Corporativo
Aier, gigante chinesa da oftalmologia, compra 35% da Opty — setor de saúde brasileiro atrai capital asiático
· Clara Lin
A chinesa Aier Eye Hospital Group está prestes a adquirir 35% da Opty, plataforma de clínicas oftalmológicas controlada pelo Patria, por US$ 120 milhões — movimento que sinaliza apetite chinês por ativos de saúde no Brasil e pode pressionar concorrentes locais.
A Aier Eye Hospital Group, maior rede de oftalmologia da China, está na reta final da compra de 35% da Opty, plataforma brasileira de clínicas oftalmológicas controlada pelo fundo Patria. O negócio, estimado em US$ 120 milhões, deve ser assinado nos próximos dias, segundo fontes próximas. Para o empresário brasileiro do setor de saúde, o movimento confirma que o capital chinês está de olho em ativos de alto crescimento no Brasil — e a oftalmologia, com margens atrativas e demanda aquecida, virou alvo prioritário.
A Aier Eye Hospital Group, listada na bolsa de Shenzhen e avaliada em mais de US$ 20 bilhões, está prestes a fechar a aquisição de 35% da Opty, plataforma que reúne clínicas oftalmológicas em várias regiões do Brasil e é controlada pelo Patria Investimentos. O valor do negócio gira em torno de US$ 120 milhões, e a assinatura do contrato deve ocorrer nos próximos dias. A Opty opera com marcas como Oftalmos e Hospital de Olhos, com presença em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Por que isso chega ao Brasil: o setor de saúde privado brasileiro, especialmente a oftalmologia, vive um momento de consolidação e atração de capital estrangeiro. A entrada da Aier, que já é a maior rede de olhos do mundo em número de cirurgias, acirra a competição com grupos locais como Hospital de Olhos (HOL) e CBO (Centro Brasileiro da Visão). Além disso, o movimento sinaliza que investidores chineses estão dispostos a pagar prêmios por plataformas com escala e gestão profissionalizada — o que pode elevar o valuation de clínicas oftalmológicas no Brasil.
A interpretação CBI: os dados mostram que a Aier tem histórico de crescimento via aquisições — na China, comprou mais de 60 hospitais nos últimos cinco anos. Na leitura do CBI, a aposta na Opty indica que a empresa chinesa quer replicar no Brasil o modelo de consolidação que deu certo no mercado chinês, onde a oftalmologia é um dos segmentos que mais cresce, impulsionada pelo envelhecimento populacional e pelo aumento da miopia entre jovens. Para o investidor brasileiro, o negócio reforça a tese de que ativos de saúde com boa governança e potencial de escala continuam atraindo capital estrangeiro, mesmo em um cenário de juros altos.
O que acompanhar: (1) a assinatura definitiva do contrato, que deve ocorrer nos próximos dias e pode incluir cláusulas de governança e direito de nomeação de conselheiros; (2) o posicionamento da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e do CADE (órgão antitruste) sobre a operação, já que a concentração no setor oftalmológico pode exigir aprovação regulatória; (3) o movimento de concorrentes locais, que podem buscar parcerias ou fusões para não perder market share.
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