Macro & Mercados

ANTA lança tênis com 'Tecnologia Origami' — inovação estrutural chinesa acirra concorrência com Nike e Adidas no mercado brasileiro de corrida

· Clara Lin
Veículos elétricos e baterias

A chinesa ANTA apresentou a plataforma 'Tecnologia Origami' para entressolas de tênis, baseada em estruturas de dobra inspiradas em origami, visando superar limites de materiais tradicionais. O movimento sinaliza nova frente de inovação que pode impactar fornecedores brasileiros de calçados espor...

Em 16 de junho, a ANTA, gigante chinesa de artigos esportivos, lançou em Xangai a plataforma 'Tecnologia Origami (ANTA FOLD)' e o primeiro modelo equipado, o Origami H1. Diferente da abordagem convencional focada em espumas de alto desempenho (EVA, TPU, Pebax), a nova tecnologia utiliza estruturas geométricas de dobra — inspiradas na engenharia do origami — para deformação controlada sob impacto, absorvendo energia e devolvendo impulso. Para o mercado brasileiro, onde marcas como Nike, Adidas e a nacional Olympikus disputam o segmento de corrida, a chegada de uma inovação estrutural chinesa pode redefinir expectativas de desempenho e preço. A ANTA, maior fabricante de calçados esportivos da China por receita, revelou a plataforma 'Tecnologia Origami' em parceria com pesquisadores da Universidade de Oxford, Universidade de Tianjin e Universidade de Zhejiang. O sistema substitui a dependência da dureza do material por unidades de dobra pré-definidas que se deformam de maneira controlada ao receber impacto, gerenciando energia de forma similar a estruturas de origami já usadas em aeroespacial e robótica. O modelo H1 adota a estrutura 'Waterbomb' de coeficiente de Poisson negativo — que se expande lateralmente quando esticado e se contrai quando comprimido, ao contrário de materiais comuns — com 14 unidades internas que ajustam a deformação conforme a região do pé, voltado para corrida diária e deslocamento urbano. Por que isso chega ao Brasil: O país é um dos maiores mercados de calçados esportivos da América Latina, com forte presença de marcas globais e cadeia produtiva local relevante — a indústria brasileira de calçados emprega cerca de 300 mil pessoas e exporta para mais de 100 países. A ANTA já opera no Brasil via distribuidores e e-commerce, mas ainda tem participação modesta frente a Nike e Adidas. A inovação estrutural chinesa, se bem-sucedida, pode pressionar as marcas estabelecidas a acelerar P&D local ou buscar parcerias com fornecedores brasileiros de componentes (como solados e entressolas) para adaptar tecnologias similares. Além disso, a plataforma Origami pode abrir espaço para marcas brasileiras de corrida, como a Olympikus (Vulcabras), que investe em amortecimento próprio (sistema 'Gravity'), reverem suas estratégias de diferenciação. A interpretação CBI: Os dados mostram que a indústria global de calçados esportivos enfrenta um gargalo de inovação em materiais espumados, com marcas buscando diferenciação via design estrutural — Nike com seu sistema Air, On com CloudTec, Adidas com entressolas impressas em 3D. Na leitura do CBI, a ANTA aposta que a engenharia do origami pode oferecer controle de força mais refinado e maior espaço de diferenciação do que a simples atualização de materiais. Comparado a lançamentos anteriores da ANTA (como a tecnologia 'A-FLASHFOAM'), o Origami representa uma mudança de paradigma: de química para geometria. Para o Brasil, isso significa que a concorrência não será mais apenas sobre 'qual espuma é mais leve', mas sobre 'qual estrutura distribui melhor o impacto' — um campo onde startups e universidades brasileiras poderiam colaborar. O que acompanhar: (1) Se a ANTA trará o Origami H1 para o mercado brasileiro ainda em 2025 — a empresa não anunciou cronograma internacional; (2) Reação de marcas brasileiras como Olympikus e Rainha, que podem anunciar parcerias com universidades locais para pesquisa em estruturas de amortecimento; (3) Possível movimento de fornecedores brasileiros de componentes (como a Borrachas Vipal ou a Grendene) para desenvolver soluções de entressola estrutural para marcas globais.

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