladora do Liblib AI, Liblib TV e Xingliu Agent, apresentou-se publicamente pela primeira vez sob a marca independente "Evoken" com esta rodada. O feito a coloca no seleto grupo chinês de aplicações de IA com valuation de dezenas de bilhões de renminbi — um clube que inclui gigantes como a ByteDance. O fundador Chen Mian, ex-executivo global de comercialização do Jianying e CapCut da ByteDance, é um gerente de produto nascido em 1992 que se tornou o mais jovem 4-1 dentro da empresa. Sua experiência moldou uma metodologia de Product-Market Fit (PMF) focada em ferramentas criativas globais.
Por que isso chega ao Brasil: O mercado chinês de aplicações de IA sofre historicamente com baixas taxas de pagamento e falta de cenários PMF matadores. Investidores frequentemente recomendam que startups chinesas priorizem os mercados da Europa, EUA, Japão e Coreia do Sul. A Evoken é uma exceção: construiu um ecossistema de criadores domésticos que gera receita comparável a players globais como Suno (US$ 300 milhões de ARR), Higgsfield (US$ 230 milhões) e Heygen (US$ 100 milhões). Para o Brasil, o impacto é indireto via concorrência: designers e estúdios brasileiros que usam ferramentas como Canva, Adobe Firefly ou Midjourney podem encontrar no Liblib AI uma alternativa chinesa com mais de 500 mil modelos originais e 100 milhões de imagens e vídeos profissionais. A empresa afirma que "um em cada três designers na China está usando o Liblib AI para criar".
A interpretação CBI: Os dados mostram que a Evoken atingiu ARR de US$ 300 milhões com foco exclusivo no mercado chinês — um feito raro em um país onde a disposição para pagar por software é baixa. Na leitura do CBI, isso indica que o ecossistema de criadores chineses amadureceu o suficiente para gerar receita comparável a aplicações verticais globais. A estratégia de produtos matriciais (Liblib AI para imagens, LibTV para vídeo, Xingliu para agentes de design) permite à Evoken explorar diferentes elos da cadeia criativa, acumulando know-how de interação e contexto do setor. Chen Mian disse ao LatePost: "Se uma empresa quer ter sucesso contínuo agora, não pode desacelerar depois de encontrar um PMF como na era da internet móvel", porque "tudo está sendo acelerado".
O que acompanhar: 1) Se a Evoken iniciará expansão internacional para América Latina, especialmente Brasil, onde há demanda por ferramentas de IA de baixo custo para produção de conteúdo. 2) Se o valuation de US$ 2 bilhões pressionará outras startups chinesas de IA a buscarem captações similares, aumentando a concorrência global. 3) Se o ARR de US$ 300 milhões se sustentará com a abertura de novos mercados, ou se a empresa precisará adaptar seus produtos para públicos não-chineses.
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