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Xi pressiona desdolarização no BRICS em Nova Délhi — exportadores brasileiros redesenham hedge cambial
12 de set. de 2026Análise CBI
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Xi pressiona desdolarização no BRICS em Nova Délhi — exportadores brasileiros redesenham hedge cambial

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Xi Jinping defendeu em Nova Délhi a ampliação do uso de moedas locais no comércio do BRICS. Para o Brasil, maior exportador de commodities para a China, o sinal é prático: contratos de soja, minério, carne e petróleo podem migrar parcialmente para liquidação em yuan. O CBI avalia que não há ruptura imediata com o dólar, mas empresas exportadoras e tradings devem preparar estruturas de hedge em RMB e acompanhar o comunicado final, o swap do BCB e testes de liquidação da COFCO.

Em 12 de setembro, em Nova Délhi, o presidente Xi Jinping participou da primeira sessão da 18ª Reunião de Líderes do BRICS e defendeu, segundo a Xinhua, a ampliação do uso de moedas locais nas transações comerciais entre os membros do bloco. O encontro reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, com países convidados. Xi também pediu reforço da cooperação em infraestrutura, cadeias de suprimento e governança global. Não houve anúncio imediato de mecanismo operacional de pagamento ou de substituição do dólar. O comunicado final estava previsto para 13 de setembro. O comércio Brasil-China superou USD 150 bilhões em 2023, com superávit brasileiro acima de USD 50 bilhões. O Banco Central do Brasil mantém linhas de swap em yuan com o PBoC desde 2013, mas a liquidação efetiva em RMB ainda é marginal frente ao dólar.

A declaração toca diretamente a espinha dorsal das exportações brasileiras. A China absorve mais de 30% das vendas externas do Brasil, com soja em grão, minério de ferro, petróleo, carne bovina e celulose no topo. Tradings como Cargill, Bunge, ADM e COFCO, cooperativas como Coamo e Lar, e empresas como Vale, JBS, Marfrig, Minerva e Petrobras estruturam contratos, preços e hedge em dólar. Se o BRICS avançar para liquidação em moedas locais, o mecanismo de formação de preço e de proteção cambial dessas operações muda. O impacto não se limita a commodities: importadores brasileiros de eletrônicos, componentes automotivos, painéis solares, fertilizantes e veículos elétricos, muitos comprando de Shenzhen, Xangai ou Ningbo, também podem ser afetados se fornecedores chineses passarem a exigir faturamento em RMB. Reguladores como BCB, Receita Federal, MDIC e Camex teriam de adaptar regras de declaração, câmbio e financiamento. O volume em jogo é superior a USD 150 bilhões anuais, e qualquer mudança de moeda de faturamento altera fluxos de caixa, linhas de crédito e custos de transação.

Os dados indicam que a retórica de desdolarização não é nova: na cúpula de Joanesburgo, em 2023, o tema ganhou força política, mas não produziu mecanismo operacional. Desta vez, a Índia como anfitriã tem interesse próprio em reduzir dependência do dólar para compras de petróleo russo, o que pode destravar acordos bilaterais de liquidação. Já há movimentos pontuais: contratos de soja com a COFCO e operações de minério com a Vale testam ou preveem RMB, mas dependem de conversibilidade, linhas de crédito em yuan e aceitação de contrapartes. Na avaliação do CBI, Xi em Nova Délhi não cria obrigação imediata para o exportador brasileiro, mas sinaliza direção política de médio e longo prazo: a China quer reduzir exposição ao dólar em suas compras de commodities e usar o yuan como moeda de faturamento. A tendência é de aceleração gradual, não de ruptura súbita. Se a cúpula produzir um mecanismo multilateral de compensação, discutido desde 2023, o custo de transação em dólar pode cair, mas o risco cambial migra para o yuan. Isso exigirá novas estruturas de hedge que poucas empresas médias brasileiras dominam. O sinal prático é que contratos de longo prazo com compradores chineses podem passar a incluir cláusulas de opção de moeda, algo que já aparece em minutas de tradings asiáticas. Para o CBI, o cenário-base é de convivência parcial entre dólar e RMB, com o yuan ganhando espaço em contratos específicos, não de substituição ampla no curto prazo.

Devem prestar atenção: 1) exportadores de soja, milho, carne bovina e celulose que vendem para a China e têm contratos de longo prazo com tradings ou compradores estatais chineses; 2) tradings e cooperativas, como Cargill, Bunge, ADM, COFCO, Coamo e Lar, que precisarão oferecer cláusulas de moeda e hedge em RMB; 3) mineradoras e petroleiras, incluindo Vale e Petrobras, que já operam com a China e podem ser cobradas a testar liquidação em yuan; 4) importadores brasileiros de eletrônicos, componentes, painéis solares, fertilizantes e veículos elétricos que compram de fornecedores chineses e podem receber pedido de faturamento em RMB; 5) tesourarias, bancos e mesas de câmbio, que terão de precificar e liquidar yuan com liquidez ainda limitada. Reguladores como BCB e Receita Federal também entram no radar.

O que acompanhar: primeiro, o comunicado final da cúpula, previsto para 13 de setembro, para ver se há menção a um mecanismo de pagamento multilateral ou apenas linguagem genérica de cooperação monetária. Segundo, a posição do Banco Central do Brasil sobre ampliação do swap em yuan e eventual revisão de regras de declaração cambial. Terceiro, movimentos da COFCO e de tradings chinesas em contratos de soja da safra 2024/25 que testem liquidação em RMB; se houver volume relevante, o mercado de câmbio brasileiro sente no segundo semestre. Quarto, eventuais acordos bilaterais Índia-China ou Índia-Rússia que criem infraestrutura de compensação replicável pelo Brasil. Quinto, comunicados do MDIC, Camex e Receita Federal sobre adaptação de normas para operações em moeda chinesa e linhas de financiamento do PBoC para importadores e exportadores brasileiros.

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