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PMI industrial chinês atinge maior nível trimestral desde 2020 — demanda por minério, soja e petróleo brasileiros se fortalece
2 de jul. de 2026Análise CBI
Análise em Profundidade

PMI industrial chinês atinge maior nível trimestral desde 2020 — demanda por minério, soja e petróleo brasileiros se fortalece

O PMI industrial do Caixin fechou o segundo trimestre de 2025 com média de 52,0, o melhor desde o quarto trimestre de 2020, sinalizando aquecimento no setor exportador chinês. Para o Brasil, isso impulsiona a demanda por minério de ferro (30% das exportações para a China), soja e petróleo. A Vale, a Petrobras e os traders de grãos devem se preparar para embarques elevados, embora o risco de redirecionamento de estímulos chineses para produção doméstica de grãos e energia exija monitoramento. Acompanhe os dados de julho da alfândega chinesa (GACC) e a reunião do Politburo.

A manufatura chinesa fechou o segundo trimestre de 2025 com o melhor desempenho desde o início da pandemia. A pesquisa privada do Caixin/S&P Global registrou o índice de gerentes de compras (PMI) industrial em 51,8 em junho, ligeiramente abaixo dos 52,0 de maio, mas ainda confortavelmente em território de expansão. A média do trimestre atingiu 52,0 — o maior nível desde o quarto trimestre de 2020. O dado surpreendeu analistas que esperavam desaceleração mais forte, especialmente após o PMI oficial do governo ficar estável em 49,5 em junho, indicando contração. A produção industrial chinesa cresceu 5,1% em maio na comparação anual, acima das expectativas, reforçando o dinamismo do setor privado exportador em contraste com a indústria estatal de grande porte, que ainda sofre com excesso de capacidade e demanda doméstica fraca.

Para o Brasil, o impacto é direto e imediato. A China é o principal destino do minério de ferro brasileiro — que responde por cerca de 30% das exportações nacionais para o país asiático —, da soja e do petróleo bruto. Com a manufatura chinesa aquecida, a Vale, maior produtora global de minério de ferro, deve manter o ritmo elevado de embarques, beneficiando-se da demanda de siderúrgicas chinesas que operam perto da capacidade. A soja brasileira, que enfrenta concorrência sazonal da safra americana, pode encontrar fôlego extra caso a indústria de processamento chinesa continue recompondo estoques — movimento que depende do spread de esmagamento e das compras da COFCO e da Sinograin. Já o petróleo brasileiro, exportado principalmente pela Petrobras, tende a encontrar mercado firme, já que a China é o maior importador global de petróleo e suas refinarias, tanto estatais quanto privadas, estão aumentando a taxa de utilização. Os reguladores relevantes incluem a Alfândega Geral da China (GACC), que divulga os dados mensais de importação, e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), que coordena os estímulos fiscais e monetários.

Os dados indicam que a estratégia chinesa de estímulo fiscal e monetário — cortes de juros, injeção de liquidez e crédito direcionado — está surtindo efeito no setor exportador, mas ainda não reativou o consumo interno. A divergência entre o PMI do Caixin (export-oriented, médias e pequenas empresas) e o PMI oficial (estatal, grande porte) é um sinal claro dessa assimetria. Na avaliação do CBI, isso gera um cenário de curto prazo favorável para as exportações brasileiras de commodities, mas com riscos relevantes no médio prazo. Se a demanda doméstica chinesa não se recuperar, o governo pode redirecionar estímulos para setores que competem com importações, como a produção doméstica de grãos e energia — ampliando subsídios para agricultores de soja e milho ou acelerando a exploração de campos de petróleo e gás. Esse movimento já foi observado em 2023, quando Pequim aumentou as tarifas de importação de alguns produtos agrícolas para proteger os produtores locais. Além disso, a fragilidade do mercado imobiliário chinês e o excesso de capacidade industrial (aço, cimento, painéis solares) podem pressionar os preços das commodities para baixo, mesmo com volumes elevados. Portanto, o momento é de otimismo cauteloso.

Quem deve prestar atenção: diretores comerciais da Vale responsáveis por contratos trimestrais com siderúrgicas chinesas, que precisam monitorar os preços do minério de ferro na bolsa de Dalian e as cotações do aço na China; gerentes de exportação da Petrobras que acompanham a demanda de refinarias independentes chinesas (teapots) e as margens de refino; traders de soja de empresas como Amaggi, Cargill e Bunge que negociam com a COFCO e a Sinograin, especialmente para calibrar o timing de embarques frente à safra americana; analistas de commodities de bancos de investimento (BTG Pactual, Itaú BBA) que assessoram clientes expostos ao ciclo chinês; e executivos de logística portuária nos terminais de Santos e Itaguaí, que precisam planejar a capacidade de armazenagem e embarque diante de possíveis picos de demanda.

Próximos passos: primeiro, monitorar os dados de importação chinesa de julho, que serão divulgados pela GACC no início de agosto — especialmente os volumes de minério de ferro, soja e petróleo, que indicarão se o aquecimento industrial está se traduzindo em compras efetivas; segundo, acompanhar a reunião do Politburo de julho, que pode anunciar novas medidas de estímulo fiscal ou monetário, com potencial de redirecionamento para setores de consumo interno ou substituição de importações; terceiro, observar a variação do minério de ferro na bolsa de Dalian (DCE), que antecipa movimentos de preço e pode sinalizar mudanças na demanda siderúrgica; quarto, verificar os estoques de soja na China, divulgados semanalmente pelo USDA e pela CONAB, que ajudam a prever a necessidade de novas compras brasileiras; quinto, acompanhar as decisões de política monetária do Banco Popular da China (PBOC), que podem influenciar o custo do crédito para as indústrias e, consequentemente, o apetite por matérias-primas.

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