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Suspeita de cartel de memória DRAM ameaça custos de eletrônicos no Brasil — importadores devem se preparar
30 de jun. de 2026Análise CBI
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Suspeita de cartel de memória DRAM ameaça custos de eletrônicos no Brasil — importadores devem se preparar

Ação coletiva nos EUA acusa Samsung, SK Hynix e Micron de manipular preços de DRAM entre 2016-2018, elevando custos em mais de 200%. Para o Brasil, que importa quase todos os chips de memória, o risco é de novo ciclo de alta em meio ao dólar pressionado. O CBI recomenda monitorar o processo e avaliar alternativas como CXMT, além de acompanhar medidas da CAMEX.

Três gigantes globais de armazenamento — SK Hynix, Samsung e Micron — estão sob uma ação coletiva nos Estados Unidos por suspeita de manipulação concertada de preços de memória DRAM entre 2016 e 2018. O processo, protocolado em tribunal distrital da Califórnia, alega que as empresas, que juntas controlam mais de 90% do mercado global de DRAM, reduziram artificialmente a produção para manter preços elevados. Dados do setor indicam que os preços da DRAM subiram mais de 200% durante o período. As empresas negam as acusações. Paralelamente, a Coreia do Sul anunciou o maior plano de investimento industrial de sua história: 5178,7 trilhões de won (aproximadamente USD 3,9 trilhões), com foco em semicondutores, baterias e biotecnologia, incluindo um objetivo de duplicar a capacidade de produção de DRAM em cinco anos. O governo sul-coreano quer que o país responda por 10% das vendas globais de semicondutores até 2030. Apple já elevou preços de alguns produtos devido ao aumento do custo de chips de memória, e fabricantes de smartphones também repassaram aumentos.

Para o Brasil, a conexão é direta e sensível. O país é importador líquido de eletrônicos e componentes — em 2024, comprou cerca de USD 5 bilhões em circuitos integrados, segundo a SECEX. Quase a totalidade dos chips de memória usados em smartphones, computadores e servidores vendidos no Brasil é importada. Qualquer variação no preço global de DRAM afeta diretamente o custo de produção de montadoras de eletrônicos na Zona Franca de Manaus, como as unidades da Foxconn, da Positivo e da Lenovo, além de impactar o preço final de equipamentos de TI adquiridos por empresas brasileiras. O setor de data centers, que depende fortemente de servidores com memória DDR4 e DDR5, também sente a pressão. Embora o caso tramite nos EUA, suas consequências regulatórias e de preços podem se espalhar globalmente, afetando contratos de fornecimento com distribuidores brasileiros e importadores que operam via Shenzhen ou Hong Kong. A Coreia do Sul, maior produtora de DRAM, está ampliando investimentos, mas o timing do processo adiciona incerteza.

Os dados indicam que o mercado de DRAM já vive um ciclo de alta desde meados de 2024, impulsionado pela demanda por servidores de IA e pela escassez relativa de capacidade. Na avaliação do CBI, a suspeita de cartel adiciona um risco regulatório que pode acelerar a busca por fontes alternativas, como a chinesa CXMT (ChangXin Memory Technologies), que ainda tem capacidade limitada e tecnologia menos madura. Comparado ao período anterior de 2016-2018, quando os preços subiram 200% sem ação legal significativa, o cenário atual combina um dólar forte pressionando margens no Brasil e um ambiente antitruste mais vigilante nos EUA. Isso sugere que o desfecho da ação pode influenciar não apenas indenizações passadas, mas também práticas futuras de precificação. O plano de investimento sul-coreano, embora massivo, é de médio a longo prazo e não deve aliviar a pressão de curto prazo sobre os preços spot. Portanto, o sinal é de alerta: o risco de nova alta coordenada de preços não pode ser descartado, mesmo com a negação das empresas.

Quem deve prestar atenção: importadores de componentes eletrônicos que compram de fornecedores asiáticos, especialmente em Shenzhen e Hong Kong; gestores de supply chain de montadoras na Zona Franca de Manaus, como as empresas do Polo Industrial de Manaus; diretores de TI de grandes corporações brasileiras que planejam renovar parques de servidores e data centers; analistas de risco cambial e de commodities que monitoram contratos futuros de DRAM; e advogados especializados em direito comercial internacional que atuam em arbitragens contratuais com fornecedores de chips.

Próximos passos: (1) acompanhar a evolução do processo nos EUA, com possíveis audiências preliminares em 60 a 90 dias — decisões sobre descoberta de provas podem revelar mais evidências; (2) monitorar os preços spot de DRAM DDR4 e DDR5 no mercado aberto (fontes como DRAMeXchange), que funcionam como termômetro de tensões de oferta; (3) verificar se a CAMEX adota medidas de redução temporária de tarifas de importação para componentes eletrônicos, algo que já ocorreu em crises anteriores; (4) avaliar a evolução dos investimentos sul-coreanos em novas fábricas de DRAM e prazos de entrada em operação; (5) identificar contatos comerciais com a CXMT para avaliar viabilidade técnica e logística de fornecimento alternativo para o mercado brasileiro.

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